Itália institui feminicídio como crime autônomo e prevê cadeia perpétua em casos de violência de gênero

Redação
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Itália institui feminicídio como crime autônomo e prevê cadeia perpétua em casos de violência de gênero

O Parlamento italiano aprovou por unanimidade, na terça-feira (25.nov.2025), a criação do feminicídio como crime específico no Código Penal do país. A proposta, apresentada pelo governo de Giorgia Meloni, recebeu 237 votos favoráveis na Câmara dos Deputados. A nova lei estabelece prisão perpétua para assassinatos motivados por discriminação ou dominação de gênero.

A votação ocorreu exatamente no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. O texto define feminicídio como homicídio praticado por ódio, discriminação ou vontade de controle sobre a mulher enquanto mulher. A medida também abrange casos em que o crime busca limitar liberdades fundamentais da vítima.

A legislação italiana passa a reconhecer o feminicídio como delito autônomo. Antes, esses casos eram enquadrados como homicídio qualificado comum.

O texto aprovado detalha que o crime ocorre quando o assassinato decorre de questões relacionadas ao gênero da vítima. A pena mínima prevista é a prisão perpétua sem possibilidade de benefícios iniciais.

Contexto da aprovação unânime

A proposta contou com apoio de todos os partidos representados na Câmara. Deputados da coalizão de direita e da oposição de centro-esquerda votaram favoravelmente.

A unanimidade reflete consenso raro no Parlamento italiano atual. O projeto avançou rapidamente após apresentação pelo Ministério da Justiça.

Principais pontos da nova lei

  • Criação do artigo específico para feminicídio no Código Penal italiano.
  • Aplicação automática da prisão perpétua em condenações.
  • Reconhecimento de motivação de gênero como circunstância agravante obrigatória.
  • Inclusão de crimes cometidos após término de relacionamentos ou para restringir liberdades da mulher.

Histórico de violência de gênero na Itália

O país registrou 120 feminicídios em 2024, segundo dados do Ministério do Interior divulgados em novembro. O número representa aumento de 5% em relação ao ano anterior.

Casos de grande repercussão, como o assassinato de Giulia Cecchettin em 2023, impulsionaram o debate público. A morte da jovem de 22 anos gerou protestos nacionais e pressão por mudanças legislativas.

A Itália possuía uma das legislações mais avançadas da Europa contra violência doméstica desde 2013. A Convenção de Istambul, ratificada em 2013, já obrigava o país a adotar medidas específicas.

Detalhes do processo legislativo

O projeto foi apresentado pelo governo em setembro de 2025. A Comissão de Justiça da Câmara aprovou o texto em tempo recorde de duas semanas.

A votação final ocorreu às 18h30 locais em Roma. Nenhum deputado se posicionou contra ou se absteve durante a sessão.

Medidas complementares previstas

O pacote inclui aumento de verbas para centros de atendimento a vítimas. Os recursos devem crescer 30% no orçamento de 2026.

A nova lei também facilita denúncias anônimas e acelera processos judiciais. Juízes receberão treinamento específico sobre violência de gênero.

Repercussão imediata da aprovação

Organizações feministas celebraram a decisão como avanço histórico. A rede Non Una di Meno classificou a medida como resposta necessária às estatísticas crescentes.

O Ministério da Igualdade de Oportunidades divulgou nota oficial. O texto destaca que a lei representa compromisso concreto do governo com proteção às mulheres.

A normativa entra em vigor imediatamente após publicação no Diário Oficial italiano. Os primeiros casos já podem ser enquadrados sob a nova tipificação penal.

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