Retrato de Elisabeth Lederer de Klimt é vendido por US$ 236 milhões em NY

Redação
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O retrato de Elisabeth Lederer, pintado por Gustav Klimt entre 1914 e 1916, foi arrematado por US$ 236,4 milhões em leilão realizado pela Sotheby’s em Nova York nesta segunda-feira (18). A venda estabeleceu novo recorde para obra de arte moderna em pregão e para a própria casa de leilões. O valor superou em mais de duas vezes o preço pago por outra tela de Klimt, Lady with a Fan, vendida por US$ 108 milhões em 2023.

A pintura, que pertencia à coleção privada do bilionário Leonard Lauder, falecido em junho de 2025, ficou décadas longe do olhar público. Agora, o quadro se torna a segunda obra mais cara já leiloada, atrás apenas do Salvator Mundi de Leonardo da Vinci, vendido por US$ 450,3 milhões em 2017.

Detalhes da obra e do leilão

O quadro mede quase dois metros de altura e mostra Elisabeth Lederer, então com 20 anos, filha dos mecenas August e Serena Lederer. Executado nos últimos anos de vida do artista austríaco, o retrato foge do brilho dourado típico do chamado Período Dourado de Klimt.

A composição apresenta tons vibrantes e influência de arte oriental, com vestido branco que envolve a figura como um casulo. O fundo azul celeste cria contraste com os detalhes minuciosos do traje.

História da família e da pintura

A família Lederer, de origem judaica, era uma das principais colecionadoras de Klimt em Viena. Após a anexação da Áustria pela Alemanha nazista em 1938, a coleção foi confiscada pelas autoridades.

Elisabeth conseguiu proteção ao alegar, com documento assinado pela mãe, que Klimt seria seu pai biológico. A afirmação foi aceita e garantiu status que a salvou de perseguições mais graves.

Elementos simbólicos no quadro

O vestido contém dragões estilizados reminiscentes de tecidos da dinastia Qing, símbolos de poder imperial. Ondas estilizadas sobem pelas pernas da retratada.

Formas ovais e círculos concêntricos remetem a imagens microscópicas de células, tema que interessava ao pintor após palestras de anatomia na Universidade de Viena.

  • Motivos orientais convivem com referências à ciência da época
  • Cores intensas marcam transição para fase final da produção de Klimt
  • Figura alongada sugere transformação, como borboleta saindo do casulo

Posição no mercado de arte

Com o resultado, Klimt ultrapassa Andy Warhol, cujo retrato de Marilyn Monroe havia sido vendido por US$ 195 milhões em 2022. O artista austríaco consolida liderança entre modernos em leilões.

A tela de Elisabeth Lederer havia reaparecido no mercado nos anos 1980, quando entrou para a coleção de Leonard Lauder, herdeiro da Estée Lauder.

Contexto da venda atual

O leilão ocorreu em sessão dedicada a mestres modernos e contemporâneos na sede nova-iorquina da Sotheby’s. O preço final incluiu taxas e comissões da casa.

A obra permaneceu em mãos privadas desde os anos 1980, o que aumentou o interesse de colecionadores. O valor reflete raridade de pinturas tardias de Klimt disponíveis no mercado.

A venda reforça a força de obras do início do século XX com procedência documentada e importância histórica reconhecida pelo mercado internacional.

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