Forças israelenses capturam Beaufort Ridge no Líbano, marcando incursão mais profunda em 26 anos

Redação
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Forças israelenses capturam Beaufort Ridge no Líbano, marcando incursão mais profunda em 26 anos

Forças israelenses capturaram o estratégico Beaufort Ridge no Líbano, cruzando o Litani River e consolidando a incursão mais profunda de Israel no país em 26 anos. O avanço ocorre após dias de intensos combates no sul do Líbano, desencadeando um “dramatic change” na estratégia israelense, conforme declarado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

A ação militar intensifica as tensões regionais, desafiando as expectativas de um plano de paz mediado pelos Estados Unidos. Autoridades israelenses sinalizaram a intenção de expandir o controle direto sobre mais territórios libaneses, gerando preocupações sobre uma possível ocupação prolongada. A ofensiva prossegue apesar de um acordo nominal de cessar-fogo em vigor há um mês, com acusações mútuas de violação entre Israel e o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã.

Captura de Beaufort Ridge e Nova Estratégia

A tomada do posto avançado de Beaufort, local de um castelo medieval, representa um marco significativo na atual escalada. Benjamin Netanyahu confirmou a operação militar, destacando a importância estratégica do local. Sua instrução direta é para “aprofundar e expandir” o controle sobre as áreas antes dominadas pelo Hezbollah, alterando fundamentalmente a política liderada pelo governo israelense.

O ministro da Defesa, Israel Katz, enfatizou a importância da captura em discurso. Ele afirmou que a bandeira israelense “mais uma vez tremula sobre os picos com vista para as comunidades da Galileia”. Katz acrescentou que os soldados que tomaram Beaufort permanecerão no local, integrando uma zona de segurança no Líbano, e reforçou a determinação de Israel em “esmagar” o Hezbollah, ativo no sul do Líbano, próximo à fronteira com o norte de Israel.

Histórico e Importância Estratégica

As tropas israelenses já haviam capturado Beaufort Ridge em 1982, durante a segunda invasão do Líbano. O local permaneceu sob controle israelense até a retirada do país em 2000. A retomada atual reabre um capítulo de longa data na complexa relação militar entre as duas nações.

A UNESCO, agência cultural da ONU, havia expressado “profunda preocupação” antes da captura. A entidade manifestou alarme com os ataques israelenses perto do Castelo de Beaufort, que possui status de proteção provisória. Locais históricos dessa natureza, ressaltou a UNESCO, devem receber o “mais alto nível de proteção legal contra ataques e uso para fins militares”. A travessia do Litani River e a subsequente captura de Beaufort Ridge elevam drasticamente o nível do conflito em curso.

Chamados por Ocupação Permanente e Repercussões

O Litani River consolidou-se como uma fronteira *de facto* no Líbano desde a invasão israelense de 1982. Extensas áreas ao sul do rio foram submetidas ao controle militar israelense. Residentes locais receberam ordens de evacuação, e as forças de Israel destruíram pontes sobre o rio, alegando que eram usadas pelo Hezbollah para contrabando de armas e movimentação de combatentes.

Em meio ao cenário, crescem os temores de uma ocupação de longo prazo. Alguns segmentos em Israel pedem abertamente o controle permanente do sul do Líbano, citando as vantagens de segurança que isso proporcionaria. Um editorial no Jerusalem Post, em março, relembrou David Ben-Gurion, primeiro-ministro de Israel, que identificou o Litani como uma fronteira natural ao norte para o estado judaico.

  • 1982: Tropas israelenses capturam Beaufort Ridge durante a segunda invasão do Líbano.
  • 2000: Israel retira suas forças do Líbano, incluindo a área de Beaufort.
  • 2026: Forças israelenses retomam Beaufort Ridge, marcando incursão mais profunda em 26 anos.
  • Ultracionalistas: Pedem ocupação permanente do sul do Líbano e ações mais severas contra Beirute.
  • UNESCO: Expressa preocupação com ataques próximos ao Castelo de Beaufort, patrimônio cultural.

Os chamados foram renovados entre ultranacionalistas israelenses no último domingo. O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, descreveu a apreensão de Beaufort Ridge como uma “correção de velhos pecados nacionais”. Ele pediu publicamente uma ocupação permanente da região. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, já havia pressionado Netanyahu no sábado para ir além, sugerindo “achatar” partes de Beirute. Fawaz Gerges, professor de relações internacionais na London School of Economics, alertou para o risco de Israel se envolver em uma “guerra eterna” no Líbano, mesmo com a capacidade de ocupar uma “faixa massiva” de território.

Cenário Regional e Impacto Humanitário

O conflito israelense no Líbano configura-se como o mais letal desdobramento da guerra com o Irã. Mais de 1,2 milhão de libaneses foram deslocados por ataques israelenses e ordens de evacuação desde 2 de março. A situação se agravou após o Hezbollah disparar contra Israel em apoio ao aliado Teerã.

Alguns dos deslocados retornaram para casa após o cessar-fogo inicial, mas Israel continuou a emitir ordens de evacuação. Ataques israelenses no Líbano mataram mais de 3.350 pessoas, conforme dados do Ministério da Saúde libanês. Israel reporta a morte de 25 de seus soldados e 2 civis em ou perto do sul do Líbano no mesmo período. Dois civis também perderam a vida no norte de Israel.

Negociações de Cessar-Fogo e Pressões Internacionais

O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, declarou na sexta-feira que “nada pode justificar” os ataques de Israel contra o país. A declaração veio após a IDF bombardear Tiro, a quarta maior cidade do Líbano, em uma onda de ataques no sul que matou ao menos 14 pessoas. Salam classificou os ataques contínuos, as ameaças e as ordens de evacuação como “punição coletiva”, condenada por todas as normas e leis internacionais.

A violência no Líbano coincide com as negociações entre os Estados Unidos e o Irã para estender o cessar-fogo na guerra em andamento entre as duas nações. O Irã condicionou qualquer cessar-fogo com os EUA ao fim do conflito no Líbano. Um alto funcionário árabe envolvido nas mediações disse que negociadores americanos e iranianos concordaram com os termos de um acordo de trégua dias atrás, mas ambas as partes atrasaram a finalização e o anúncio. Gerges alertou que a ofensiva mais ampla de Israel no Líbano ameaça “minar e torpedear” qualquer acordo entre os EUA e o Irã, salientando a necessidade de intervenção do presidente Donald Trump para pressionar Netanyahu.

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