Viúva de Jan Fedder encontra Peugeot original de “Das Boot” escondido em garagem de Hamburgo

Redação
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Viúva de Jan Fedder encontra Peugeot original de “Das Boot” escondido em garagem de Hamburgo

Marion Fedder descobriu por acaso um segredo que seu marido guardou durante quase cinco décadas. Por trás de um pesado portão de metal, em uma garagem no bairro de St. Pauli, em Hamburgo, estava escondido um acervo raro de adereços do filme “Das Boot” (1981), uma das maiores produções cinematográficas alemãs de todos os tempos. A viúva do ator Jan Fedder († 64, celebridade da série televisiva “Großstadtrevier”) encontrou a chave e revelou o tesouro ao jornal alemão BILD, encerrando um dos últimos segredos do artista que faleceu em 2019.

O esconderijo continha objetos de inestimável valor histórico para o cinema europeu. Entre os itens estava o Peugeot 402 original, um modelo pré-guerra extremamente raro, que aparece na cena final do filme durante o bombardeio. Fedder havia mandado transportar o carro de La Rochelle, na França, para Hamburgo após o término das filmagens. Também foram encontrados cronogramas de produção, plantas arquitetônicas do submarino fictício, o distintivo antigo da Wehrmacht que Fedder usava como contramestre Pilgrim, fotografias particulares do set e uma miniatura do “U 96”.

Filmagem em condições extremas moldou carreira do ator

“Das Boot” retrata a história do submarino alemão “U 96” durante a Batalha do Atlântico, no outono de 1941. A produção foi um empreendimento gigantesco para os padrões da época. O submarino foi construído especificamente para as cenas, e as gravações duraram dois anos com 20 atores permanentemente confinados em um espaço extremamente reduzido. O longa foi indicado a seis Oscars e consolidou a carreira de seus intérpretes.

Fedder participou como contramestre Pilgrim, um de seus primeiros papéis importantes no cinema. Outros grandes nomes da cinematografia alemã também marcaram presença: Jürgen Prochnow (84), então com 40 anos, no papel do Comandante “O Velho”; Herbert Grönemeyer (70), ator e cantor, aos 25 anos; e Heinz Hoenig (74). Todos enfrentaram o desafio físico de trabalhar dentro de um submarino artificial onde ondas eram constantemente criadas através de uma enorme gangorra nos Estúdios de Cinema da Baviera.

Marion Fedder revelou em seu depoimento a dedicação do marido durante aquele período de filmagens. “As gravações foram muito cansativas. O confinamento constante era físico e psicologicamente exigente.” O ator tinha muito orgulho de ter participado daquele projeto histórico e frequentemente conversava sobre a experiência com sua esposa, embora ela desconhecesse o paradeiro exato dos memorabilia que ele havia coletado.

Der Schlüssel zur Garage war verschwunden, jahrelang. Doch dann öffnete die Witwe des Hamburger Schauspielers Jan Fedder sie schließlich doch. Und fand einen Schatz aus dem Filmklassiker »Das Boot«. https://t.co/oiShUiuNnv

— DER SPIEGEL (@derspiegel) April 29, 2026

Tesouro oculto em garagens de St. Pauli por quase 50 anos

Até sua morte em 2019, Jan Fedder utilizou diversas garagens no bairro hamburguês de St. Pauli para guardar seus pertences. Uma delas permanecia trancada; vizinhos e amigos presumiam pertencer a outro inquilino. Ninguém desconfiava de sua verdadeira função: abrigar um acervo inestimável ligado a uma das produções mais importantes da história cinematográfica alemã. Apenas Marion possuía a chave, que estava desaparecida até o momento da descoberta.

A razão pela qual Fedder manteve o local em segredo permanece um mistério. Possivelmente, o ator considerava aqueles itens como relíquias pessoais demais para serem exibidas publicamente. Ou talvez simplesmente houvesse esquecido o local com o passar dos anos. O fato é que a existência do esconderijo permaneceu conhecida somente por Marion, que guardou o segredo até agora.

A garagem continha não apenas peças de cenário ou adereços simples, mas documentos originais das filmagens. Os cronogramas detalhavam cada dia de produção durante aqueles dois anos intensos. As plantas arquitetônicas do submarino representavam um trabalho de engenharia e design impressionante. As fotografias particulares mostravam momentos entre takes, capturando a camaradagem entre atores como Wennemann (falecido aos 59), Fedder e Grönemeyer em seus dias mais jovens.

Preservação da história cinematográfica para futuras gerações

Marion expressou seu desejo de restaurar o Peugeot 402 à sua condição original de filmagem. Durante o processo de jateamento de areia realizado após o encerramento das gravações, o veículo perdeu sua pintura cinza de camuflagem militar, adquirindo uma tonalidade mais clara. A viúva está determinada a reverter esse efeito, retornando o carro ao seu estado histórico autêntico.

“Esta peça da história do cinema deve ser preservada para a posteridade”, afirmou Marion ao BILD. Sua intenção vai além de simplesmente restaurar um automóvel antigo. Trata-se de salvaguardar um fragmento tangível de um momento crucial na produção cinematográfica europeia. O Peugeot não era mero cenário: era um personagem silencioso na narrativa final do filme, presente na sequência de bombardeio que marca o desfecho dramático da trama.

A descoberta do acervo de Fedder abre novas possibilidades para historiadores do cinema e pesquisadores interessados nos bastidores de “Das Boot”. Documentos de produção raramente sobrevivem de forma tão completa. Plantas arquitetônicas originais, cronogramas manuscritos e fotografias em primeira mão fornecerão insights valiosos sobre as técnicas de filmagem e a logística de uma mega-produção dos anos 1980.

O Peugeot restaurado, quando exposto em museus ou coleções cinematográficas, funcionará como evidência física do trabalho realizado por centenas de profissionais envolvidos no projeto. Cada arranho em sua carroceria, cada detalhe de sua mecânica, conta uma história de dedicação artística e inovação técnica.

A morte de Jan Fedder em 2019 deixou uma lacuna na memória cultural alemã. Como estrela de “Großstadtrevier” durante décadas, conquistou gerações de telespectadores. Mas seu legado também repousa em produções como “Das Boot”, trabalho que transcendeu fronteiras nacionais e permanece estudado em escolas de cinema do mundo todo. A revelação deste acervo secreto reforça a importância de sua contribuição artística e oferece uma chance de reconectar público contemporâneo com aquele período dourado do cinema europeu.

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