O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (1°) que aumentará as tarifas sobre carros e caminhões da União Europeia para 25%, afirmando que a UE não cumpriu seu acordo comercial que foi firmado no ano passado.
“Com base no fato de que a União Europeia não está cumprindo nosso acordo comercial totalmente fechado, na próxima semana aumentarei as tarifas cobradas da União Europeia para carros e caminhões que entram nos Estados Unidos”, escreveu ele em uma postagem em sua rede social Truth Social.
Em setembro do ano passado, as duas partes assinaram acordo que previa uma tarifa de 15% dos EUA sobre a maioria das importações da UE, incluindo automóveis, produtos farmacêuticos, semicondutores e madeira, seguindo um acerto prévio em 27 de julho.
Em uma declaração conjunta de três páginas e meia, os dois lados listaram os compromissos assumidos, incluindo a promessa da UE de eliminar as tarifas sobre todos os produtos industriais dos EUA e de fornecer acesso preferencial ao mercado para uma ampla gama de frutos do mar e produtos agrícolas norte-americanos.
Porém os norte-americanos mostraram insatisfação com a lentidão dos europeus para implementarem a sua parte. Após o anúncio de setembro, Trump ameaçou tarifas a oito países europeus que se opunham aos EUA indexarem a Groenlândia, taxar em 200% os vinhos franceses pelo país não ter aceitado integrar o Comitê da Paz criado pelo presidente dos EUA e investigar países por “comércio desleal”.
A cada ameaça, os europeus prometiam uma “resposta unida” e o governo francês cogitava retaliar os norte-americanos. Ao mesmo tempo, a UE anunciou acordos com a Índia e com a Austrália, além de colocar em funcionamento o tratado com o Mercosul a partir desta sexta-feira.
Trump voltou a pressionar os europeus com o aumento da tarifa anunciado nesta sexta, mas ressaltou que pode recuar se uma condição for atendida. “Está totalmente entendido e acordado que, se eles produzirem carros e caminhões nas fábricas dos EUA, não haverá nenhuma tarifa”, disse.
Sigrid de Vries, diretora-geral da Acea, associação europeia da indústria automobilística, recusou-se a comentar ao Financial Times as declarações de Trump, mas avaliou o impacto de novas tarifas sobre o setor.
Folha Mercado
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.
“O retorno às tarifas de 27,5% e uma disputa comercial sem prazo definido seriam profundamente prejudiciais para os fabricantes de automóveis europeus, seus trabalhadores e a economia da UE em geral”, destacou.
A escalada das tensões comerciais ocorre em um momento em que Washington busca persuadir aliados, inclusive na Europa, a trabalharem em conjunto para garantir as cadeias de suprimentos de minerais críticos e reduzir a dependência da China, além de incitarem os países a formarem uma coalizão para liberar o tráfego no estreito de Hormuz.


