Suspeita é de possível conflito de interesses e eventual vantagem indevida, uma vez que o aprovado para o cargo de administrador já atuou no Instituto Verbena, responsável pelo certame
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A Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) recomendou a suspensão imediata do concurso público da Câmara Municipal de Goiânia para o cargo de administrador. A medida foi tomada por suspeitas de irregularidades envolvendo o candidato aprovado em primeiro lugar, Luã Lírio de Souza Cruz, uma vez que ele teria vínculos com a banca responsável pelo certame, realizado no último mês. Esta recomendação foi feita ao conselheiro Humberto Aidar, que vai analisar a demanda.
Conforme o Ministério Público de Goiás (MP-GO), que apura o caso, a suspeita é de possível conflito de interesses e eventual vantagem indevida. Isto porque o candidato aprovado para o cargo de administrador já atuou no Instituto Verbena, instituição ligada à Universidade Federal de Goiás (UFG) e responsável pelo concurso.
De acordo com informações apuradas, o candidato é servidor da UFG e foi cedido à Defensoria Pública da União (DPU) em janeiro de 2025, antes do início da organização do concurso. Ainda assim, registros indicam que ele participou de atividades ligadas ao instituto meses depois, inclusive dias antes da realização da prova.
Ao Mais Goiás, a Câmara de Goiânia informou que não houve notificação. O portal também tenta contato com o instituto Verbena para uma posição sobre a recomendação. O veículo de comunicação não localizou o candidato. Caso haja interesse, o espaço segue aberto.

Concurso
O exame foi aplicado em 15 de março, com oferta de 62 vagas e salários superiores a R$ 10 mil. Cerca de 34 mil candidatos participaram do processo seletivo.
À época em que o caso foi revelado, o Instituto Verbena informou que o próprio candidato comunicou previamente um possível conflito de interesses e, por isso, foi afastado de qualquer atividade relacionada ao concurso. A banca informou ainda que os acessos dele aos sistemas foram bloqueados e uma auditoria interna não identificou participação direta na organização dessa prova específica.
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A Câmara Municipal de Goiânia, por sua vez, disse, por meio de nota, naquele momento, que encaminhou o caso ao Ministério Público e solicitou providências para apuração. Já a Universidade Federal de Goiás declarou que também vai investigar a situação e poderá adotar medidas administrativas, caso sejam confirmadas irregularidades.
Se forem comprovadas fraudes no processo, o MP pode pedir a anulação do concurso, mas, até o momento, o concurso permanece válido.


