A Justiça Federal de São Paulo revogou nesta segunda-feira (14) a decisão sobre entregar a Taça das Bolinhas ao São Paulo. A medida foi tomada depois que o Flamengo entrou com um recurso, alegando ser dele a posse do troféu. Desse modo, a 12ª Vara Cível Federal de São Paulo definiu que a deliberação sobre a entrega da taça deve ser feita pela Justiça do Rio de Janeiro.
A Taça das Bolinhas, originalmente nomeado como Troféu Copa Brasil, foi criada em 1975 pela antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD), com oferecimento da Caixa Econômica Federal. A taça foi desenhado pelo artista plástico Maurício Salgueiro, mede 60 centímetros de altura e pesa aproximadamente 5,6 kg, formada por 156 esferas (bolinhas) de prata dispostas em 13 níveis sobre uma base de madeira (jacarandá), culminando em uma esfera central de ouro.
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Pois bem. O objetivo era homenagear o primeiro clube brasileiro que conquistasse o Campeonato Brasileiro três vezes de forma consecutiva ou cinco vezes de maneira alternada a partir daquele ano. A disputa pelo reconhecimento de quem atingiu o feito primeiro é o grande imbróglio que envolve o troféu.

De um lado, o Flamengo acredita ser ele o clube detentor da taça por ter conquistado o torneio nos anos de 1980, 1982, 1983, 1987 e 1992, ou seja, o primeiro pentacampeão nacional. Por outro lado, a CBF entendeu que o primeiro clube a cumprir os requisitos foi o São Paulo, ao conquistar seu quinto título brasileiro em 2007, depois de ter erguido os troféus em 1977, 1986, 1991 e 2006.
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O Campeonato Brasileiro de 1987
Isso porque no Campeonato Brasileiro de 1987 a entidade reconheceu como campeão o Sport, já que o clube pernambucano cumpriu o regulamento e disputou os jogos finais do cruzamento entre os Módulos Verde (composto por Flamengo e Internacional) e Amarelo (composto por Sport e Guarani).
Mas o que são esses módulos? À época, Flamengo e Internacional disputavam a Copa União, um campeonato brasileiro organizado pelos times do Clube dos 13, União dos Grandes Clubes do Futebol Brasileiro, formado por Atlético Mineiro, Bahia, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco da Gama. O torneio foi criado devido à crise financeira e administrativa da CBF que se arrastava desde o Brasileiro de 1986. A entidade máxima declarou então não ter condições de organizar o Campeonato Brasileiro do ano seguinte, ou seja, de 1987, por falta de recursos.
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Com o sucesso da Copa União, como ficou chamado o Campeonato Brasileiro criado pelo Clube dos 13, e que atraiu público e patrocínio, a entidade máxima do futebol brasileiro definiu que não ficaria de fora da organização da principal competição do país, decidindo intervir e integrar o torneio criado pelos grandes clubes ao calendário oficial do Campeonato Brasileiro de 1987.
O cruzamento entre os times do Módulo Verde (Copa União) e do Módulo Amarelo (composto por América-RJ, Athletico-PR, Atlético-GO, Bangu-RJ, Ceará-CE, Criciúma-SC, CSA-AL, Guarani-SP, Inter de Limeira-SP, Joinville-SC, Náutico-PE, Portuguesa-SP, Rio Branco-ES, Sport-PE, Treze-PB e Vitória-BA) foi definido em um acordo na sede da CBF. Eurico Miranda, dirigente do Vasco, assinou o regulamento em nome do Clube dos 13, estabelecendo que os dois melhores de cada módulo disputariam um quadrangular final para definir o campeão.
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O Clube dos 13, representado na reunião com a CBF por Eurico Miranda, porém, não concordou com a alteração. Flamengo e Internacional, finalistas, recusaram-se a disputar o cruzamento sob o argumento de que ele feria o acordo original da Copa União. O Sport e o Guarani seguiram o regulamento, e os pernambucanos foram declarados campeões daquele ano pela CBF. Desde então, a briga pelo reconhecimento do título nacional de 1987 se arrasta pelos tribunais
Reviravolta
Em 2011, porém, a CBF voltou atrás e reconheceu o Flamengo como campeão de 1987. No entanto, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018 fez do Sport o único campeão do ano. Desta forma, o São Paulo seria o primeiro pentacampeão após o título do Brasileirão 2007. Desde então, o posicionamento da CBF sobre o assunto se mantém. O tricolor paulista chegou a receber a Taça das Bolinhas em fevereiro de 2011. Porém, logo no mês seguinte, após uma liminar e decisões judiciais que atenderam a um recurso do Flamengo, o troféu foi devolvido à Caixa.

No Flamengo, contudo, a batalha judicial em torno do tema está longe de um fim. Com a revogação da entrega da Taça das Bolinhas pela Justiça de São Paulo, o Flamengo agora aguarda a decisão da Justiça Fluminense. O rubro-negro emitiu uma nota no início da manhã desta terça-feira (14), dizendo que “segue confiante no reconhecimento definitivo de seus direitos sobre o troféu”.
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Até esta publicação, nem o São Paulo e nem o Sport se manifestaram sobre a decisão da justiça paulista. O espaço segue aberto.
Confira a nota do Flamengo na íntegra a seguir
“O Clube de Regatas do Flamengo informa que a decisão da Justiça Federal de São Paulo que determinava a entrega da “Taça das Bolinhas” ao São Paulo Futebol Clube foi reconsiderada nesta segunda-feira (13/07), após recurso interposto pelo Flamengo.
Ao reexaminar o caso, a 12ª Vara Cível Federal de São Paulo revogou a ordem de entrega do troféu e indeferiu o pedido do São Paulo, reconhecendo que a competência para decidir sobre a destinação da Taça é da Justiça do Rio de Janeiro.
A Taça das Bolinhas permanece, portanto, sob depósito da Caixa Econômica Federal, exatamente como determinado pela Justiça fluminense. O Flamengo segue confiante no reconhecimento definitivo de seus direitos sobre o troféu.”





