STJ reconhece união de mulheres goianas que viveram amor em sigilo por mais de 30 anos 

Redação
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STJ reconhece união de mulheres goianas que viveram amor em sigilo por mais de 30 anos 

Falta de publicidade não anula a relação, conforme a ministra

Justiça reconhece união de mulheres goianas que viveram amor em sigilo por mais de 30 anos 

Justiça reconhece união de mulheres goianas que viveram amor em sigilo por mais de 30 anos (Foto: Magnific)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a união estável de um casal de mulheres de Itauçu, que viveu sob sigilo até a morte de uma delas, em 2020. A Folha de S.Paulo revelou no fim de semana a decisão de 4 de novembro de 2025.

“Negar o reconhecimento de união estável homoafetiva em razão da ausência de publicidade do relacionamento, quando evidente a convivência contínua e duradoura como uma verdadeira família, seria inviabilizar uma camada da sociedade já estigmatizada, que muitas vezes recorre à discrição como forma de sobrevivência”, entendeu a ministra relatora do STJ, Nancy Andrighi, que negou recurso especial de familiares da falecida em decisão à qual o Mais Goiás teve acesso. O entendimento foi unânime.

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Ela ainda afirmou que é possível relativizar a publicidade para a configuração de união estável homoafetiva, desde que estejam presentes outros requisitos. “No recurso sob julgamento, a comunhão de vida e de interesses das conviventes restou comprovada desde a origem. Assim, considerando se tratar de união estável havida entre duas mulheres, oriundas de cidade do interior de Goiás, por mais de trinta anos, o requisito da publicidade deve ser relativizado, em razão das circunstâncias da época e do meio social em que viviam”, completou.

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(Foto: Agência Brasil)

Consta nos autos que as mulheres mantiveram relacionamento de 1989 a 2020 e optaram por discrição devido ao município do interior – menos de 8 mil habitantes – e devido às famílias tradicionais. Uma delas, contudo, faleceu em decorrência de um câncer, o que deu início a um processo judicial em janeiro de 2021, pois a família da falecida não aceitou a união estável.

No processo, que correu sob sigilo, o juiz de primeiro grau não reconheceu a relação por falta de publicidade. Já o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) reformou a decisão, contestada por três irmãos e seis sobrinhos da mulher que morreu até chegar no STJ.

Elas viviam em Goiânia e, mesmo com as visitas, a relação era mantida em segredo fora do núcleo familiar.

O Mais Goiás procurou a defesa da viúva para mais detalhes. Caso haja retorno, esta matéria será atualizada.

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