Salário-mínimo de R$ 1.518 é cinco vezes menor que o ideal, aponta estudo

Redação
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Salário-mínimo de R$ 1.518 é cinco vezes menor que o ideal, aponta estudo
salário mínimo

salário mínimo – Foto: rafastockbr/Shutterstock.com

O salário-mínimo no Brasil, atualmente em R$ 1.518, está quase cinco vezes abaixo do valor necessário para cobrir despesas essenciais, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em setembro de 2025, o valor ideal para garantir moradia, alimentação, transporte e outras necessidades básicas foi calculado em R$ 7.075,83. O estudo considera os preços da cesta básica e o custo de vida em grandes centros urbanos. A disparidade reflete desafios econômicos enfrentados por trabalhadores formais.

O cálculo do Dieese é baseado em uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. O valor estimado inclui gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, higiene e lazer. Em abril de 2025, o salário-mínimo necessário atingiu o pico de R$ 7.638,62. Essa diferença histórica entre o valor pago e o ideal persiste desde 1994.

  • Cesta básica: Composta por itens como arroz, feijão, carne, leite e outros alimentos essenciais.
  • Custo de vida: Inclui aluguel, contas de água, luz, transporte público e despesas com saúde.
  • Ajuste anual: O salário-mínimo é corrigido com base no INPC e no PIB, mas não acompanha o custo real.

Ajustes insuficientes do salário-mínimo

O governo utiliza o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para ajustar o salário-mínimo anualmente. No entanto, esses indicadores não refletem o aumento real dos custos de vida, especialmente em cidades onde o aluguel e a alimentação consomem grande parte da renda.

Em 2024, o salário-mínimo necessário já era de R$ 7.067,68 em dezembro, mostrando uma tendência de alta contínua desde 2022, quando o valor girava em torno de R$ 6 mil.

Impacto da cesta básica nos cálculos

A cesta básica é o principal fator que eleva o salário-mínimo necessário. Em setembro de 2025, os preços de alimentos como carne, arroz e feijão registraram aumentos significativos.

O Dieese monitora 17 capitais brasileiras para calcular o custo médio da cesta básica.

Em algumas cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, os valores são ainda mais altos devido ao custo elevado de moradia e transporte.

O estudo também considera variações sazonais, como a alta de preços em abril, influenciada por fatores climáticos e logísticos.

Salário mínimo, dinheiro
Salário mínimo, dinheiro – Foto: Leonidas Santana/ Istockphoto.com

Histórico de disparidades

Desde 1994, o salário-mínimo necessário sempre foi pelo menos o dobro do valor estabelecido pelo governo. Em 2022, o valor ideal já superava R$ 6 mil, enquanto o salário-mínimo oficial era de R$ 1.212.

Essa diferença impacta diretamente o poder de compra dos trabalhadores.

O custo de vida em centros urbanos, como aluguel e transporte, agrava a situação.

Em 2025, a alta acumulada do aluguel residencial, de 7,4% até setembro, segundo o índice FipeZAP, também pressiona o orçamento.

Realidade dos trabalhadores formais

O salário-mínimo de R$ 1.518 cobre menos de 20% do valor necessário para uma vida digna, segundo o Dieese. Isso força muitas famílias a complementarem a renda com trabalhos informais ou benefícios sociais.

A situação é mais crítica em regiões metropolitanas, onde o custo de vida é mais elevado.

Pressão econômica e inflação

O aumento constante dos preços de itens essenciais, como alimentos e combustíveis, contribui para a defasagem do salário-mínimo. O INPC, usado para o reajuste, não capta integralmente essas variações. A inflação acumulada em 2025, especialmente no setor alimentício, reforça a necessidade de revisões mais amplas na política de reajuste.

Comparação com anos anteriores

Em 2023, o salário-mínimo necessário já era cerca de quatro vezes maior que o valor oficial. A tendência de alta continuou em 2024 e 2025, com picos sazonais em meses como abril. A defasagem histórica reflete a dificuldade de alinhar o salário-mínimo ao custo real de vida no Brasil, especialmente em períodos de alta inflacionária.

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