CCJ da Câmara adia discussão sobre maioridade penal de 18 para 16 anos

Redação
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CCJ da Câmara adia discussão sobre maioridade penal de 18 para 16 anos

Redução da maioridade penal é um tema que gera intensos debates no Brasil. Nesta terça-feira (9/6), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. A discussão será retomada nesta quarta-feira (10/6), prometendo mais debates acalorados.

Manobras e Opiniões Divergentes

A base governista utilizou manobras regimentais para obstruir a votação da proposta. A deputada federal Talíria Petrone (PSol-RJ) apresentou um voto em separado, expressando sua oposição ao texto. Em seu documento, ela argumenta que a redução da maioridade penal para 16 anos representa uma diminuição “severa do núcleo fundamental de todos os direitos fundamentais”, como o direito à liberdade, ao devido processo legal, à dignidade da pessoa humana e ao livre desenvolvimento da personalidade.

Durante a discussão, o deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSol-RJ) também criticou a proposta, afirmando que a PEC não oferece soluções concretas para os problemas de segurança pública. Ele destacou que “não há um indicador que nos ajude no sentido de que reduzir a maioridade penal vai melhorar os indicadores de segurança e proteger a vida das pessoas. Não há evidência para isso. Essa PEC não resolve o problema”.

O Relatório e suas Implicações

O relatório do deputado federal Coronel Assis (União Brasil-MT) rejeitou a parte da PEC original, que propunha a antecipação da maioridade civil para 16 anos, incluindo a obrigatoriedade do voto nessa faixa etária e a redução da idade mínima para disputar cargos públicos. O texto foi apensado a outras duas PECs: a 8/2026, que propunha a responsabilização penal de adolescentes em casos especiais, como crimes hediondos e de extrema crueldade, e a 9/2026, que visava responsabilizar adolescentes de 12 a 16 anos em crimes graves.

Embora tenha considerado as três propostas admissíveis, o relator manifestou preferência por um modelo semelhante ao aprovado pela Câmara em 2015 durante a tramitação da PEC 171/1993. A proposta mantém a regra atual, segundo a qual menores de 18 anos não podem ser responsabilizados criminalmente como adultos. No entanto, cria uma exceção para adolescentes a partir de 16 anos que cometam crimes hediondos, homicídio doloso (quando há intenção de matar) ou lesão corporal seguida de morte.

Impactos e Perspectivas

A discussão sobre a redução da maioridade penal levanta questões sobre os direitos dos adolescentes e a eficácia de tal medida na melhoria da segurança pública. Especialistas e organizações de direitos humanos frequentemente argumentam que a solução para a criminalidade juvenil deve passar por investimentos em educação e políticas sociais, ao invés de mudanças punitivas na legislação penal.

Para mais informações sobre o andamento das discussões, você pode acompanhar as atualizações na Agência Brasil e no Senado Notícias.

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