Professora explica por que Parthenon Center é uma joia da arquitetura de Goiânia: ‘obra emblemática’

Redação
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Professora explica por que Parthenon Center é uma joia da arquitetura de Goiânia: ‘obra emblemática’

O Parthenon Center deve ser reconhecido como patrimônio da arquitetura moderna de Goiânia, apesar de ainda não possuir tombamento. A avaliação é da arquiteta e urbanista Maria Ester de Souza, doutora em Geografia Urbana e pesquisadora do INCT Observatório das Metrópoles, no Núcleo Goiânia.

Em entrevista ao Mais Goiás, ela afirma que o edifício é um marco por reunir características do modernismo e um programa considerado avançado para a década de 1970. “O Parthenon Center pode, sim, ser considerado um edifício emblemático. Além de ter uma arquitetura muito bem organizada, ele apresenta as linhas da arquitetura moderna e um programa avançado para a década de 1970”, diz.

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A manifestação da pesquisadora amplia o debate iniciado na reportagem sobre a história do edifício, construído no Setor Central e marcado pela combinação de estacionamento, escritórios, comércio e serviços. Segundo Maria Ester, o Parthenon antecipou um modelo hoje chamado de multifuncional. “Esse pensamento de edifício-garagem e edifício de escritórios é o que chamamos hoje de multifuncional. Ele só não tem moradia. Nessa localização, é um edifício muito privilegiado”, pontua.

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Projeto respondia ao crescimento de Goiânia

Maria Ester de Souza, arquiteta e urbanista, doutora em Geografia Urbana e pesquisadora do INCT Observatório das Metrópoles, no Núcleo Goiânia. Crédito: Acervo pessoal.
Maria Ester de Souza, arquiteta e urbanista, doutora em Geografia Urbana e pesquisadora do INCT Observatório das Metrópoles, no Núcleo Goiânia. Crédito: Acervo pessoal.

O prédio foi planejado em um período de expansão populacional e econômica da capital. Entre as décadas de 1950 e 1970, Goiânia ampliou sua população, seus serviços e sua participação regional. Maria Ester relaciona esse processo à construção e à inauguração de Brasília, que provocaram deslocamentos populacionais e aumentaram a demanda por mão de obra e serviços no Centro-Oeste.

“Na época em que ele foi planejado, previa-se um aumento das atividades comerciais e de serviços. A cidade havia passado por uma explosão no número de habitantes entre as décadas de 1950 e 1960, quando ocorreu a inauguração de Brasília”, pontua.

Segundo a pesquisadora, Goiânia passou a exercer uma função complementar à nova capital federal. “Muitos dos serviços e parte da mão de obra necessários para Brasília poderiam ser instalados aqui. Naquele momento, o Parthenon era o que havia de mais moderno e necessário, principalmente por estar no Setor Central”, detalha.

O edifício traduzia uma cidade em expansão, com aumento do número de automóveis e maior procura por escritórios, comércio e prestação de serviços.

Rampas são destaque técnico do edifício

Rampa helicoidal do estacionamento do Parthenon Center, uma das soluções arquitetônicas mais complexas do edifício modernista inaugurado na década de 1970, no Centro de Goiânia. Crédito: Reprodução/TikTok.
Rampa helicoidal do estacionamento do Parthenon Center, uma das soluções arquitetônicas mais complexas do edifício modernista inaugurado na década de 1970, no Centro de Goiânia. Crédito: Reprodução/TikTok.

Entre as principais soluções arquitetônicas do Parthenon Center, Maria Ester destaca as rampas de acesso ao estacionamento. A entrada e a saída foram construídas uma sobre a outra, mas funcionam de forma independente. Para a pesquisadora, a solução demonstra a complexidade técnica do projeto.

“Se existe uma coisa dificílima de desenhar e que está resolvida ali é a rampa. A entrada e a saída dos carros ficam uma sobre a outra, mas não são a mesma rampa”, explica.

O projeto foi elaborado antes da utilização de programas digitais de arquitetura e modelagem. “Naquela época, o desenho foi feito à mão. Isso mostra a importância de manter não apenas o edifício, mas também a documentação e os desenhos originais”, destaca a especialista.

Para ela, as plantas e os registros técnicos também possuem valor histórico e devem ser preservados. Os documentos permitem compreender como os arquitetos resolveram a circulação de veículos e a integração entre os diferentes usos do prédio.

Prédio não possui tombamento

Apesar da relevância arquitetônica, o Parthenon Center não é tombado como patrimônio histórico ou cultural. Maria Ester afirma que construções modernistas ainda enfrentam dificuldade para obter reconhecimento formal. “O edifício pode e deve ser considerado patrimônio da arquitetura moderna construída em Goiânia. Ele não é tombado, e é muito difícil tombar um prédio modernista porque a nossa cultura ainda reconhece pouco esse tipo de construção como patrimônio”, justifica.

Segundo ela, o mesmo problema atinge outras edificações modernas da capital. Como exemplo, a arquiteta cita as dificuldades enfrentadas no debate sobre a preservação do antigo Jóquei Clube de Goiás.

O tombamento poderia proteger elementos como a estrutura, as rampas, a volumetria, as fachadas e os desenhos originais. Isso não impediria o uso do imóvel, mas estabeleceria critérios para evitar alterações que eliminassem características fundamentais do projeto.

Falta de área permeável seria problema atualmente

Embora defenda a importância do edifício, a pesquisadora aponta uma limitação do projeto quando analisado pelos critérios urbanísticos atuais. O prédio ocupa praticamente todo o terreno e possui pouca ou nenhuma área permeável.

“A única coisa que ele hoje não atenderia, em relação aos critérios de um bom edifício na cidade, seria um mínimo de área permeável. Ele cimenta 100% da área que ocupa’, explica.

A ausência de solo permeável aumenta o escoamento da água da chuva e exerce maior pressão sobre o sistema de drenagem urbana. Para Maria Ester, essa característica não reduz o valor arquitetônico do Parthenon, mas revela as prioridades urbanísticas da década de 1970. Naquele período, os projetos privilegiavam o aproveitamento da área construída, o estacionamento e a circulação de automóveis.

Edifício permanece como marco do modernismo

Inaugurado em 1976, o Parthenon Center ocupa um quarteirão do Setor Central e representa uma das fases da arquitetura moderna de Goiânia. ( Reprodução)
Inaugurado em 1976, o Parthenon Center ocupa um quarteirão do Setor Central e representa uma das fases da arquitetura moderna de Goiânia. ( Reprodução)

Mesmo sem tombamento, o Parthenon Center continua sendo uma referência da arquitetura moderna em Goiânia.

Para Maria Ester, o prédio reúne valor histórico, urbanístico e técnico. Além de representar uma fase de crescimento da capital, conserva soluções que documentam a maneira como arquitetos e urbanistas pensavam a cidade na década de 1970. “O modelo de cidade modernista daquela época tinha exatamente essa cara e esse perfil. Por isso, ele é um edifício-marco”, pontua.

A pesquisadora defende que a discussão sobre o futuro do Parthenon não se limite à conservação da fachada. Para ela, preservar o imóvel também significa proteger sua estrutura, suas soluções de circulação e a documentação usada na elaboração do projeto.“O edifício deve, sim, ser considerado patrimônio da arquitetura moderna construída em Goiânia”, detalha.

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