
Drone marítimo – bbsferrari/ Istockphoto.com
Um inédito salvamento aéreo-marítimo ocorreu no início desta semana, quando um drone marítimo foi mobilizado para socorrer dois membros da tripulação de um helicóptero do Exército dos Estados Unidos. A aeronave havia caído no litoral de Omã, e o incidente marca a primeira vez que uma embarcação não tripulada é publicamente conhecida por ser empregada em uma missão de resgate. O presidente dos EUA, Donald Trump, atribuiu o abate do helicóptero Apache ao Irã, em uma área próxima ao estreito de Ormuz, que permanece em grande parte restrito à navegação desde o início do conflito com o país persa.
O Comando Central dos EUA (Centcom) comunicou que os dois militares foram resgatados com segurança em um período de aproximadamente duas horas e se encontram em condição estável.
A equipe da BBC Verify analisou os detalhes conhecidos sobre o drone marítimo e a complexa operação de salvamento.
O veículo marítimo não tripulado utilizado pelos EUA
O Centcom confirmou que a embarcação empregada no resgate foi um drone batizado de “Corsair”, produzido por uma empresa de tecnologia marítima autônoma com sede no Texas.
As especificações no site da fabricante indicam que o Corsair possui 7,3 metros de comprimento, tem capacidade de carga de 450 quilos e consegue atingir velocidades superiores a 64 quilômetros por hora.
Um vídeo promocional divulgado pela Saronic, a empresa responsável pelo desenvolvimento do drone marítimo Corsair, demonstra as capacidades da embarcação.
Bryan Clark, um especialista em drones marítimos do centro de estudos Hudson Institute, descreve o Corsair como tendo o tamanho aproximado de um barco de pesca, com um convés plano. Ele foi concebido para transporte de carga, o que o tornaria apto a acomodar entre três e quatro pessoas.
Clark ainda detalha que o drone é equipado com uma câmera de 360 graus, um sistema de radar para navegação de longo alcance e um sensor de radiofrequência, apto a captar comunicações para fins de inteligência.
Stacie Pettyjohn, especialista militar dos EUA no Center for a New Security, mencionou que a embarcação Corsair já está em operação há alguns anos, com a Marinha dos EUA possuindo cerca de 50 unidades.
Essas embarcações são usualmente empregadas para detecção de minas ou vigilância, mas a Marinha continua testando a frota no estreito para explorar outras funcionalidades.
O drone marítimo é operado pela Força-Tarefa 59, a primeira unidade da Marinha dos EUA dedicada exclusivamente a sistemas não tripulados, estabelecida em 2021. Sua implantação no Oriente Médio começou em março. Essa iniciativa faz parte do plano do Pentágono para expandir o uso de drones, e a Marinha concedeu à fabricante do Corsair um contrato de produção de US$ 392 milhões para seus veículos autônomos no ano passado.
Detalhes da complexa operação de resgate
Apesar da capacidade de operação autônoma do drone marítimo, os dois especialistas consultados pela BBC Verify sugerem que o controle durante o resgate provavelmente foi feito manualmente.
Clark explicou que, nesta missão específica, a embarcação foi provavelmente controlada remotamente por uma pessoa usando um joystick, para assegurar que alcançasse o local exato onde a tripulação estava.
Ele acrescentou que o drone foi direcionado para a posição dos militares, que simplesmente subiram a bordo, como fariam em qualquer outro barco no mar.
Pettyjohn apontou que o uso de um drone não tripulado é preferível a enviar um navio ou helicóptero tripulado, onde as pessoas poderiam se tornar alvos de tiros.
Ainda que o resgate não seja a função primária deste tipo de embarcação, ela se mostrou claramente adequada para uma missão considerada “suja” e perigosa como esta.
Os militares dos EUA foram retirados da água por volta das 3h30 da terça-feira, horário local, e transportados para outro ponto. Segundo o porta-voz do Centcom, capitão Tim Hawkins, eles foram posteriormente içados por um helicóptero.
Outras nações que empregam drones marítimos globalmente
Drones marítimos têm tido um uso crescente no conflito entre Ucrânia e Rússia, conforme noticiado anteriormente pela BBC Verify.
A Ucrânia tem equipado essas embarcações com explosivos para atacar navios militares russos, mas não há registros de seu uso em operações de resgate.
Clark observa que a maioria das embarcações ucranianas é menor, com dimensões mais próximas às de um jet ski, e não possui capacidade para transportar uma pessoa.
Uma imagem de um dos barcos drones da Ucrânia detalha a presença de um detonador na parte frontal, além de câmeras e explosivos próximos ao centro da embarcação.
Os rebeldes houthis do Iêmen também operam barcos drones conhecidos como “kamikazes”, enquanto o Irã tem utilizado embarcações não tripuladas no conflito atual para atacar navios que tentam atravessar o estreito de Ormuz.
Pettyjohn ressalta que, embora houthis e iranianos já possuíssem drones marítimos no passado, os ucranianos aprimoraram significativamente essa tecnologia e demonstraram seu potencial para outras nações.
Os drones marítimos dos EUA, em grande parte, tiveram seu desenvolvimento impulsionado pela guerra na Ucrânia e pelas inovações introduzidas nesse cenário.



