Prefeito de Rio Verde é multado por criar “fábrica de cargos” e burlar concurso público

Redação
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Prefeito de Rio Verde é multado por criar “fábrica de cargos” e burlar concurso público

Além de determinar demissões, Corte de Contas aplica multa ao prefeito Wellington Carrijo e coloca administração sob vigilância até 2027

Imagem do Paço

a gestão terá que apresentar um plano de demissões imediatas e a realização de um novo concurso (Foto: divulgação Prefeitura de Rio Verde)

Inglid Martins

Uma representação do Ministério Público de Contas revelou uma manobra administrativa em Rio Verde para abrigar apadrinhados políticos em funções que deveriam ser técnicas. O esquema, fundamentado em uma lei complementar de 2025, permitiu a abertura de 378 novas vagas comissionadas sem critérios claros de atuação, buscando inflar o quadro de assessores da Prefeitura. O prefeito Wellington Carrijo foi multado administrativamente e terá que apresentar um plano de desligamento de servidores comissionados.

A prática foi barrada pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO), que classificou a estratégia como um desvio de finalidade e uma afronta ao direito constitucional de acesso via concursos públicos. O relator do caso, conselheiro Francisco José Ramos, determinou que a gestão seja colocada sob vigilância rigorosa até 2027, impedindo que os contratos continuem ocupando espaços destinados a servidores efetivos.

O mecanismo da irregularidade

O cerne do problema, segundo o MP, está na Lei Complementar nº 400/2025, que desenhou uma pirâmide de cargos de confiança — incluindo 378 novas vagas para chefias e assessoramento — sem especificar quais seriam as competências técnicas exigidas. Segundo o parecer técnico acolhido pelo conselheiro Francisco José Ramos, essa indefinição permitia que o município contratasse livremente para funções operacionais e burocráticas, ignorando a regra do concurso. Ao todo, somando-se à estrutura herdada de anos anteriores, o órgão identificou mais de 500 postos sob suspeita de irregularidade.

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Intervenção e cronograma de demissões

O impacto da decisão vai além de uma simples correção legislativa. O tribunal estabeleceu uma fiscalização permanente sobre o Paço Municipal até o final de 2027, exigindo que a atual gestão interrompa qualquer nova nomeação para as funções questionadas. O prefeito Wellington Carrijo, também foi responsabilizado por permitir a prática considerada como “antieconômica”, recebeu uma multa administrativa e agora terá que apresentar um calendário para o desligamento desses funcionários junto a entidade.

Para evitar o colapso administrativo enquanto as demissões ocorrem, o município deverá criar, por meio de novos projetos de lei, vagas para servidores efetivos. O TCM deixou claro que a única saída para regularizar a situação é a abertura imediata de um concurso público para substituir a mão de obra comissionada por profissionais selecionados por mérito, pondo fim ao uso da folha de pagamento como ferramenta de articulação política.

O Mais Goiás entrou em contato com a Prefeitura de Rio Verde e com a assessoria do prefeito Wellington Carrijo para obter um posicionamento sobre a decisão do TCM-GO e as medidas que serão adotadas. Até o fechamento desta edição, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

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