A Petrobras anunciou um lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre deste ano. Esse valor representa um salto de 96,8% em comparação com os R$ 26,652 bilhões apurados no mesmo período do ano anterior. O resultado expressivo foi impulsionado tanto por um volume recorde na extração do pré-sal quanto pela elevação das cotações do barril de petróleo no mercado internacional, especialmente após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã no final de fevereiro, superando as projeções de analistas que giravam em torno de R$ 45 bilhões.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o lucro da estatal cresceu 37,6%, atingindo R$ 85,108 bilhões. A receita de vendas da companhia alcançou R$ 169,530 bilhões no segundo trimestre, o que significa um aumento de 42,3% em relação ao mesmo período do ano passado. No balanço semestral, a receita avançou 21%, totalizando R$ 293,216 bilhões.
A produção comercial total da Petrobras, segundo dados da própria empresa, atingiu uma média de 2,927 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) no segundo trimestre. Este volume representa uma alta de 14,3% em relação aos primeiros seis meses do ano anterior. No período de janeiro a junho, a produção média foi de 2,879 milhões de boe/d, com um crescimento de 15,5%.
Mais sobre o assunto: Ganhos da Shopify no segundo trimestre de 2026 superam projeções e animam o mercado
Com base nas informações divulgadas, o preço médio do barril do petróleo tipo Brent, que serve como referência global, foi de US$ 104,52 no segundo trimestre de 2026. Esse valor aponta para um aumento de 54,1% em comparação com os US$ 67,82 registrados no segundo trimestre de 2025. No primeiro trimestre deste ano, a cotação média do Brent havia sido de US$ 80,61 por barril.
Fernando Melgarejo, diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores da Petrobras, comentou sobre os resultados. “Os recordes operacionais que alcançamos neste segundo trimestre nos levaram a um dos maiores resultados financeiros trimestrais da série histórica da Petrobras. O aumento do volume de produção de óleo e de derivados, combinado ao Brent mais alto, fortaleceu nossa geração de caixa”, afirmou Melgarejo.
A empresa esclareceu em seu relatório que o lucro poderia ter sido ainda maior, mas foi impactado por despesas tributárias elevadas. Entre elas, estão os gastos com o imposto de exportação sobre petróleo bruto e óleo diesel, uma medida governamental que gerou críticas do setor, e que somaram R$ 4,872 bilhões. Além disso, houve menor ganho com a variação cambial, devido à menor valorização do real frente ao dólar, e perdas de R$ 812 milhões com a reversão de ativos (impairment).
A Petrobras atribuiu uma parcela significativa da sua receita à expansão das exportações no segundo trimestre. As vendas de petróleo, óleo combustível e derivados para o exterior tiveram um aumento de 40,8% entre abril e junho, com grande parte desses volumes sendo direcionada para nações da Europa e para a Índia. No semestre, o incremento das exportações foi de 43,6% em comparação com os primeiros seis meses de 2025.

As vendas totais de derivados da Petrobras para o mercado brasileiro também registraram crescimento no segundo trimestre. O volume comercializado aumentou 1,6% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado do semestre, a alta foi de 2,3%, atingindo 1,7 milhão de barris por dia.
Saiba mais: Nissan reverte prejuízo e registra lucro de 3,7 bilhões de ienes após dois anos
A estatal destacou que a valorização do petróleo e o aumento na produção foram os principais propulsores dos resultados nas áreas de exploração e produção, e também de refino. No segmento de exploração e produção, por exemplo, o lucro líquido alcançou R$ 41,592 bilhões no segundo trimestre, o que representa uma elevação de 85,2% em relação ao período homólogo de 2025.
Por sua vez, a área de refino apresentou um crescimento robusto de 705% no lucro líquido na mesma base de comparação, chegando a R$ 9,669 bilhões no segundo trimestre deste ano. No segmento de gás e energia de baixo carbono, o lucro líquido cresceu 89,9% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 957 milhões, refletindo principalmente o ajuste trimestral nos preços dos contratos de gás, que acompanham a cotação do petróleo.
A Petrobras informou que os investimentos da companhia somaram US$ 10,405 bilhões, aproximadamente R$ 53,2 bilhões, no primeiro semestre de 2026, um aumento de 22,5% na comparação anual. No segundo trimestre isoladamente, os investimentos totalizaram US$ 5,299 bilhões, cerca de R$ 27,1 bilhões, representando uma alta de 19,6%.
A empresa salientou que os projetos de desenvolvimento da produção, especialmente no segmento de exploração e produção, foram os grandes responsáveis pelo aumento dos investimentos neste ano. Entre os projetos citados estão as plataformas P-79, P-80, P-82 e P-83, além da perfuração de novos poços nas áreas do pré-sal e na Bacia de Campos.
No que se refere ao segmento de refino, a companhia mencionou investimentos significativos na Refinaria Abreu e Lima, localizada em Recife, e também no Polo Boaventura, antigo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
Por fim, a Petrobras divulgou que sua dívida bruta encerrou o primeiro semestre em US$ 70,8 bilhões, registrando uma leve queda de 0,6% em relação ao fechamento de março. A redução da dívida financeira, que diminuiu 6,2%, foi o principal fator, impulsionada por pagamentos antecipados realizados ao longo do segundo trimestre.

