Pais de jovem morto em sítio de Marcelinho Carioca buscam receber R$ 690 mil de indenização há 15 anos

Redação
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Pais de jovem morto em sítio de Marcelinho Carioca buscam receber R$ 690 mil de indenização há 15 anos

Servio Machado de Campos e a esposa Pedra Batista recolhem material reciclável nas ruas de Sarapuí, no interior de São Paulo. O casal de idosos soma esforços diários para complementar as aposentadorias. Eles perderam o filho Cristiano Donizeti Machado de Campos em 1998. O jovem de 17 anos morreu pisoteado por um cavalo na propriedade do ex-jogador Marcelinho Carioca.

A família iniciou ação judicial três meses após a morte. O processo resultou em condenação do ex-atleta em todas as instâncias. A indenização fixada pela Justiça nunca foi paga. O valor atualizado chega a R$ 690 mil com correção e juros. Os pais tentam há 15 anos receber o montante determinado pelo Poder Judiciário.

Jovem trabalhava sem registro no dia do acidente

Cristiano atuava em serviços gerais na propriedade. Ele não tinha experiência com cavalos. No dia do incidente, o animal escapou para o terreno vizinho. O adolescente recebeu a tarefa de recapturá-lo. Assim que foi laceado, o cavalo correu em sua direção. O jovem sofreu pisoteamento e não resistiu aos ferimentos.

Ele era menor de idade na época. A contratação ocorreu sem carteira assinada. A família relatou que Marcelinho Carioca não compareceu ao funeral. Os custos do enterro foram cobertos por uma assistente social.

  • Cristiano era o filho mais velho do casal Servio e Pedra
  • A família tem ao todo 13 filhos
  • O jovem ajudava os pais com pequenos serviços
  • O acidente ocorreu em sítio localizado na região de São Paulo

Ação judicial avançou apesar de contestação

A família ajuizou a ação em 1998. O pedido inicial buscava R$ 137 mil ao pai de Cristiano. Marcelinho Carioca contestou a responsabilidade. Ele alegou que o caseiro da propriedade havia chamado o jovem. O ex-jogador argumentou ainda que a culpa seria exclusiva da vítima.

O Judiciário rejeitou a tese. A condenação foi mantida em todas as instâncias. O valor sofreu ajustes ao longo do processo. Em uma das decisões, chegou a R$ 415 mil corrigidos antes de ser fixado em mil salários mínimos na segunda instância. O caso transitou em julgado em dezembro de 2011.

A execução da sentença começou em julho de 2012. Bloqueios em contas do ex-jogador não renderam valores suficientes. A dívida cresceu com o passar dos anos. O montante inicial próximo de R$ 145 mil subiu para os atuais R$ 690 mil.

Pais vivem de reciclagem e aposentadorias

Servio tem 75 anos. As mãos calejadas refletem o trabalho diário. Pedra tem 69 anos. O casal sai cedo com um carrinho para recolher recicláveis em Sarapuí, cidade a 156 km da capital paulista. O rendimento extra não passa de R$ 1.500 por mês.

Eles criaram 13 filhos. A perda de Cristiano marcou a família desde então. Um dos irmãos, Fernando Machado de Campos, hoje com 36 anos, lembra que o mais velho gostava de ajudar em casa. Outro irmão, Thiago Campos, sonha em ver os pais com vida mais tranquila, longe do serviço pesado nas ruas.

A família mantém esperança em penhora de créditos que Marcelinho Carioca teria a receber de investimento na chamada Fazenda Boi Gordo. Servio pediu a medida no início deste ano. A Justiça já autorizou a penhora.

Defesa do ex-jogador manifesta solidariedade

A defesa de Marcelinho Carioca informou por nota que o ex-jogador lamenta o caso ocorrido em 1998. Ele se coloca à disposição da Justiça. O advogado Márlon Reis afirmou que o jovem não era funcionário do atleta. Segundo a nota, um caseiro teria chamado Cristiano para auxiliar em atividade.

A nota registra condolências à família. Marcelinho Carioca, como pai, diz compreender a dor. A defesa menciona ainda que a condução anterior do processo comprometeu a apresentação de elementos. Até o momento, não havia ciência formal do pedido de penhora dos créditos da Fazenda Boi Gordo.

O ex-jogador perdeu em todas as instâncias. A Justiça reconheceu responsabilidade no caso. A família aguarda o cumprimento da decisão judicial.

Dívida acumula com correção monetária e juros

O valor da indenização aumentou ao longo dos 15 anos de execução. Bloqueios anteriores não localizaram recursos disponíveis. A família recorre a novas medidas para tentar receber o montante. O caso segue em tramitação na Justiça de São Paulo.

Servio e Pedra continuam o trabalho diário. Eles esperam resolver a pendência ainda em vida. Os irmãos de Cristiano acompanham o processo. O sonho da família é proporcionar tranquilidade ao casal de idosos.

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