Parlamentares da oposição na Câmara dos Deputados anunciaram que vão ingressar com um novo pedido de impeachment contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa ocorre após o magistrado solicitar a inclusão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) no inquérito das fake news.
A decisão de Gilmar Mendes foi formalizada por meio de uma notícia-crime encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito. Moraes, por sua vez, enviou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda não se manifestou.
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Em nota, a Liderança da Oposição na Câmara afirma que a medida representa um “precedente grave”. O documento, assinado pelo deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), sustenta que Zema passou a ser alvo de investigação por “expressar opinião política” e que a crítica institucional estaria sendo tratada como infração.
A abertura de processo de impeachment contra ministros do STF cabe exclusivamente ao Senado, mas o pedido pode ser apresentado por qualquer cidadão brasileiro.
NOTA OFICIAL
A Liderança da Oposição na Câmara dos Deputados manifesta profunda preocupação diante da iniciativa do ministro Gilmar Mendes de solicitar a inclusão do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, no chamado inquérito das fake news.
A medida, segundo divulgado, tem…
— Gilberto Silva (@cabogilberto) April 20, 2026
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“A mensagem que se transmite é perigosa: criticar pode custar caro”, diz o texto. Os parlamentares também defendem que a liberdade de expressão “não pode ser relativizada, e muito menos criminalizada”.
A oposição também voltou a questionar a condução do inquérito das fake news, instaurado de ofício em 2019 por decisão do então presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Segundo a nota, o procedimento concentra funções de investigação, acusação e julgamento, o que, na avaliação do grupo, seria incompatível com o devido processo legal.
“”O chamado inquérito das fake news, que fundamenta essa iniciativa, já é amplamente questionado no meio jurídico. Trata-se de um inquérito instaurado de ofício, sem provocação do Ministério Público, sem sorteio de relatoria e com concentração de poderes incompatível com o devido processo legal. Investigação, acusação e julgamento passam a coexistir dentro da mesma estrutura. Isso não é normal em um Estado de Direito”, diz a nota.
Vídeo publicado por Zema
O pedido de Gilmar Mendes tem como base um vídeo publicado por Zema nas redes sociais no mês passado. Na gravação, bonecos de fantoche simulam um diálogo entre o próprio ministro e Dias Toffoli. No conteúdo, o personagem atribuído a Toffoli pede a suspensão da quebra de sigilos determinada pela CPI do Crime Organizado, enquanto o personagem que representa Gilmar atende ao pedido e, em seguida, solicita uma “cortesia” em um resort. A fala em questão se refere ao resort Tayayá, que era de Dias Toffoli e foi comprado por um fundo ligado a Daniel Vorcaro.
Na notícia-crime, Gilmar Mendes afirma que o vídeo “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”. O ministro também sustenta que o conteúdo utiliza “sofisticada edição profissional e avançados mecanismos de deep fake” para simular vozes de integrantes da Corte em um diálogo inexistente, com o objetivo de atingir a integridade institucional do STF e promover o autor da publicação.
O magistrado ainda destacou o alcance do material, citando que Zema possui mais de 2,3 milhões de seguidores no Instagram e cerca de 570 mil na plataforma X, além da repercussão em veículos de imprensa.
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O inquérito das fake news investiga a disseminação de notícias falsas, ameaças e ataques contra ministros do STF e contra o sistema democrático. Desde sua abertura, a investigação tem sido alvo de críticas no meio jurídico e político, especialmente por políticos da oposição.


