Um caso envolvendo o atendimento de um cachorro em uma clínica veterinária de Goiânia ganhou grande repercussão nas redes sociais e passou a mobilizar milhares de internautas nos últimos dias. Nas plataformas, Lucas Viana, tutor do animal, o cão Max, afirma que procurou atendimento de emergência durante a madrugada, mas encontrou a clínica fechada e não conseguiu que a equipe abrisse a porta para prestar socorro ao animal, que morreu posteriormente.
Em vídeos publicados nas redes sociais, ele sustenta que funcionários se recusaram a atendê-lo porque estava sem camisa e classifica o episódio como uma omissão de socorro. O estabelecimento nega.
As publicações rapidamente viralizaram, acumulando milhares de visualizações, compartilhamentos e comentários. O caso gerou forte comoção entre defensores da causa animal e clientes da clínica, além de uma onda de críticas ao estabelecimento, com cobranças por esclarecimentos sobre a conduta da equipe durante o atendimento.
Diante da repercussão, a proprietária da Clínica Veterinária Aupet Heinsten, Bianca Silva, falou pela primeira vez sobre o episódio. Em entrevista exclusiva ao Mais Goiás, ela negou que o cachorro Max tenha ficado sem atendimento por recusa da equipe, contestou a versão apresentada pelo tutor e afirmou que a unidade seguiu os protocolos adotados para situações de emergência. Segundo a empresária, o que ocorreu foi uma sucessão de falhas de comunicação entre as partes e uma interpretação inicial das funcionárias de que poderiam estar diante de uma tentativa de invasão ao estabelecimento.
O Mais Goiás também procurou o tutor de Max para comentar os esclarecimentos apresentados pela proprietária da clínica. Até a publicação desta reportagem, ele não havia respondido aos contatos da reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.
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Histórico clínico
Segundo Bianca Silva, Max foi atendido pela primeira vez na clínica no dia 16 de junho, quando apresentava lesões na pele. Ela afirma que foram realizados exames, que não apontaram alterações significativas naquele momento, e iniciado um tratamento para acompanhamento do quadro clínico.
“No diagnóstico inicial ainda não era possível afirmar a causa das lesões. Havia um possível quadro dermatológico, por isso iniciamos o tratamento e orientamos o tutor a acompanhar a evolução”, explicou.

No dia 2 de julho, o cachorro retornou à unidade e passou por nova avaliação com outro médico-veterinário. Foram solicitados um hemograma e um teste 4Dx, que confirmou diagnóstico positivo para erliquiose, doença transmitida pelo carrapato.
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A proprietária afirma que o tutor recebeu prescrição médica, orientações sobre o tratamento e a recomendação de retornar imediatamente caso o animal apresentasse qualquer sinal de agravamento. Ela acrescenta que, no dia seguinte, a equipe entrou em contato pelo WhatsApp para acompanhar a evolução do cachorro. “Nós perguntamos como ele estava. A resposta foi apenas perguntando se deveria continuar administrando a medicação. Em nenhum momento foi informado que o quadro havia piorado”, afirmou.
Divergência sobre o atendimento
A principal diferença entre as versões está nos acontecimentos registrados no dia em que Max morreu. Segundo Bianca, a clínica funcionava normalmente em regime de plantão 24 horas e, naquele momento, havia apenas duas colaboradoras no interior da unidade: uma médica-veterinária no piso superior e uma assistente responsável pelos animais internados, na parte dos fundos do imóvel.
Ela afirma que o tutor tentou acessar uma porta que não corresponde ao acesso destinado aos clientes. “Aquela entrada está desativada há meses. Existem placas indicando que ela não é utilizada para atendimento e a entrada principal fica em outro local”, disse.
De acordo com a proprietária, as funcionárias ouviram fortes batidas e gritos, mas não conseguiram identificar quem estava do lado de fora. “Elas não sabiam que havia um cachorro precisando de atendimento. O que ouviram foram gritos, batidas e tentativas de abrir a grade. Pela situação, acreditaram que alguém estava tentando invadir a clínica.”
Segundo Bianca, o tutor chegou a danificar cadeados e parte da estrutura da entrada. Assustadas, as colaboradoras acionaram imediatamente o gerente da unidade e a Polícia Militar.
Investigação interna
Após a repercussão do caso, a clínica afirma ter realizado uma apuração interna, com análise das imagens das câmeras de segurança e entrevistas com as funcionárias que estavam de plantão. Segundo Bianca Silva, a empresa concluiu que houve falha na comunicação, mas rejeita a acusação de que tenha ocorrido recusa deliberada de atendimento.
“Houve uma falha muito grande na comunicação. Se ele tivesse utilizado o interfone, ligado para a clínica ou informado que estava chegando com um animal em estado grave, provavelmente tudo teria acontecido de outra forma. Também entendemos que ele estava desesperado, mas a maneira como chegou fez com que nossas funcionárias interpretassem a situação como uma tentativa de invasão”, pontua. Ela afirma que, quando o gerente chegou ao local, observou que o cachorro já apresentava sinais compatíveis com rigidez cadavérica.
Clínica lamenta morte
Bianca Silva afirma que a morte de Max também abalou a equipe da clínica. “Nós trabalhamos diariamente para salvar vidas. Foi uma situação extremamente triste para todos nós. Sentimos profundamente pela perda do Max e nos solidarizamos com a dor da família”, justifica.
A proprietária informou ainda que os protocolos internos serão reavaliados para evitar que situações semelhantes ocorram novamente. O caso segue repercutindo nas redes sociais e ainda pode ser objeto de apuração pelas autoridades competentes. Enquanto o tutor sustenta que houve negativa de atendimento em uma situação de emergência, a clínica afirma que a equipe não teve conhecimento de que havia um animal em estado grave do lado de fora e que a situação foi agravada por uma falha de comunicação e pela forma como ocorreu a tentativa de acesso à unidade. Até o fechamento desta reportagem, o tutor não havia respondido ao contato feito pelo Mais Goiás para comentar a versão apresentada pela proprietária da clínica.


