
A Caixa Econômica Federal guarda um passado de contradições. Documentos de 1865 mostram que Evaristo, um africano escravizado no Rio, mantinha uma caderneta de poupança com 75.420 mil-réis. “Por que pessoas escravizadas confiavam seus recursos a um banco público?”, questiona a historiadora autora do estudo. Eles economizavam para comprar a alforria, mas após a Abolição, a maioria dos fundos permaneceu intacta.
“O que aconteceu com as economias de Lydia?”, pergunta-se sobre uma lavadeira que, em 1931, somava mais de 1 milhão de mil-réis sem nunca ter sacado o dinheiro. Pesquisadores apontam que muitos libertos tentaram resgatar os valores, provavelmente sem sucesso.
O banco adotou “posicionamento defensivo”, segundo a Revista Piauí, enquanto movimentos sociais cobram reparação histórica e acesso aos documentos. Até agora, apenas 158 cadernetas de escravizados foram localizadas. A Caixa Cultural afirma que a pesquisa é “um processo contínuo”. Para os historiadores, a instituição tem o “dever de garantir aos cidadãos o direito à informação”.



