Foto: Gatos amontoados em apartamento em Santa Catarina – Divulgação/ Prefeitura de Concórdia
O caso dos mais de 400 gatos debilitados e doentes vivendo em um apartamento de Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, teve origem há mais de uma década. Uma senhora aposentada mantinha um casal de felinos que se reproduziu sem controle no próprio imóvel. Segundo a Diretoria de Proteção e Bem-estar Animal do município, durante todo esse período a tutora nunca adotou animais abandonados. Os gatos nasciam naturalmente dentro da residência, gerando uma superlotação progressiva que se tornaria cada vez mais grave com o tempo.
Imagens divulgadas pela prefeitura na terça-feira (26) mostram os animais aglomerados em cômodos, janelas e dentro dos móveis. A situação precária do ambiente se tornou evidente apenas quando equipes do município constataram que muitos animais apresentavam doenças severas causadas pelas condições de higiene inadequada e pelo compartilhamento excessivo do espaço.
Termo de Ajuste de Conduta estabelece responsabilidades
A situação ganhou repercussão oficial após o município assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a tutora no final de abril, conforme ação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). No acordo, o município assumiu o compromisso de encaminhar os gatos para castração e posteriormente direcioná-los a organizações não-governamentais de proteção animal, responsáveis por promover as adoções.
A medida foi necessária porque a visita à residência revelou uma situação alarmante. Muitos animais estavam doentes em razão das condições precárias do ambiente e da superlotação extrema. Conforme afirma a diretoria, porém, a responsabilidade pelo acúmulo dos animais continua sendo da tutora. Diversos gatos já morreram ao longo dos anos, e tantos outros enfrentam graves problemas de saúde.
Tratamento veterinário e quarentena obrigatória
Para auxiliar no resgate e tratamento dos animais, o curso de medicina veterinária do Instituto Federal Catarinense (IFC) se envolveu no processo de atendimento. A instituição também trabalha na microchipagem dos felinos para registro e rastreamento futuro.
Os procedimentos de castração serão realizados apenas após um período de quarentena no próprio apartamento. Essa medida é essencial para evitar que doenças sejam transmitidas a outros animais e para permitir o tratamento intensivo dos gatos mais debilitados. A quarentena garante que os felinos em condições críticas recebam cuidados veterinários adequados antes de serem transferidos para as instituições de proteção animal.
A Diretoria de Proteção Animal enfatiza a urgência da situação. “Estamos tentando ajudar para que o caso não tome maiores proporções, já que muitos gatos já morreram e tantos outros estão com grandes problemas de saúde”, comentou a diretoria. A superlotação e as condições insalubres criaram um ambiente propício para a proliferação de doenças entre os felinos.
Próximos passos para os animais
As etapas do processo de reabilitação incluem:
- Período de quarentena para isolamento de doenças transmissíveis
- Tratamento veterinário intensivo dos animais mais debilitados
- Castração de todos os felinos para evitar futuras reproduções
- Microchipagem para identificação e registro oficial
- Encaminhamento para organizações de proteção animal para adoção
O município de Concórdia segue acompanhando a situação de perto. A cooperação entre a prefeitura, o Ministério Público, voluntários e instituições de ensino como o IFC demonstra o esforço para resolver esse acúmulo animal de forma humanitária. O foco agora é recuperar a saúde dos gatos resgatados e viabilizar suas adoções responsáveis através das ONGs parceiras, evitando que cenários semelhantes se repitam na região.


