Uma mulher de Anápolis é acusada de ganhar a confiança de clientes e fornecedores e dar um golpe que pode ultrapassar R$ 1 milhão. Existe um grupo com quase 800 pessoas que afirmam ter sido vítimas de Vanessa Lorany Reges de Almeida, que vendia eletrodomésticos, televisores, aparelhos de ar-condicionado e celulares por meio do WhatsApp.
Conforme boletins de ocorrência que o Mais Goiás teve acesso, Vanessa revendia os produtos por valores abaixo do praticado no mercado (às vezes até 70%) e, por meses, realizou as entregas sem qualquer problema. Inclusive, a divulgação teria passado por influenciadores locais. Contudo, no fim de fevereiro, os pedidos deixaram de ser entregues e os fornecedores pararam de receber.
Após inúmeros contatos infrutíferos, os compradores e fornecedores receberam uma mensagem atribuída a Vanessa e a uma suposta assessoria jurídica. Nela, era dito que as entregas estavam suspensas devido a ameaças à família da vendedora. Além disso, ela prometia reembolso integral dos pedidos, mas ressaltava que não responderia mensagens e nem atenderia ligações.
O empresário Paulo Henrique Rodrigues, de 26 anos, fornecia eletrodomésticos e eletrônicos para Vanessa. Em 27 de fevereiro, ele registrou um boletim de ocorrência na 2ª Delegacia de Polícia de Aparecida de Goiânia. No documento, o homem relatou a parceria de quatro meses, que terminou tragicamente naquele mês.
A última entrega envolveu um lote com dez televisores TCL de 75 polegadas, cinco geladeiras Midea de 475 litros, cinco robôs aspiradores X20 Max, três iPhones 17 Pro Max Silver, cinco videogames Boombox 4, quatro lava e seca Midea, três geladeiras Electrolux de 590 litros, três aparelhos de ar-condicionado Midea de 12.000 BTUs, televisores Samsung de diferentes polegadas, uma lava-louças Samsung, um ar-condicionado Samsung de 24.000 BTUs e 14 serviços. Ele não recebeu os R$ 207,5 mil pelo fornecimento.
Consta no documento que, quando procurou Vanessa em Anápolis, encontrou apenas uma cunhada da suspeita. A mulher informou que a acusada estava escondida sob a alegação de ameaças. A possível golpista chegou a falar por WhatsApp que estava com a conta bloqueada, mas que não deixaria o fornecedor no prejuízo.
Ao Mais Goiás, o empresário Paulo Henrique Rodrigues disse acreditar que toda a família de Vanessa está envolvida. “Ninguém fala nada. Não acredito que dê para reaver. A mulher é uma estelionatária antiga. Não tem o que fazer.”

R$ 70 mil de prejuízo
Já nesta terça-feira (14), o consumidor Bruno Ribeiro Mendonça, de 24 anos, registrou um boletim de ocorrência na 6ª Delegacia de Polícia de Anápolis. Ele alega ter comprado diversos produtos da suspeita, como celulares, televisores e aparelhos de ar-condicionado, todos com valores abaixo do mercado. O prejuízo foi de aproximadamente R$ 70 mil.
Ele informou, ainda, que Vanessa se apresentava como representante de uma empresa fornecedora chamada Magazine Marega. Além disso, a vítima relata que não consegue mais contato com a acusada. Tanto o caso dele quanto o do fornecedor se enquadram estelionato consumado, previsto no artigo 171 do Código Penal. A Polícia Civil deve reunir os boletins de ocorrência registrados por diferentes vítimas para apurar a extensão do suposto esquema e localizar a investigada.
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Bruno e Jéssica
Bruno é responsável pelo grupo com quase 800 pessoas. Ele também também conversou com o Mais Goiás. Segundo ele, quando percebeu que algo estava “estranho”, ainda em janeiro, resolveu reunir outras vítimas. “Ela conquistou as vítimas quando ainda vendia produtos de procedimentos clínicos e até mounjara. Ela justificava que uma irmã trazia os produtos dos Estados Unidos.”
Ele chegou a fazer algumas compras com sucesso. “As primeiras compras que tiveram problemas ocorreram em dezembro. Ela chegou a dizer que foi assaltada em determinado momento. Aí desconfiamos e criamos o grupo, inicialmente, só para trocar informações.” Desde janeiro, Bruno tentava reaver os valores. “Eu indiquei mais de 50 pessoas. Quem fez compras mais baixas, de até R$ 1,5 mil, ela chegou a devolver.”
O consumidor afirma que, com o grupo, foi possível descobrir que a mulher já teria dado golpes em 2013. “Ela tinha o poder de persuasão. Começava com pessoas conhecidas e ia conseguindo indicações. Ela foi ardilosa. A gente que não conhece, acreditava que ela conseguia os preços bons, pois comprava em quantidade.”
Jéssica Sales foi outra vítima de Vanessa. Ela disse que comprou geladeiras, ar-condicionado, boombox, TVs 75 polegadas, além de climatizador e “iphones foram muitos”. O prejuízo chegou a mais de R$ 50 mil. “Eu comecei a comprar com ela, pois fiz um procedimento na clínica dela em Anápolis. Após alguns meses, ela começou a divulgar iPhones muito barato. Minha primeira compra foram dois ar-condicionados e chegou em dez dias. A segunda, três iphones, chegaram em 30 dias. Já a terceira, 40 dias…”
Após ganhar confiança, Jéssica e a família investiram todo o dinheiro guardado, cerca R$ 51,1 mil. “Ela sempre marcava para entregar, mas quando chegava no dia, remarcava. E foi assim até semana passada, quando ocorreu meu último contato com a Vanessa.” A última compra aconteceu em outubro. Ela também fez um boletim de ocorrência.
Tentativa de resposta
O Mais Goiás tentou contato com Vanessa pelo celular informado, mas o mesmo parecia não ser mais existente. Já o número da assessoria jurídica respondeu apenas com uma mensagem automática:
“Informamos que, devido a ameaças direcionadas à Vanessa e sua família, bem como a mim, as entregas serão suspensas por medidas de segurança. Prezando pela transparência e pelo compromisso com os clientes, será realizado o reembolso integral de todos os pedidos, mesmo que a pessoa opte pela entrega.
Entraremos em contato individualmente com cada um de vocês para concluir o estorno.
Não iremos responder nenhuma mensagem após essa, nem atender ligações. Nós entraremos em contato.”


