Morre aos 72 anos Mabel Bocchi, considerada a maior jogadora de basquete da história da Itália. A ex-atleta faleceu nesta quinta-feira (4) em sua residência em San Nicola Arcella, na Calabria, sul do país. A causa da morte foi uma doença grave diagnosticada há poucos meses.
Nascida em Parma e criada em parte em Avellino, Mabel se destacou nos anos 1970 pelo Geas Sesto San Giovanni e pela seleção italiana. Em 1975, a Fiba a elegeu a melhor jogadora do mundo. Ela participou de 113 jogos pela Azzurra e marcou mais de mil pontos.
A carreira de Mabel incluiu conquistas históricas para o basquete feminino italiano. O legado permanece vivo entre torcedores e ex-companheiras.
Dominância no Geas e título europeu histórico
O Geas viveu ciclo dourado entre 1970 e 1978 com Mabel Bocchi como protagonista. O clube de Sesto San Giovanni conquistou oito scudetti consecutivos nesse período.
A maior façanha ocorreu em 30 de maio de 1978. Na final da Copa dos Campeões, em Nizza, o Geas venceu o Cluj romeno por 74 a 73 e levantou o primeiro título europeu do esporte feminino italiano.
Mabel atuava como ala-pivô moderna para a época. Alta, atlética e com grande impulsão, dominava rebotes e finalizações próximas à cesta.
Seleção italiana e bronze europeu de 1974
Mabel disputou o Europeu de 1974 na Itália e ajudou a Azzurra a conquistar a medalha de bronze. A campanha marcou avanço do basquete feminino nacional.
No Mundial de 1975, em Cali, na Colômbia, a italiana recebeu o prêmio de MVP simbólico. O desempenho consolidou sua reputação internacional.
Os treinamentos da seleção eram rigorosos em Cortina d’Ampezzo. As jogadoras corriam nas montanhas para melhorar condicionamento físico.
Luta por direitos e carreira além das quadras
Mabel participou ativamente da luta por igualdade no esporte feminino italiano. Como sindicalista-jogadora, exigiu diárias iguais às dos homens e médico exclusivo para o time feminino.
A pressão resultou em uma suspensão temporária. As conquistas beneficiaram gerações seguintes de atletas.
Após encerrar a carreira em Torino, devido a lesões recorrentes, Mabel se formou em Educação Física aos 21 anos. Tornou-se professora universitária e apresentadora da Domenica Sportiva na RAI.
Vida pessoal e aposentadoria na Calabria
Mabel manteve estilo de vida independente e aventureiro ao longo dos anos. Apaixonada por animais, artes plásticas e mudanças de visual, cultivou imagem de personalidade forte.
Nos últimos anos, fixou residência em San Nicola Arcella, onde vivia com a irmã Ambra. A casa na colina oferecia vista para o mar Tirreno e a Isola di Dino.
A ex-jogadora acompanhava tênis e era fã de Jannik Sinner. Faleceu cercada pela família, deixando a irmã Ambra, o irmão Norberto e sobrinhos.
Legado reconhecido por federação e ex-companheiras
A Federação Italiana de Basquete emitiu nota oficial lamentando a perda. O texto destacou Mabel como “a jogadora que mudou a história do basquete feminino italiano”.
Clubes como Geas e ex-companheiras lembraram episódios marcantes da carreira. A conquista europeia de 1978 segue como referência para o esporte no país.
O velório e sepultamento ocorrerão nos próximos dias em San Nicola Arcella. A data exata ainda não foi divulgada pela família.


