Moradores denunciam violação de domicílio e ameaças de PMs durante buscas por foragido em Petrolina

Redação
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Moradores denunciam violação de domicílio e ameaças de PMs durante buscas por foragido em Petrolina

“Disseram que eu poderia sair preso ou no caixão”, diz irmão do suspeito

Moradores denunciam violação de domicílio e ameaças de PMs durante buscas por foragido em Petrolina

Moradores denunciam violação de domicílio e ameaças de PMs durante buscas por foragido em Petrolina (Foto: Reprodução)

Moradores de uma fazenda denunciaram à Corregedoria da Polícia Militar de Goiás invasão de domicílio e ameaças durante as buscas por um foragido na tarde de quarta-feira (1º). Um dos denunciantes é irmão do suspeito, que seria procurado por associação ao tráfico. O caso aconteceu na sede de uma fazenda e residência anexa, na zona rural de Petrolina.

Consta no boletim de ocorrência, que o Mais Goiás teve acesso, que o irmão do foragido foi surpreendido por uma equipe de policiais militares do Batalhão de Choque, que o indagaram acerca do paradeiro do suspeito, que, segundo eles, estaria com mandado de prisão em aberto. O denunciante afirma que, além da violação de seu domicílio, ele também foi ameaçado para informar o paradeiro do investigado.

Apesar de dizer que não sabia, conforme o registro, os agentes insistiram e ainda falaram que “lhe dariam uma lição” se o encontrassem. Ele, inclusive, teria sido obrigado a desbloquear o celular para que PMs verificassem o conteúdo.

Em seguida, os policiais foram à casa anexa à sede da fazenda e também teriam entrado e feito buscas na residência. Contudo, não localizaram nada. Os PMs também fizeram fotos da propriedade e do veículo, segundo informado. Os reclamantes registraram a ação em vídeo.

O Mais Goiás procurou a Corregedoria para comentar a denúncia. Caso haja retorno, essa matéria será atualizada.

Irmão do suspeito

O irmão do suspeito narrou os momentos de terror que viveu na quarta-feira ao portal. Ele diz que acompanhava uma obra, quando os agentes chegaram, perguntando pelo foragido. “Perguntaram cadê o meu irmão e se os peões tinham passagem, e já foram para área onde meu avô estava. Fiquei muito preocupado”, relatou. “Quando souberam que era meu irmão, insistiram que eu dissesse onde ele estava, mas eu não sei, não falo com ele há muito tempo.”

O homem relatou que foi ao galinheiro buscar o celular e o policial o acusou de pegar o aparelho para ligar para o irmão. “Ele me levou ao comandante e disse que eu ia ligar para o meu irmão. Disseram que eu poderia sair preso ou no caixão. Fiquei muito assustado.”

Segundo ele, na cidade, na casa onde a mãe mora, as viaturas têm passado. Além disso, várias pessoas que chegam no local são abordados. “Eles falam que meu irmão é traficante, mas eles não têm nenhuma prova. Estamos passando um desespero, tenho até medo de sair à noite.”

Defesa

A defesa dos moradores reforçou que os agentes possuíam mandado de prisão contra o irmão de um de seus clientes e que neste não constava o endereço da fazenda. Assim, os policiais teriam violado o domicílio de pessoas que não são investigadas, fazendo interrogatórios à margem da lei.

Ainda segundo ele, já houve a representação junto à Corregedoria e o processo já tramita no âmbito militar. Ele informou, ainda, que o primeiro passo é ver como vai seguir o caso para, então, ver o que pode ser feito na Justiça comum (cível e criminal).

“O avô do investigado, que é cadeirante e doente, e vive no local, passou mal após os policiais militares irem embora”, relatou o advogado. O defensor reforça que o crime de associação para o tráfico não é considerado hediondo. Além disso, enfatiza que nada justifica a postura dos militares.

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