Lula critica Netanyahu, nega medo de intervenção de Trump e se solidariza com papa

Redação
By
6 Min Read
Lula critica Netanyahu, nega medo de intervenção de Trump e se solidariza com papa

Os últimos acontecimentos das relações internacionais foram tema de uma entrevista concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira (14/4). Além da guerra em curso no Oriente Médio, o petista comentou a relação com Israel, se solidarizou com o papa Leão XIV após críticas de Donald Trump e abordou uma possível intervenção norte-americana nas eleições de outubro.

Ao ser questionado sobre a relação com Israel, o petista voltou a tecer críticas ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Lula chegou a dizer ainda que seu governo pensou em romper relações diplomáticas com Israel.

“Eu acho que [Benjamin Netanyahu] é o tipo de um político que faz mal à humanidade. É o tipo do político que o comportamento dele, para ficar no poder, exige que ele faça o que está fazendo […] Eu pensei em romper relações, mas a gente precisa ter cuidado, a gente não pode tomar nenhuma atitude precipitada porque depois dificulta você voltar atrás”, declarou o petista.

Leia também

Brasil e Israel têm relações estabelecidas desde 1949, que enfrentam seu pior momento nos últimos anos. Lula tem sido um crítico frequente de Netanyahu e foi declarado persona non grata pelo governo isralense depois que comparou a contraofensiva do país na Faixa de Gaza ao holocausto da Segunda Guerra Mundial.

A comparação de Lula rendeu ainda uma represália ao embaixador brasileiro em Tel Aviv, que foi chamado para prestar esclarecimentos — medida que, nas relações internacionais, é considerada uma reprimenda. Pouco depois, o Brasil retirou seu embaixador do país, medida que também foi adotada pelo governo de Israel.

A retirada de embaixadores de um país significa uma “rebaixamento” nas relações bilaterais. A medida pode ser interpretada como um sinal de insatisfação com medidas adotadas pelo governo onde a representação está localizada.

EUA x eleições brasileiras

Ao ser questionado, Lula negou ter receio de uma possível intervenção dos Estados Unidos nas eleições do Brasil em outubro deste ano. Sob sua perspectiva, uma tentativa de Donald Trump intervir no pleito dos próximos meses, na verdade, o ajudaria.

“Receio eu não tenho. Eu acho que ele me ajudaria muito se ele fizesse isso. Agora mesmo o vice [presidente, JD Vance] dele foi na Hungria fazer campanha para o [Viktor] Orbán (…) Eu não tenho receio, sinceramente. Isso não me tira o sono”, afirmou.

O vice-presidente do EUA acompanhou as eleições na Hungria no último final de semana. O então primeiro-ministro do país, Victor Orbán, recebeu acenos do presidente Donald Trump, com quem tinha uma relação próxima. O resultado do pleito, contudo, colocou fim aos 16 anos da presidência de Orbán, acusado de implementar um modelo autocrático na Hungria.

Lula afirmou que tem observado possíveis intromissões de Trump em eleições de outros países e citou ainda a atuação do ex-deputado federal e filho de Jair Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro (PL), nos Estados Unidos.

“Eu tenho lido mensagens do Trump dando palpite em eleição de Honduras, na Costa Rica. Ou seja, eu acho absurdo, é uma intromissão sem precedentes na soberania de um país. Aqui, ele ainda não fez, mas os meus adversários têm um filho lá [nos EUA] que foi pedir para o Trump intervir no Brasil. Tem o filho pedindo intervenção aqui no Brasil. Eu acho isso um erro de comportamento, tanto deles pedindo, quanto do Trump”, declarou.

Apoio ao papa

Lula também se solidarizou com o papa Leão XIV, após Trump fazer críticas ao religioso. De acordo com o petista, “ninguém precisa ter medo de ninguém”.

“Queria aproveitar sua pergunta para ser solidário a ele [o papa]. Está correta a crítica que ele fez ao presidente Trump. Ninguém precisa ter medo de ninguém”, disse o petista.

A crise entre o líder da Igreja Católica e o republicano se agravou nesta semana, depois que Trump publicou críticas ao pontífice — que condenou as operações militares dos EUA. “O papa Leão XIV é fraco no combate ao crime e péssimo para a política externa. Não quero um papa que ache normal o Irã ter uma arma nuclear”, escreveu o chefe da Casa Branca.

Apesar das críticas, o papa não recuou e declarou que vai continuar os protestos contra os conflitos armados.

“Não tenho medo do governo Trump. Continuarei a me manifestar veementemente contra a guerra, buscando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os problemas”, disse Leão XIV.

TAGGED:
Compartilhe