Sobre o tema envolvendo Listas de empresas, postagens que incentivam empresários a não contratarem pessoas que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ameaças de demissão de trabalhadores por posicionamento político, além de listas de boicote a empresas associadas à esquerda, passaram a circular nas redes sociais após o segundo turno das eleições presidenciais. Além disso, em Goiás, o Ministério Público do Trabalho (MPT-GO) recebeu 15 denúncias de assédio eleitoral após a votação, realizada no domingo (25). Dessa forma, antes do segundo turno, outras 42 haviam sido formalizadas.
Com isso, os números foram informados pelo MPT-GO ao Mais Goiás. Nesse sentido, segundo o órgão, a maioria absoluta das denúncias está sob sigilo, a pedido dos próprios denunciantes. Por isso, não é possível detalhar o conteúdo das queixas, embora todas tenham sido classificadas como assédio eleitoral. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a Listas de empresas continuam sendo acompanhados com atenção.
Portanto, O volume de registros aumentou ao longo do ano eleitoral. Em seguida, até 15 de agosto, véspera do início da campanha, o órgão havia recebido duas denúncias desse tipo. De acordo com as apurações, em todo o ano de 2025, não houve registros. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de Listas de empresas nos últimos dias.
Por outro lado, A nível nacional, o MPT aponta mais de 240 registros em menos de 24 horas após o fim dos segundo turno. “A eleição acabou, mas o assédio eleitoral não”, afirmou o procurador-geral do Trabalho, Glaucio Araújo de Oliveira, em vídeo publicado nesta terça-feira (27). Especialistas destacam que novas atualizações sobre Listas de empresas devem surgir em breve.
Listas de empresas petistas em Goiânia
Vale destacar que em Goiânia, uma lista com nomes de estabelecimentos de diferentes segmentos comerciais começou a circular em grupos de mensagens e chegou a influenciadores digitais. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a Listas de empresas continuam sendo acompanhados com atenção.
Sendo assim, A influenciadora Mayra Bittar publicou uma lista desse tipo e, posteriormente, retirou o conteúdo do ar. Além disso, em vídeos nos stories, ela explicou que fez a publicação após receber pedidos de seguidores interessados em conhecer empresas associadas à esquerda.
Dessa forma, mayra, que não mora em Goiânia, reconheceu ter cometido um erro ao incluir o nome de uma empresa de doces da capital. Segundo ela, a informação recebida era de que uma pessoa ligada ao estabelecimento seria sócia do negócio, mas estava equivocada. A influenciadora pediu desculpas publicamente.
Ela disse ainda que decidiu retirar a lista por não ter tempo suficiente para verificar todas as informações. Como alternativa, anunciou que pretende divulgar empresas de pessoas identificadas com a direita que desejarem apresentar seus negócios.
- MP avisa empresários: demitir colaboradores por causa de orientação política é ilegal
Psicóloga gravou vídeo sobre contratação de petistas
Um dos episódios que também ganhou repercussão envolve a psicóloga Mara Suassuna, que atua na área de recursos humanos. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ela afirma ter recebido ligações e mensagens de empresários interessados em contratar colaboradores cujo critério de seleção seria não ser petista.
Na gravação, a profissional argumenta que a contratação de funcionários deve levar em consideração o alinhamento de valores entre trabalhadores e empresas. Ela cita princípios como honestidade e respeito à vida e às relações humanas para justificar a posição.
A declaração provocou reação do Conselho Regional de Psicologia da 9ª Região (CRP-09), que publicou uma nota de repúdio à adoção de critérios político-partidários na seleção de trabalhadores.
O conselho afirmou que a discriminação no acesso ao trabalho por convicção política é vedada pela Constituição Federal, pela Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela Lei nº 9.029/1995.
A nota também destaca que processos de recrutamento e seleção conduzidos por profissionais da Psicologia devem se basear em critérios técnicos relacionados às exigências do cargo, e não na orientação política ou ideológica dos candidatos.
O CRP-09 informou que adotará providências para apurar a conduta da profissional, conforme o Código de Processamento Disciplinar. Os procedimentos tramitam sob sigilo, com garantia do contraditório e da ampla defesa.
- Lula vence Flávio Bolsonaro em 41 municípios de Goiás; veja quais
- Daniel reconhece vitória de Lula e cobra governo de coalizão sem retaliações a Goiás
Boicote em Formosa
A influenciadora Lorena Gontijo também publicou um vídeo sobre uma lista semelhante à de Goiânia que circulou em Formosa, no Entorno do Distrito Federal. Ela criticou a iniciativa após descobrir que seu nome havia sido incluído em uma das relações.
Embora tenha afirmado que não está preocupada com possíveis prejuízos profissionais, Lorena classificou a situação como absurda e preocupante. Segundo ela, as marcas com as quais trabalha na cidade conhecem sua competência, e grande parte de suas parcerias atuais é com empresas nacionais, de fora de Formosa.
“Viver em uma democracia significa entender que tem pessoas que pensam diferente, defendem ideias diferentes e, ainda assim, elas merecem respeito”, afirmou.
A influenciadora disse que trabalha há anos tanto com pessoas de direita quanto de esquerda. Para ela, o posicionamento político não determina a qualidade de seu trabalho, seu profissionalismo ou sua capacidade de construir parcerias. Ela também destacou que mantém relações comerciais locais há vários anos.
Lorena considera preocupante a criação de listas com o objetivo de boicotar profissionais por suas convicções políticas. Para ela, a prática desrespeita a diversidade de opiniões em uma democracia.
Frigorífico Goiás
Durante o período eleitoral, o Ministério Público do Trabalho também acionou a Justiça em um caso envolvendo o Frigorífico Goiás e seu sócio-proprietário, Leandro Batista Nóbrega.
Em decisão de 24 de outubro, a Vara Plantonista do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-18) concedeu tutela de urgência em uma ação civil pública ajuizada pelo MPT. O órgão alegou que o empresário havia divulgado uma viagem gratuita a Caldas Novas, com transporte, alimentação e bebidas pagos, destinada a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia do segundo turno.
Segundo a ação, a iniciativa poderia afastar eleitores de suas residências durante a votação. No pedido apresentado à Justiça, o MPT sustentou que a conduta poderia configurar assédio eleitoral e comprometer o livre exercício do voto.
A Justiça determinou que o frigorífico e seu sócio-proprietário se abstivessem de realizar eventos que retirassem trabalhadores de seus domicílios eleitorais no dia do pleito. O descumprimento está sujeito a multa de R$ 100 mil por trabalhador encontrado nessa situação.
A decisão é uma tutela provisória de urgência, e não uma sentença definitiva sobre o mérito da ação civil pública. O processo ainda deve seguir seu trâmite na Justiça do Trabalho.
- ‘Ele teria matado meu esposo’: tio contém agressor de idoso após vitória de Lula em Goiânia
- Homem que agrediu idoso no Jardim Goiás estava “revoltado” com resultado das eleições, diz esposa da vítima
Como denunciar demissão por convicção política
A procuradora-chefe do MPT-GO, Milena Costa, explicou que a dispensa de um trabalhador por motivo político pode ser considerada discriminatória quando há provas da conduta.
“Essa dispensa pode ser anulada pela Justiça do Trabalho — em ação coletiva ajuizada pelo MPT ou em ações individuais ajuizadas pelos próprios trabalhadores”, afirmou.
Segundo a procuradora, com fundamento no artigo 4º da Lei nº 9.029/1995, o trabalhador pode pedir a reintegração ao emprego ou o pagamento em dobro da remuneração do período de afastamento, além de indenização por danos morais. O enquadramento depende da apuração dos fatos e das provas apresentadas em cada caso.
O MPT-GO orienta trabalhadores afetados por esse tipo de conduta a registrar denúncia pelo site prt18.mpt.mp.br. É possível solicitar sigilo da identidade ou realizar a denúncia de forma anônima.
O órgão recomenda que os denunciantes anexem elementos que possam fundamentar a investigação, como vídeos, capturas de tela de publicações, mensagens e áudios.
Leia também:
- Médica que orientou colegas a não dar alta para pacientes petistas é demitida em Goiânia
- Lojistas da 44 falam em barrar contratação de nordestinos e pessoas de esquerda: ‘manda pedir emprego pro Lula’
Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.
Veja também: Médico-legista faz manobra de emergência para socorrer recém-nascida engasgada em Anápolis



