Igor Cabral é réu por tentativa de feminicídio em caso que chocou o Brasil: vítima teve 60 socos em Natal

Redação
By
11 Min Read
Igor Cabral é réu por tentativa de feminicídio em caso que chocou o Brasil: vítima teve 60 socos em Natal
Igor Eduardo Pereira Cabral

Igor Eduardo Pereira Cabral – Foto: Reprodução

Em 26 de julho de 2025, Igor Eduardo Pereira Cabral, ex-jogador de basquete de 29 anos, agrediu brutalmente sua namorada, Juliana Garcia dos Santos, com 61 socos dentro de um elevador em um condomínio de luxo no bairro Ponta Negra, em Natal, Rio Grande do Norte. O crime, registrado por câmeras de segurança, chocou o país pela violência extrema e motivou a Justiça a aceitar, em 7 de agosto, a denúncia do Ministério Público, tornando Cabral réu por tentativa de feminicídio. A vítima, de 35 anos, sofreu múltiplas fraturas no rosto e passou por uma cirurgia de reconstrução facial. O caso, motivado por ciúmes, reacendeu debates sobre violência doméstica no Brasil. A prisão preventiva de Cabral foi mantida, e ele está detido na Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim.

A agressão ocorreu após uma discussão durante um churrasco no condomínio, quando Cabral exigiu ver o celular de Juliana. Apesar de ela afirmar que não havia nada comprometedor, ele jogou o aparelho na piscina e, irritado, subiu ao apartamento dela para buscar seus pertences. Juliana o seguiu, temendo ser agredida fora do alcance das câmeras, e permaneceu no elevador, onde sofreu o ataque.

igor cabral
igor cabral – Foto: Reprodução/Redes Sociais
  • Câmeras de segurança: registraram 61 socos em 35 segundos, com Juliana incapaz de reagir.
  • Prisão imediata: moradores e o porteiro contiveram Cabral, que foi detido pela Polícia Militar.
  • Estado da vítima: Juliana sofreu fraturas no maxilar, nariz e ossos da face, exigindo cirurgia.

A rápida ação do porteiro, que acionou a polícia após ver as imagens, foi crucial para a prisão em flagrante de Cabral, convertida em preventiva no dia seguinte.

Repercussão nacional e indignação pública

O vídeo da agressão, que viralizou nas redes sociais, gerou uma onda de indignação em todo o país. A brutalidade do ataque, com Juliana recebendo socos incessantes enquanto tentava se proteger, levou a uma mobilização de movimentos feministas e da sociedade civil. Uma vaquinha online arrecadou mais de R$ 70 mil para custear o tratamento médico de Juliana, que recebeu alta hospitalar em 4 de agosto, mas segue em recuperação.

A advogada Caroline Mafra, que representa a vítima, destacou a importância das imagens do elevador como prova incontestável do crime. Em entrevista, ela enfatizou que o caso reforça a necessidade de proteção às vítimas de violência doméstica. A Justiça, embora tenha mantido a prisão preventiva de Cabral, negou um pedido de medida protetiva adicional para Juliana, sob a justificativa de que o agressor está detido, decisão que gerou críticas de ativistas.

  • Mobilização social: milhares de mensagens de apoio a Juliana inundaram as redes.
  • Debate público: o caso reacendeu discussões sobre violência de gênero no Brasil.
  • Provas visuais: as imagens do elevador foram decisivas para a denúncia aceita.
  • Críticas à Justiça: a negativa de medida protetiva foi questionada por movimentos feministas.

A repercussão também trouxe consequências para a família de Cabral, que relatou ameaças e pichações em um imóvel comercial ligado a eles, levando a defesa a emitir uma nota pedindo respeito aos familiares, que não têm relação com o crime.

Audiência de custódia e declarações de Cabral

Na audiência de custódia, realizada em 27 de julho, Cabral afirmou ter sofrido um “surto claustrofóbico” no elevador e admitiu o uso de substâncias ilícitas no dia do crime. Ele alegou ter pedido para chamar a polícia e uma ambulância após o ataque, mas as imagens e o depoimento de Juliana contradizem sua versão, apontando que ele só foi contido por moradores. Em um bilhete escrito à polícia, Juliana relatou que Cabral a ameaçou de morte e que ela permaneceu no elevador por saber que seria agredida fora do alcance das câmeras.

O ex-jogador, que já teve passagens pela seleção brasileira de basquete 3×3, também afirmou em depoimento que a discussão começou por ciúmes, desencadeada por mensagens no celular de Juliana. A delegada Victória Lisboa, responsável pelo caso, destacou que o relacionamento do casal já apresentava antecedentes de violência, incluindo intimidações e agressões verbais.

Cirurgia e recuperação da vítima

Juliana Garcia dos Santos passou por uma cirurgia de reconstrução facial no Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal, no dia 1º de agosto. O procedimento, conduzido pelo cirurgião-dentista Kerlison Paulino de Oliveira, teve como objetivo restaurar a forma e a função do rosto, gravemente danificado pelas fraturas no maxilar, nariz, bochecha e ao redor dos olhos. Apesar do sucesso da operação, a vítima ainda enfrenta um longo processo de recuperação, com possíveis sequelas físicas e psicológicas.

  • Lesões graves: fraturas múltiplas no rosto comprometeram a estrutura óssea.
  • Procedimento complexo: a cirurgia envolveu restauração de ossos e tecidos faciais.
  • Apoio psicológico: Juliana recebe acompanhamento para lidar com o trauma.
  • Solidariedade: a vaquinha online reflete o apoio da comunidade à recuperação.

O hospital informou que Juliana segue sob observação, com alta hospitalar em 4 de agosto, mas ainda requer cuidados intensivos. Amigos e familiares têm se mobilizado para garantir que ela receba suporte emocional e financeiro.

Denúncias de agressão na prisão

Cabral, transferido para a Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim, denunciou, em 1º de agosto, ter sido agredido por policiais penais. Segundo ele, foi colocado em uma cela isolada, algemado e nu, sofrendo socos, chutes, cotoveladas e uso de spray de pimenta. Ele relatou que os agentes o ameaçaram, dizendo que havia “chegado ao inferno” e sugerindo que se suicidasse. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Rio Grande do Norte investiga as alegações, com a Corregedoria do Sistema Prisional analisando possíveis abusos.

A defesa de Cabral havia solicitado uma cela individual por questões de segurança, mas o pedido foi negado devido à falta de estrutura no presídio. Apesar disso, ele foi mantido em uma ala de segurança, isolado de outros presos, após as denúncias de agressão. A investigação sobre o caso segue em andamento, com exames de corpo de delito realizados para apurar as acusações.

  • Denúncia de Cabral: agressões incluíram spray de pimenta e ameaças psicológicas.
  • Resposta da Seap: investigação foi iniciada para apurar conduta dos policiais.
  • Isolamento temporário: Cabral foi colocado em ala segura, mas sem cela individual.

Contexto da violência de gênero no Brasil

O caso de Juliana e Cabral expôs, mais uma vez, a gravidade da violência contra a mulher no Brasil. Em 2024, o país registrou 1,4 mil feminicídios, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com o Rio Grande do Norte entre os estados com altas taxas de violência doméstica. A Lei do Feminicídio, sancionada em outubro de 2024, classifica o crime como autônomo, com penas que podem chegar a 40 anos, reforçando a repressão a casos como o de Natal.

Organizações como a Casa da Mulher Brasileira em Natal defendem mais investimentos em centros de atendimento e prevenção. A mobilização social em torno do caso, incluindo a vaquinha e mensagens de apoio, demonstra a solidariedade da sociedade, mas também a necessidade de políticas públicas mais eficazes. A advogada Caroline Mafra destacou que o vídeo do elevador foi essencial para evitar que o crime fosse minimizado, reforçando a importância de provas visuais em casos de violência doméstica.

  • Dados alarmantes: 1,4 mil feminicídios em 2024 mostram a gravidade do problema.
  • Nova legislação: Lei do Feminicídio aumenta penas para crimes de gênero.
  • Prevenção: centros de atendimento precisam de mais recursos, dizem ativistas.
  • Provas visuais: câmeras de segurança são cruciais em casos de violência doméstica.

Caminho judicial e próximos passos

A aceitação da denúncia contra Cabral pelo Ministério Público marca o início de um processo que corre em segredo de Justiça para proteger a vítima. Ele responderá por tentativa de feminicídio, com base no artigo 121-A do Código Penal Brasileiro, que prevê penas severas em casos de violência motivada por questões de gênero. A prisão preventiva, sem prazo definido, foi mantida devido à gravidade do crime e à periculosidade do réu.

A defesa de Cabral, representada pelo advogado Carlos Almeida, informou que aguarda os próximos passos do processo para apresentar sua estratégia. Em uma nota emitida em 4 de agosto, Cabral pediu perdão, alegando que sua conduta foi influenciada por “uso de substâncias e instabilidade emocional”. A declaração, porém, foi recebida com ceticismo por movimentos feministas, que cobram justiça rigorosa.

  • Processo em andamento: o caso corre em segredo de Justiça para proteger Juliana.
  • Prisão preventiva: mantida devido ao risco à vítima e à sociedade.
  • Defesa de Cabral: alega contexto emocional, mas enfrenta críticas públicas.
  • Pressão social: movimentos feministas exigem punição exemplar.

O caso continua a mobilizar debates sobre a violência de gênero e o funcionamento do sistema prisional brasileiro, com a sociedade acompanhando de perto os desdobramentos judiciais e a recuperação de Juliana.

logomixvale 1 Igor Cabral é réu por tentativa de feminicídio em caso que chocou o Brasil: vítima teve 60 socos em Natal

Compartilhe