Agressor de 28 anos, que era sustentado pela vítima, confessou ter engolido os pedaços da orelha e não demonstrou arrependimento
Idosa de 73 anos foi resgatada com graves lesões pelo corpo e mutilação na orelha (Foto: Freepik)
Um homem de 28 anos foi preso em flagrante após espancar e arrancar pedaços da orelha da própria avó, uma idosa de 73 anos, a mordidas. O crime aconteceu na madrugada de segunda-feira (18/5), em Anápolis. Segundo as investigações, ao ser interrogado sobre o paradeiro dos pedaços da orelha da vítima, o agressor — que não demonstrou arrependimento — confessou ter ‘mastigado e engolido’. Ele foi autuado por lesão corporal e injúria qualificadas, teve a fiança negada e foi encaminhado diretamente para o presídio.
O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil logo no início do expediente, quando uma vizinha foi até a Delegacia do Idoso desesperada. Ela relatou ter encontrado a idosa chorando e coberta de sangue. De acordo com o delegado Manoel Vanderic, a equipe se deslocou imediatamente para o endereço e encontrou a vítima gravemente ferida. “Encontramos essa vítima bastante machucada, com muitos roxos no braço, no começo das costas e sem vários pedaços da orelha. A orelha ficou bem machucada”, detalhou a autoridade policial.
Aos policiais, a idosa e familiares narraram que o crime da madrugada foi o ápice de um longo histórico de violência doméstica. O neto, que foi criado pela vítima e era sustentado por ela após deixar o emprego, vinha praticando xingamentos, pequenos furtos e o desvio da aposentadoria da idosa.
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A família já havia tentado convencê-la a denunciar o rapaz anteriormente. A idosa chegou a registrar uma reclamação no passado, mas, por se tratar de um crime de ação privada na época, acabou retirando a representação, o que impediu o prosseguimento das investigações.
Desta vez, o agressor agiu com extrema violência, jogando a idosa no chão antes de desferir as mordidas. Ao ser questionado sobre o motivo da agressão e o ato de ter engolido partes do corpo da avó, o homem não demonstrou remorso e alegou apenas que estava sob o efeito de bebidas alcoólicas.
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Medo do retorno e alerta estatístico
Diante da gravidade e da periculosidade do autor, tanto a idosa quanto suas filhas que são tias do agressor, representaram imediatamente por medidas protetivas de urgência, manifestando profundo temor de que ele seja libertado e retorne para a residência.
O delegado aproveitou o caso para fazer um alerta severo sobre o aumento alarmante de crimes contra a terceira idade na região. Segundo ele, casos de violência física severa se tornaram rotina. “Nós temos feito em média de um a dois flagrantes por semana de lesão corporal contra idosos, em regra praticados por filhos ou por netos. É um crime que aumentou substancialmente de dois anos para cá. A média era de um flagrante a cada três meses; hoje é um ou dois por semana”, revelou Vanderic.
O investigador enfatizou que o desfecho de hoje só foi possível graças à atitude da vizinha, reforçando que a colaboração de terceiros, parentes distantes e moradores é fundamental para que a polícia consiga intervir antes que o pior aconteça.
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