As substâncias são utilizadas principalmente por caminhoneiros para inibir o sono
Grupo que produzia rebites é condenado após apreensão da PRF em Goiás (Foto: Divulgação/PRF)
Dez integrantes de uma organização criminosa responsável pela produção e comercialização de rebites foram condenados pela Justiça de Goiás em um dos processos ligados à maior apreensão da história da Polícia Rodoviária Federal no estado. A sentença foi assinada pela juíza Placidina Pires, da 1ª Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e à Lavagem ou Ocultação de Bens, Direitos e Valores. A informação foi divulgada pelo Tribunal de Justiça de Goiás na segunda-feira (11).
De acordo com as investigações conduzidas pelo Ministério Público do Estado de Goiás, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a organização atuava na fabricação e distribuição de anfetaminas conhecidas como “rebites”, substâncias utilizadas principalmente por caminhoneiros para inibir o sono.
As condenações fazem parte de uma das dez ações penais abertas a partir da Operação Ephedra, deflagrada após levantamentos apontarem que cerca de 90% das apreensões de anfetaminas do país ocorriam na região Centro-Oeste. Conforme a decisão judicial, a organização criminosa operou entre 2019 e dezembro de 2024, com atuação em Goiás, Tocantins e Bahia.
- PRF e MP de Goiás combatem tráfico de rebite, droga que inibe sono de motoristas
Confira abaixo os nomes e as penas dos condenados na ação penal:
- Dinair Albino da Silva: 26 anos, 2 meses e 15 dias de reclusão, em regime fechado;
- Wiula Amara Alves Freire: 20 anos, 5 meses e 5 dias de reclusão, em regime fechado;
- José Bomfim de Souza: 15 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão, em regime fechado;
- Gilvan Carlos Pinto: 13 anos, 6 meses e 26 dias de reclusão, em regime fechado;
- Gean Carlos Pinto: 12 anos, 8 meses e 26 dias de reclusão, em regime fechado;
- Diego Seabra Mendonça: 12 anos, 4 meses e 15 dias de reclusão, em regime fechado;
- Sayron Fernando de Morais Silva: 12 anos, 1 mês e 17 dias de reclusão, em regime fechado;
- Ivanildo Alves de Araújo: 11 anos e 9 meses de reclusão, em regime fechado;
- Eudes Caitano da Silva: 8 anos, 5 meses e 27 dias de reclusão, em regime fechado;
- Carlos Alberto da Silva: 3 anos de reclusão, em regime inicialmente aberto.
Leia também:
- GO: Rotam apreende R$ 5 milhões em drogas escondidas em pneus de caminhão
- Facções criminosas são alvo de megaoperação na Grande Goiânia e interior do estado
Somadas, as penas dos dez condenados chegam a 136 anos, 6 meses e 26 dias de prisão. Além das condenações em regime fechado, os réus também deverão pagar, juntos, R$ 50 milhões por danos morais coletivos. A Justiça determinou ainda a perda de imóveis, veículos, máquinas, equipamentos eletrônicos e valores em contas bancárias apreendidos durante a investigação, totalizando quase R$ 30 milhões.
Na sentença, a magistrada destacou que o grupo teria produzido mais de 130 milhões de comprimidos ao longo dos anos. A estimativa foi baseada em relatórios técnicos que identificaram a compra de quase nove milhões de cartelas blister, quantidade suficiente para fabricar os comprimidos apreendidos. Parte dos materiais, segundo a juíza, foi adquirida sem emissão de notas fiscais.
As investigações também apontaram a existência de laboratórios clandestinos, incluindo uma estrutura localizada em Goianira, onde parte da produção era armazenada em potes e frascos antes da distribuição.
Entre os condenados estão apontados líderes e integrantes operacionais do esquema. As penas variam de três a 26 anos de prisão.
Leia também:
- Operação da PF mira tráfico internacional de drogas em Goiás e outros 4 estados


