Alterando hora conceito de horário de verão – Foto: ConstantinosZ/istock
O Ministério de Minas e Energia anunciou, em Brasília, na última semana de outubro de 2025, a suspensão definitiva do horário de verão para o período. A medida, que adiantava os relógios em uma hora durante o verão, não será aplicada em nenhuma região do país. Estudos indicam que mudanças nos padrões de consumo energético tornaram a prática ineficaz. Trabalhadores e empresas evitam adaptações sazonais anuais.
A decisão segue análises do Operador Nacional do Sistema Elétrico, que apontam picos de demanda à tarde, impulsionados por aparelhos de refrigeração. O consumo total de energia se deslocou para horários diurnos, reduzindo benefícios noturnos da mudança. O governo prioriza estabilidade no fornecimento elétrico até pelo menos fevereiro de 2026.
Setores como comércio e transporte público registram alívio com a previsibilidade de horários fixos. Uma pesquisa do Datafolha de 2024 revela que 60% da população apoia o horário padrão, valorizando rotinas consistentes. A ausência da medida alinha o Brasil a nações vizinhas, como Argentina e Chile, que abandonaram o sistema desde 2018.
Motivos técnicos para a suspensão
O pico de consumo energético atingiu 103.785 megawatts em fevereiro de 2025, concentrado entre 14h e 17h. Essa variação, agravada por ondas de calor, diminui o impacto do adiantamento de relógios. Investimentos em usinas eólicas e solares fortalecem a rede, eliminando a necessidade de ajustes temporários.
Modernizações nas redes elétricas, incluindo iluminação LED em residências e indústrias, cortaram o gasto noturno em até 20% nos últimos anos. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico avaliou dados de 2024 e concluiu pela baixa economia, inferior a 0,5% do total nacional. A medida responde a um verão recorde de calor desde 1961.
Impactos no comércio varejista
Lojas em centros urbanos preveem manutenção de horários fixos para atrair clientes durante o dia. Setores como bares e shoppings, que lucravam com luz estendida à noite, planejam promoções vespertinas para compensar. Associações comerciais relatam redução potencial de 10% no fluxo noturno em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
Empresas de varejo ajustam estratégias de marketing para horários diurnos, focando em entregas rápidas. Bancos e restaurantes seguem o padrão, evitando confusões em agendamentos. A uniformidade facilita integrações com e-commerce, que opera 24 horas sem variações sazonais.
Ajustes nas jornadas de trabalhadores
Funcionários de indústrias e escritórios ganham consistência em turnos, sem o estresse de alterar alarmes mensalmente. Trabalhadores autônomos, como motoristas de aplicativos, beneficiam-se de rotinas previsíveis para planejamento familiar. Setores rurais mantêm alinhamento com ciclos solares naturais, sem intervenções artificiais.
- Estudantes evitam descompassos entre aulas e transporte escolar, facilitando a organização diária.
- Profissionais de saúde, com plantões fixos, relatam menor fadiga por adaptações.
- Equipes de logística otimizam rotas sem recalcular fusos regionais.
A estabilidade reduz erros em comunicações internas de empresas multinacionais.
Efeitos no setor de transporte
Ônibus e metrôs em capitais mantêm cronogramas inalterados, melhorando a pontualidade. Empresas de aviação simplificam voos domésticos, evitando ajustes em horários de decolagem. O transporte de cargas rodoviárias ganha eficiência com rotas padronizadas ao longo do ano.
Ferrovias e portos, afetados por variações sazonais no passado, agora operam com planejamento anual fixo. Trabalhadores do setor, como condutores, evitam turnos fragmentados. A medida fortalece a integração com fusos internacionais, beneficiando exportações.
Histórico da medida no país
O horário de verão começou em 1931 para economizar energia com luz natural prolongada. Aplicado de forma contínua de 1985 a 2019, adiantava relógios de novembro a fevereiro em regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A suspensão inicial em 2019 veio após estudos sobre hábitos alterados pela eletrificação residencial e comercial.
Análises anuais do Comitê de Monitoramento avaliaram viabilidade em 2023 e 2024, optando pela manutenção do fim. Em 2025, o foco vira para transição energética sustentável, com ênfase em fontes renováveis. A decisão consolida uma política de longo prazo para demandas crescentes.
Benefícios energéticos limitados
A economia gerada pela prática mal chegava a R$ 400 milhões anuais em anos anteriores, segundo relatórios oficiais. O deslocamento do pico para tardes quentes anula ganhos noturnos projetados. Redes modernizadas e tecnologias eficientes, como painéis solares residenciais, suprem a demanda sem mudanças horárias.
O verão de 2025 registrou consumo estável, graças a reservatórios pluviais acima da média. Países europeus debatem fim similar, citando ineficiências. No Brasil, a priorização de usinas flexíveis garante suprimento sem intervenções sazonais.
Opiniões de especialistas ouvidos
Analistas do setor elétrico destacam ganhos em produtividade geral com horários fixos. Economistas preveem ajustes mínimos no PIB, com foco em eficiência operacional. Profissionais de saúde notam redução em distúrbios do sono relacionados a adaptações. A uniformidade favorece planejamento educacional em escolas públicas e privadas.


