Alta do combustível leva companhias a cortar milhares de voos em todo o país em maio e junho
Aeroporto de Goiânia – Imagem: Divulgação
A alta no preço do querosene de aviação, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio, já impacta diretamente Goiás, que teve redução de 9,6% na sua malha aérea. No cenário nacional, mais de 6,2 mil voos foram cancelados entre maio e junho, segundo levantamento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
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Os dados comparam a programação atual com o fim de fevereiro, antes da disparada do petróleo no mercado internacional. Apenas em maio, o setor perdeu 3.596 voos, enquanto outros 2.675 deixaram de ser operados em junho, totalizando 6.271 cortes.
Goiás entre os estados afetados
Em meio à reconfiguração da malha aérea, Goiás aparece entre os estados impactados pela redução de voos, com queda de 9,6% na oferta em maio.
Entre os estados mais afetados, Pernambuco lidera com queda de 12,8% em maio, seguido pela Bahia (10,1%). Espírito Santo (9%) e Rio de Janeiro também registraram recuo significativo, sendo que este último perdeu 514 voos apenas no mês.
Alta do combustível pressiona companhias
O principal fator por trás da redução é o aumento expressivo do querosene de aviação (QAV), que pode representar até 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Com a disparada dos preços, as empresas passaram a cortar rotas menos rentáveis para equilibrar as contas.
Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que o combustível praticamente dobrou de preço em menos de três meses, saltando de R$ 3,35 por litro em fevereiro para R$ 6,65 no início de maio — alta de 98,4%.
Gol e Azul lideram cortes
Entre as companhias, a Gol foi a que mais reduziu operações, com 3.041 voos cortados entre maio e junho. A Azul aparece na sequência, com 2.216 voos retirados da programação no período. Já a Latam teve redução menor, com pouco mais de mil voos cancelados.
Juntas, Gol e Azul foram responsáveis por mais de 86% da redução total da malha aérea.
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Passagens mais caras
Além da redução na oferta de voos, o impacto também chega ao bolso dos passageiros. Dados da Anac indicam que as passagens aéreas registraram alta de 17,8% em março, na comparação com o mesmo período de 2025, e avanço de 14,5% em relação ao mês anterior.
Atualmente, cerca de 21% do querosene de aviação consumido no Brasil é importado, enquanto a distribuição no país é concentrada praticamente nas mãos da Petrobras.
Petrobras anuncia redução
Após uma sequência de aumentos, a Petrobras anunciou nesta segunda-feira (1º) uma redução de 14,2% no preço do querosene de aviação. Antes disso, o combustível havia acumulado reajustes de 9% em março, 55% em abril e 18% em maio.
Apesar da queda recente, o impacto acumulado ainda pressiona o setor aéreo e mantém o cenário de incerteza para companhias e passageiros.


