Gasolina sobe para R$ 6,29 em 2026 com alta de ICMS em todo Brasil

Redação
By
5 Min Read
Gasolina sobe para R$ 6,29 em 2026 com alta de ICMS em todo Brasil

A gasolina comum apresentou aumento no preço médio nacional logo no início de 2026. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou que, entre os dias 4 e 10 de janeiro, o valor médio do litro atingiu R$ 6,29. Esse resultado representa elevação de R$ 0,07, ou 1,1%, em relação à última semana de 2025, quando o preço médio era de R$ 6,22. O principal fator para essa alta foi o reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que passou de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro a partir de 1º de janeiro.

O reajuste atende à Lei Complementar 192/2022 e foi aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) em setembro de 2025. Essa atualização considera os preços médios mensais dos combustíveis registrados pela ANP entre fevereiro e agosto de 2025, comparados ao mesmo período de 2024. Trata-se do segundo aumento consecutivo do tributo sobre combustíveis, após a elevação ocorrida em fevereiro de 2025.

Variação de preços por estado

O Acre registrou o maior preço médio da gasolina comum no período analisado. O litro chegou a R$ 7,24 nos postos do estado. Em seguida, aparecem Amazonas, com R$ 7,02, e Rondônia, com R$ 6,96. Esses valores refletem condições logísticas e custos regionais mais elevados em áreas remotas do país.

Já o Piauí apresentou o menor preço médio nacional, com R$ 5,91 por litro. Maranhão registrou R$ 5,94, e Paraíba ficou em R$ 5,98. Os dados não foram divulgados para o Amapá nessa semana específica da pesquisa da ANP.

Posto de combustível, gasolina, etanol
Posto de combustível, gasolina, etanol – Foto: Ziga Plahutar/ Istockphoto.com

Impacto do reajuste do ICMS nos valores finais

O aumento de R$ 0,10 no ICMS por litro de gasolina entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026. Essa medida foi adotada de forma unificada em todos os estados e no Distrito Federal. O tributo representa parcela significativa do custo final do combustível, influenciando diretamente os preços praticados nos postos. Os postos têm liberdade para definir os valores, mas o reajuste tributário tende a ser repassado ao consumidor.

Especialistas apontam que fatores adicionais interferem na formação do preço. Custos de distribuição, margens de revenda e variações na oferta de etanol anidro contribuem para as oscilações observadas. O preço médio anual de 2025 fechou em R$ 6,24, com estabilidade relativa ao longo do ano.

Gasolina E30 e expectativas não atendidas

Desde agosto de 2025, a gasolina vendida nos postos passou a conter 30% de etanol anidro, na chamada mistura E30. O governo federal elevou também a octanagem mínima para 94 RON, visando maior eficiência e redução de emissões. A transição deveria gerar benefícios econômicos, com projeção inicial de queda de até R$ 0,13 por litro no preço ao consumidor.

A expectativa era de redução das importações em 760 milhões de litros por ano. Além disso, haveria expansão da produção nacional de etanol em 1,5 bilhão de litros, com investimentos estimados em R$ 9 bilhões no setor. No entanto, o etanol anidro registrou alta de preço devido ao aumento da demanda. Isso neutralizou parte do efeito esperado na composição do combustível.

Preços médios mensais em 2025

O preço médio da gasolina apresentou variações ao longo de 2025. Janeiro fechou em R$ 6,17, enquanto fevereiro atingiu o pico de R$ 6,36. A partir de março, houve redução gradual até agosto, mês da entrada da E30, quando o valor foi de R$ 6,19. Os meses seguintes mantiveram estabilidade, com novembro em R$ 6,17 e dezembro em R$ 6,19.

Essa trajetória mostra que a nova mistura não gerou a redução projetada inicialmente. O preço final continuou influenciado por outros componentes, como impostos, logística e margens comerciais. Não há indícios de queda expressiva nos próximos meses.

Diferenças regionais e fatores locais

Estados do Norte e Nordeste geralmente apresentam preços mais altos devido a custos de transporte e logística. Em contrapartida, regiões com maior produção de etanol ou proximidade a refinarias tendem a ter valores menores. São Paulo registrou média de R$ 6,13, enquanto Rio de Janeiro ficou em R$ 6,21.

Essas variações ocorrem mesmo com alíquota única de ICMS. Condições locais, como impostos municipais adicionais e concorrência entre postos, também afetam o preço final ao consumidor.

Compartilhe