Explosão mata 82 em mina de carvão na China; investigações apontam violações no Grupo Tongzhou

Redação
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Explosão mata 82 em mina de carvão na China; investigações apontam violações no Grupo Tongzhou

Uma explosão devastadora na mina de carvão de Liushenyu, em Shanxi, China, resultou na morte de 82 pessoas e deixou mais de 120 feridos em 22 de maio. Este desastre marca o pior incidente em uma mina de carvão no país em mais de 15 anos, revelando uma série de graves violações de segurança e falhas de gestão pela operadora Grupo Tongzhou. O acidente ocorre em um período de transição energética para a China, que busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis, mas ainda enfrenta desafios persistentes na segurança da mineração.

Detalhes da Tragédia em Liushenyu

A explosão atingiu a entrada da mina, conforme relatos de sobreviventes à emissora estatal chinesa CCTV. A poeira densa e a dificuldade de visibilidade foram desafios imediatos para os que tentavam escapar. Autoridades ainda não confirmaram a causa exata, mas especialistas indicam que acúmulos de gás metano ou pó de carvão, em contato com fontes de ignição, são as causas mais comuns para este tipo de explosão.

Um mineiro, Chen, que trabalhou por dois anos na mina de Liushenyu, descreveu o local como uma mina com alto teor de metano e túneis subterrâneos complexos, incluindo “frentes de mina escondidas”. Ele afirmou que, dadas as condições, a ocorrência de um desastre era “apenas uma questão de tempo”. O professor Hong Chen, do Instituto de Segurança Nacional e Desenvolvimento Verde da Universidade de Jiangnan, reiterou que o acidente era evitável com sistemas de gestão de segurança adequados.

Falhas na Gestão e Violações de Segurança

As investigações preliminares apontam para “graves violações ilegais” cometidas pelo Grupo Tongzhou, empresa privada responsável pela operação da mina de carvão de Liushenyu. Embora as autoridades não tenham especificado todas as descobertas, reportagens da mídia estatal descrevem um quadro alarmante de desrespeito às normas de segurança.

    Entre as violações identificadas estavam:
  • Apenas metade dos trabalhadores no subsolo estavam oficialmente registrados no dia do acidente.
  • Muitos mineiros não utilizavam os dispositivos de rastreamento obrigatórios.
  • A existência de túneis secretos e plantas imprecisas dificultou os esforços de resgate.
  • A empresa proibia o uso de rastreadores para ocultar a extração ilegal de carvão em veios não autorizados.

Além disso, a mina de Liushenyu já havia sido sinalizada anteriormente por problemas de segurança. Em 2024, apareceu em uma lista da Administração Nacional de Segurança de Minas da China como uma das minas com “riscos graves”. No ano seguinte, o Grupo Tongzhou foi penalizado duas vezes por infrações de segurança, segundo relatos da mídia. Os responsáveis pela empresa foram colocados sob “medidas de controle”, e as operações em outras minas do Grupo Tongzhou foram suspensas.

Histórico da Mineração de Carvão na China

A China possui uma longa e complexa história com a mineração de carvão, que por décadas foi uma das atividades mais perigosas do país. Na província de Shanxi, epicentro da indústria carbonífera chinesa, ditados populares refletem a fatalidade do trabalho, como “Só desça em uma mina de carvão se não houver outra saída”. Entre 1980 e 2010, uma média de 5.853 pessoas morriam anualmente devido a desastres em minas de carvão.

No entanto, reformas de segurança implementadas ao longo da última década reduziram drasticamente as taxas de mortalidade. Em 2018, o número anual de mortes caiu para 333, mesmo com a produção de carvão mais que dobrando. As autoridades endureceram regulamentações, introduziram sistemas de monitoramento de gás aprimorados e mecanismos de responsabilização mais claros. Milhares de pequenas minas privadas que operavam sem supervisão regulatória foram fechadas. A tecnologia também contribuiu, com a mecanização e automatização de fluxos de trabalho antes intensivos em mão de obra.

O Papel do Carvão na Transição Energética Chinesa

A tragédia em Liushenyu reacende o debate sobre a dependência da China do carvão, mesmo com o país buscando uma ambiciosa transição para a energia limpa. Aumentar a produção de energia renovável é uma das principais prioridades políticas da China, com a meta de dobrar o fornecimento de energia limpa até 2035 e alcançar emissões líquidas zero de carbono até 2060.

Apesar dos esforços em energias renováveis, a China continua sendo o maior produtor global de carvão, responsável por pouco mais da metade da produção mundial em 2024, com 4,8 milhões de toneladas. O governo chinês frequentemente se refere ao carvão como a “pedra de lastro” da segurança energética do país, uma âncora confiável em um mercado global de energia volátil. O professor Roc Shi, da Universidade de Tecnologia de Sydney, afirma que o carvão está mudando seu papel de motor de crescimento para garantia de segurança energética e confiabilidade do sistema elétrico.

Desespero e Realidade dos Trabalhadores

Para muitos em Shanxi, o carvão não é apenas um combustível, mas uma tábua de salvação. Mineiros frequentemente enfrentam poucas outras opções de emprego em seus condados. “Vou continuar fazendo este trabalho, porque no nosso condado, além do trabalho nas minas, é difícil encontrar outra coisa”, disse um mineiro à BBC.

Mesmo cientes dos perigos inerentes, muitos mineiros se voluntariam para trabalhar nessas condições extremas para sustentar suas famílias. A vida nas minas representa uma escolha entre o risco e a subsistência. A promessa do governo chinês de responsabilizar os culpados pelo incidente de Liushenyu é vista como tardia por alguns mineiros, que questionam se as vidas perdidas podem ser restauradas.

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