Entenda o plano da prefeitura para abrir uma rua dentro do Parque Flamboyant, em Goiânia

Redação
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Entenda o plano da prefeitura para abrir uma rua dentro do Parque Flamboyant, em Goiânia

Ideia da Secretaria de Infraestrutura é desafogar o trânsito concentrado, especialmente, na Rua 56-A em horários de pico

Imagem aérea mostra Parque Flamboyant cercado de prédios

Seinfra, responsável pela ideia, diz que tem considerado aspectos como fluxo de veículos, segurança viária e impacto ambiental (Foto: Reprodução)

Felipe Cardoso

A Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), realiza estudos técnicos para avaliar a possibilidade de construção de uma rua que atravesse o Parque Flamboyant, no Jardim Goiás.

A ideia, segundo a pasta, é melhorar o fluxo de trânsito e facilitar o acesso ao bairro. Atualmente, motoristas que seguem no sentido oeste-leste precisam utilizar a Rua 56-A, uma viela localizada a cerca de 250 metros do fim do parque, ponto próximo ao local onde a Seinfra estuda implantar a nova via. Pelo projeto em análise, a rua seria instalada na extremidade mais baixa do parque.

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Procurada pela reportagem do Mais Goiás, a Seinfra informou que avalia as melhores condições de tráfego e mobilidade urbana na região, considerando aspectos como fluxo de veículos, segurança viária, impacto ambiental e alternativas de engenharia que contribuam para a circulação no entorno do parque.

A secretaria destacou ainda que somente após a conclusão dos estudos e análises complementares poderá se manifestar de forma definitiva sobre eventual intervenção no local. Segundo a pasta, que não soube informar prazo para finalização do estudo, o processo ocorre de “forma integrada, com diálogo com os moradores da região e órgãos como SET, Amma e Seplan”.

Apesar disso, o estudo já enfrenta resistência dentro da própria administração municipal. A reportagem do jornal O Popular obteve acesso ao relatório de três pastas que se manifestaram contrárias à iniciativa. A Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) alertou que a obra poderia comprometer ainda mais o córrego Sumidouro, cuja nascente está localizada dentro do parque. O órgão também ressaltou que a área é protegida por lei e já sofre com ocupações irregulares. Também foi defendido que qualquer modificação deve priorizar a ampliação, e não a redução, da área verde.

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Local onde Seinfra estuda construir a rua que cortaria área verde do parque (Foto: Reprodução)

A Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (Seplan) também apresentou posição contrária. Para a pasta, a alternativa mais adequada seria regularizar o traçado da Rua 56-A, já que imóveis e lotes próximos não constam como regularizados ou estão em processo de regularização.

A região, segundo a secretaria, foi marcada por ocupações irregulares no passado. A Seplan avalia que a desapropriação de imóveis ou lotes abandonados permitiria ampliar a via existente, melhorando o fluxo de veículos. Já a Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) acompanhou o entendimento da Seplan e defendeu como solução a ampliação da largura da faixa de rolamento na própria Rua 56-A.

Comissão de Meio Ambiente

Na Câmara Municipal, o tema também gera críticas. A presidente da Comissão de Meio Ambiente, vereadora Katia Maria (PT), classificou como “inadmissível” a postura do prefeito Sandro Mabel (UB) ao tentar avançar com essa proposta.

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“Goiânia já enfrenta inúmeros problemas de alagamento e aquela região é um dos principais pontos críticos, inclusive pelo estrangulamento da Marginal Botafogo. Isso acontece justamente pela falta de áreas verdes capazes de drenar a água da chuva”, afirmou.

A parlamentar defendeu a ampliação das áreas permeáveis na capital e acrescentou que, se o prefeito insistir na proposta, “estará assumindo a responsabilidade pela destruição do Parque Flamboyant”, sem resolver o problema do trânsito e ainda agravando a crise climática da cidade.

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