Douglas Ruas é eleito novo presidente Alerj em sessão marcada por obstrução do grupo de Paes – O GLOBO

Redação
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Douglas Ruas é eleito novo presidente Alerj em sessão marcada por obstrução do grupo de Paes – O GLOBO

Deputado do PL recebeu 44 votos; um parlamentar votou se absteve e outros 25 boicotaram a escolha para o comando da Casa


DDouglas Ruas foi eleito presidente da Alerj
DDouglas Ruas foi eleito presidente da Alerj — Foto: Márcia Foletto

RESUMO

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GERADO EM: 17/04/2026 – 11:46

Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj em meio a boicote e polêmicas

Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Alerj com 44 votos, em meio a um boicote de 25 parlamentares de partidos como PSD e MDB, liderados por Eduardo Paes. A eleição ocorreu com voto aberto, gerando controvérsias e ações judiciais pelo voto secreto. Ruas, pré-candidato ao governo do Rio, enfrenta desafios jurídicos, enquanto o desembargador Ricardo Couto segue como governador interino.

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O deputado Douglas Ruas (PL) foi eleito nesta sexta-feira o novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj). Ele recebeu 44 votos, enquanto um parlamentar votou pela abstenção. A sessão foi marcada por tentativas de obstrução da votação por parte do grupo do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, pré-candidato ao governo e provável adversário de Ruas em outubro. Ao todo, 25 parlamentares do PSD, MDB, Podemos, PR, PSB, Cidadania, PCdoB, PT e PSOL não participaram do pleito.

A plenária foi acompanhada por manifestações contrárias ao resultado. Parlamentares da esquerda chegaram a vaiar após a confirmação da vitória de Ruas. Do lado de fora do plenário, o grupo também entoou gritos de “diretas já”, em crítica ao processo de escolha.

Durante a sessão, o deputado Jari Oliveira foi o único a registrar a abstenção para a votação de presidente, mas votou “sim” no exercício da função de segundo secretário, conforme prevê o regimento interno, para o deputado Dr. Deodalto (PL) que foi eleito com 45 votos.

Na primeira fala após a vitória, Douglas Ruas fez acenos às alianças que compuseram sua base de apoio. Ele cumprimentou o presidente em exercício, Guilherme Delaroli, a quem pediu uma salva de palmas no plenário, reforçando a parceria construída nos bastidores da eleição. Também citou o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e o prefeito de Itaboraí, irmão de Delaroli, ampliando o alcance do discurso ao acenar para lideranças do entorno político.

Ruas ainda mencionou representantes de municípios como Araruama, São João de Meriti, São Gonçalo e Queimados, indicando capilaridade para além da Alerj. Ao agradecer ao pai, Nelson Ruas, o novo presidente acrescentou um componente pessoal à fala, combinando demonstração de força política.

Na ocasião, ele também criticou os partidos de oposição pela organização do boicote, que deixou 25 parlamentares fora da votação, em protesto à decisão do Tribunal de Justiça de manter a votação aberta. Na véspera do pleito, nesta quinta-feira (14), o PSD e o PDT decidiram protocolar um pedido para que a votação ocorresse de maneira secreta para evitar coações e constrangimentos em caso de divergências ao nome de Ruas. A solicitação foi negada pela desembargadora Suely Lopes Magalhães, que assumiu recentemente o comando do TJ-RJ.

— Existe um desvio político do partido PTD e PSD. A população tem que saber quem está trabalhando para a instabilidade do nosso estado. Gostaria de fazer um cumprimento ao deputado Jari, que faz oposição, mas participou e se absteve. Isso é o debate político. Todos os poderes têm direito de eleger seus representantes. Quando um partido político e um deputado tomam a decisão de ir para a justiça para inviabilizar que o presente seja eleito, onde está o povo nessa decisão? Falam de instabilidade, mas a interinidade é totalmente o oposto da estabilidade — disse Ruas.

Apesar da vitória expressiva, o resultado deve ser contestado. Deputados da oposição já haviam indicado, antes mesmo da votação, que pretendem recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular o pleito. O principal argumento é o de que a adoção do voto aberto compromete a liberdade dos parlamentares, ao expô-los a possíveis pressões e retaliações.

Articulação pela candidatura de Ruas

A votação ocorreu após uma manhã de intensas articulações políticas. Mais cedo, deputados da base governista se reuniram no gabinete de Guilherme Delaroli para alinhar estratégia e garantir a maioria necessária para eleger o novo comandante da Casa.

Após a eleição, deputados da base saíram em defesa da legitimidade do processo e da autonomia do Legislativo fluminense. O deputado Bruno Dauaire (União) criticou a ausência dos parlamentares da oposição e destacou a necessidade de respeito às regras da Casa.

— Ver deputados do campo progressista que não participaram da eleição, eu fico muito triste. Hoje é um dia para que essa Casa faça uma reflexão mais profunda. Não podemos deixar de parabenizar o Tribunal de Justiça. Cabe a esta Casa fazer a votação, respeitar o regimento e ter sua autonomia respeitada — afirmou.

Outros parlamentares alinhados ao governo também elogiaram a atuação do presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, e reforçaram o discurso de defesa da independência da Alerj diante das disputas judiciais que cercam a eleição.

Quem assume o governo do Rio?

Sem governador ou vice, e com o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), afastado pela justiça, o Rio continuará sendo governado pelo desembargador Ricardo Couto, que assumiu o posto por ser o presidente do Tribunal de Justiça do Rio. O entendimento atual do TJRJ é que Couto seguirá como governador até que o STF defina o formato da eleição-tampão para substituir Castro. Assim, Ruas não deve assumir o comando do Executivo mesmo depois de eleito presidente da Alerj.

Essa posição também foi referendada pela desembargadora Suely Lopes Magalhães, que, ao rejeitar a ação protocolada pela oposição nesta quinta-feira, frisou que a posição do STF é de manter Couto como o primeiro da linha sucessória até que a Corte decida o formato da eleição suplementar.

Trajetória de Douglas Ruas

Também pré-candidato do PL na disputa ao governo do Rio neste ano, Ruas chegou a ser eleito, pela primeira vez, presidente da Alerj no último dia 26. O resultado do pleito, no entanto, foi anulado por determinação do TJ, que exigiu a retotalização dos votos do ex-presidente da Casa, Rodrigo Bacellar, cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A recontagem foi realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) na semana seguinte.

Na Alerj, Ruas tem uma trajetória marcada pela injeção de emendas parlamentares em São Gonçalo e por familiares com histórico de tiroteios na polícia. As conexões, por um lado, o ajudaram a largar na frente na disputa interna do partido.

Em São Gonçalo, ele comandou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais, pasta responsável por desenhar os convênios que justificavam a alocação de recursos dos governos federal e estadual na cidade. Já no governo do Rio, foi atuou no comando a Secretaria das Cidades durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL).

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Análises de Thiago Prado, editor de Política e Brasil do GLOBO

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