De acordo com a PF, o procedimento, de R$ 27 mil, teria sido pago pela empresa controlada por um operador financeiro
14/07/2026 20:56
, atualizado 14/07/2026 20:58

A Polícia Federal (PF) afirma que parte dos recursos desviados de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi utilizada para custear despesas pessoais de integrantes do esquema investigado na Operação Sem Desconto.
Entre os gastos apontados está uma cirurgia plástica, no valor de R$ 27 mil, realizada por Bruna Braz de Souza Santos, esposa do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes.
Segundo o relatório final do inquérito referente ao núcleo da Conafer, o procedimento cirúrgico teria sido pago pela empresa Santos Consultoria, apontada pela investigação como uma das pessoas jurídicas usadas para movimentar recursos do grupo. A companhia é controlada, de acordo com a PF, pelo operador financeiro Cícero Marcelino de Souza Santos.
Os investigadores afirmam que a conclusão tem como base mensagens encontradas nos celulares dos envolvidos. Em uma conversa registrada em 16 de novembro de 2021, a secretária do médico responsável pelo procedimento envia informações sobre a cirurgia a Bruna. Em seguida, ela encaminha um comprovante de pagamento de R$ 27 mil que, segundo a PF, foi quitado com dinheiro da Santos Consultoria.
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Para a Polícia Federal, o caso faz parte de um esquema mais amplo de uso de empresas para custear despesas particulares da família de Carlos Roberto Ferreira Lopes. Conforme o relatório, os valores arrecadados por meio de descontos associativos considerados irregulares eram distribuídos entre empresas ligadas aos operadores financeiros e, posteriormente, utilizados para o pagamento de gastos pessoais.
A investigação aponta que, além da Santos Consultoria, empresas como To Hire Cars, Solution, Impacto e MN Apoio Administrativo integravam a estrutura financeira utilizada pelo grupo. Na avaliação da PF, essas companhias funcionavam como uma espécie de caixa compartilhado para atender despesas da família do presidente da Conafer.
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Entre os pagamentos identificados pelos investigadores estão boletos escolares, passagens aéreas, salários e a cirurgia plástica de Bruna.
A quebra de sigilo bancário também revelou, segundo a PF, que ela recebeu mais de R$ 1,75 milhão diretamente em repasses classificados como salários ou “mesadas”, que variavam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil mensais, pagos por empresas ligadas ao operador financeiro Cícero Marcelino. Para a PF, ela participou diretamente da suposta lavagem de dinheiro ao administrar a Agropecuária Lagoa Alta e usufruir dos recursos de origem ilícita.
Na visão da corporação, os elementos reunidos indicam indícios da prática de lavagem de dinheiro e sugerem que recursos obtidos de forma ilícita por meio dos descontos em benefícios previdenciários foram empregados para financiar despesas privadas dos investigados.
Carlos Roberto Ferreira Lopes, Bruna Braz de Souza Santos e Cícero Marcelino de Souza Santos estão entre os 48 indiciados no primeiro relatório conclusivo da Operação Sem Desconto, encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. Caberá agora à Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar o material e decidir se apresentará denúncia contra os investigados.





