PT goiano vive tensão interna à espera de decisão de Flávio Faedo, que deve comunicar se entra ou não na corrida nesta segunda
Deputada e presidente do PT goiano gostaria de disputar a reeleição em 2026 (Foto: Maykon Cardoso/Alego)
A decisão do empresário e produtor rural Flávio Faedo (PT) sobre entrar ou não na disputa pelo governo de Goiás deve ser comunicada aos diretórios estadual e nacional do PT nesta segunda-feira (25/5). Nos bastidores do partido em Goiás, o clima é de tensão diante dos diferentes rumos que as articulações políticas podem tomar a partir da escolha tomada pelo ruralista.
A principal leitura entre lideranças petistas é de que, caso o empresário decida não disputar o pleito deste ano, o cenário pode ampliar ainda mais a pressão sobre o nome da deputada federal Adriana Accorsi (PT). Internamente, líderes avaliam que Adriana é o único nome do partido capaz de alcançar os resultados esperados pela sigla nas eleições deste ano, principalmente por aparecer mais competitiva do que os demais cotados em levantamentos intenção de voto.
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O problema é que Adriana resiste à ideia de concorrer ao Palácio das Esmeraldas. A deputada prefere disputar a reeleição para a Câmara Federal por considerar esse caminho “mais seguro”. Uma figura próxima à parlamentar explicou à reportagem que a avaliação do grupo é que, diante da histórica dificuldade do PT nas disputas majoritárias no estado, “seria loucura trocar o certo pelo duvidoso”.
Por isso, Accorsi, que também é presidente estadual da legenda, esteve entre os responsáveis pela construção do nome de Flávio Faedo como alternativa para a disputa. A aposta é que o empresário poderia ajudar a aproximar o PT de setores mais conservadores e ligados ao agronegócio, além de aliviar a pressão da executiva nacional pelo nome da deputada na corrida ao governo.
Apesar da resistência, lideranças admitem que um eventual pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia dificultar a permanência de Adriana fora da corrida ao Executivo.

Enquanto isso, o fator tempo preocupa integrantes da legenda. Diferentemente de outros grupos políticos que já colocaram seus pré-candidatos em campo, realizando agendas e articulações no interior do estado, o PT ainda busca definir quem representará a sigla ao cargo máximo das eleições deste ano.
Nos bastidores, as mesmas lideranças avaliam que iniciar uma candidatura do zero neste momento representaria um desafio significativo, sobretudo diante da vantagem construída por adversários durante a pré-campanha. Pensando nisso, parte do partido entende que seria “estratégico” apostar em um nome já conhecido do eleitorado, como Adriana Accorsi.
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Ainda assim, a deputada voltou recentemente a demonstrar resistência à disputa estadual. Ela reafirmou que sua preferência pessoal é buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados e informou que o lançamento de sua pré-candidatura deve ocorrer em junho. Em paralelo, Faedo também deu sinais de desinteresse nas últimas semanas. Apesar de não demonstrar entusiasmo, disse que pensaria no convite e conversaria com seus familiares sobre a possibilidade. Depois, se comprometeu a dar uma resposta nesta segunda.
O produtor rural é influente no agronegócio. Ele é um dos pioneiros do plantio direto no Cerrado, em Rio Verde. Líder do Grupo Faedo, ele ganhou destaque nacional pela produção sustentável de grãos, recebendo diversos prêmios ligados ao setor nos últimos anos. Além da atuação no campo, ele também se tornou conhecido por ser um dos poucos interlocutores do PT junto ao setor rural em Goiás.


