Reconhecimento internacional levou muralista a festivais no exterior e rendeu convite para participar de um clipe de A$AP Rocky
Pintura que foi compartilhada pela atriz Viola Davis (Foto: reprodução)
Uma pintura feita com um pé de acerola, no início da pandemia de Covid-19, viralizou e mudou completamente a vida do muralista Fábio Gomes, de 33 anos. Morador de Trindade há 14 anos, ele decidiu deixar de lado a profissão de pedreiro para viver exclusivamente da arte. A obra foi produzida em um bairro próximo à sua residência, divulgada nas redes sociais e chegou a ser compartilhada pela atriz norte-americana Viola Davis.
“Passei por essa rua, que é perto da minha casa, vi a árvore e falei: ‘Vou fazer uma arte aqui, usando a natureza’. Eu senti no coração que tinha que fazer essa arte, e foi quando minha vida mudou. Essa arte rodou os quatro cantos do mundo. É uma arte que me marcou muito, tenho o maior carinho por ela. Eternizei-a em uma tela, pois foi através dela que fiquei conhecido internacionalmente”, contou ao Mais Goiás.
Fábio já soma 10 anos de carreira e mais de 600 murais no Brasil e em outros países. O reconhecimento internacional proporcionou a ele conhecer diferentes lugares do mundo.
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O processo entre deixar o trabalho como pedreiro e investir apenas na arte de rua demorou cerca de um ano. Fábio explicou que a paixão pela arte vem da infância e que recebia incentivo dos antigos colegas de trabalho para tentar a carreira de muralista.
“Comecei a pintar muros, telas e também peças antigas. Minha sogra foi comprando muitas dessas peças e, hoje, na casa dela há várias peças e quadros do início da minha carreira, quando decidi iniciar essa trajetória artística”, revela.
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Convite para clipe nos EUA
O muralista revelou ao Mais Goiás que foi o primeiro artista brasileiro a pintar na Romênia, teve uma obra reproduzida na Arábia Saudita e também recebeu um convite para participar de um clipe do cantor A$AP Rocky. No entanto, não conseguiu ver a mensagem a tempo e, por isso, não viajou para os Estados Unidos para participar do projeto.
Nos Emirados Árabes Unidos, foi convidado a participar de um festival, onde fez um mural. Segundo ele, os artistas geralmente pagam para participar do evento, e apenas dois são convidados e remunerados pelo trabalho realizado no local. Fábio foi um deles.
O artista conta que, no começo da carreira, sofreu preconceito e era comum ouvir das pessoas que o trabalho que realizava não era uma profissão, que ele precisaria fazer uma faculdade e que não ganharia dinheiro suficiente para manter sua família apenas “pintando muro”. “Não foi fácil, mas hoje, graças a Deus, só recebo admiração das pessoas.”
Com obras inspiradas na fauna e na flora brasileiras, Fábio afirma que seu objetivo é percorrer o mundo levando a arte e a cultura do país.
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