Consulado coreano denuncia site que vende “encontros de dorama” com sexo em SP
O Consulado Geral da Coreia do Sul em São Paulo e a Associação Brasileira dos Coreanos investigam o site Kdramadate, que comercializa encontros com jovens coreanos prometendo experiências idênticas às cenas românticas de doramas. A plataforma, criada por Rikito Morikawa, japonês de 23 anos, oferece pacotes que incluem relações sexuais em motéis e passeios pelo Parque Ibirapuera. Autoridades apontam indícios de exploração sexual após o responsável tentar recrutar coreanos solteiros para o serviço.
O caso ganhou repercussão após denúncias da própria comunidade coreana e de fãs de K-dramas. Dois alertas oficiais foram publicados pelo Consulado entre outubro e novembro de 2025.
Pacotes oferecidos pelo site
A página Kdramadate apresenta quatro opções de encontros em São Paulo:
- Experiência íntima em motel ou residência
- Passeio por cafeterias no Bom Retiro ou Avenida Paulista
- Jantar em churrascaria coreana tradicional
- Caminhada romântica pelo Parque Ibirapuera com sessão de fotos
Os valores não aparecem publicamente, mas conversas obtidas mostram cobrança de R$ 70 por hora de encontro íntimo e R$ 170 por três horas. O site promete que o “oppa” sussurra frases famosas de doramas e recria cenas clássicas das séries sul-coreanas.
Recrutamento de jovens coreanos
Rikito Morikawa entrou em contato com pelo menos dez jovens coreanos residentes em São Paulo por Instagram e WhatsApp. Ele oferecia pagamento de até R$ 700 por encontro sexual com clientes brasileiras fãs de cultura coreana.
Os rapazes procurados tinham perfil considerado atraente pelo público feminino local: visual semelhante a atores de K-dramas, roupas e penteados característicos. Nenhum deles aceitou a proposta, segundo informações repassadas ao Consulado.
O responsável usava fotos roubadas de um antigo perfil de turismo na Coreia do Sul para ilustrar os pacotes. O endereço inicialmente divulgado como sede pertencia ao Centro Cultural de Hiroshima, que enviou notificação extrajudicial.
Posição das autoridades
O Consulado emitiu o primeiro alerta em 23 de outubro pedindo contato de possíveis vítimas de estelionato. O segundo comunicado, de 31 de outubro, já classificava o caso como exploração sexual.
A delegada Nadia Aluz, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo, explica que a prostituição por maiores de idade é legal no Brasil, mas a intermediação e lucro com o serviço sexual de terceiros configura crime.
Até o momento, Polícia Civil e Ministério Público informam não haver boletins de ocorrência ou inquérito aberto sobre o caso.
Residência cancelada no Brasil
O Diário Oficial da União publicou em 5 de setembro de 2025 o cancelamento da autorização de residência de Rikito Morikawa. A decisão ocorreu porque deixou de existir o motivo que justificava sua permanência no país.
O advogado que representava o japonês afirmou não ter contato com ele desde outubro, quando Rikito informou que retornaria ao Japão. Todas as tentativas de contato por telefone e redes sociais foram infrutíferas.

Fetichização da cultura coreana
Especialistas em cultura pop asiática apontam que o caso expõe a transformação do imaginário romântico dos doramas em produto comercial. A pesquisadora Daniela Mazur destaca que o site vende um fetiche racial baseado no estereótipo do “homem asiático ideal” construído pelas séries.
O crescimento do consumo de K-dramas e K-pop no Brasil nas últimas décadas aumentou o interesse por experiências que aproximem fãs da fantasia apresentada nas produções sul-coreanas.
A Associação Brasileira dos Coreanos reforça que acompanha o caso para preservar a imagem da comunidade no país desde sua chegada em 1963.





