A retomada do trânsito acontece um dia depois de Washington e Teerã anunciarem a reabertura total do estreito
Oito navios passaram pelo estreito neste sábado (18) | Foto: W. Bulach
Oito navios-tanque atravessaram o estreito de Hormuz neste sábado (18), na primeira movimentação relevante pela rota desde que o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã começou, há cerca de sete semanas. A passagem, porém, não foi tranquila: ao menos duas embarcações informaram ter sofrido disparos durante a travessia, de acordo com fontes do setor de segurança marítima. Dados do site MarineTraffic mostram que quatro navios de gás liquefeito e outros petroleiros navegavam por águas iranianas próximas à ilha de Larak, com mais embarcações a caminho.
A retomada do trânsito acontece um dia depois de Washington e Teerã anunciarem a reabertura total do estreito, responsável por cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo antes da guerra. As versões dos dois lados, no entanto, divergem. O governo iraniano afirma ter voltado a impor regras rígidas na passagem após o que chamou de violações e pirataria cometidas pelos americanos. Já Trump reafirmou que o bloqueio naval dos EUA permanece em vigor para navios com origem ou destino em portos iranianos, e alertou que os bombardeios podem recomeçar caso não haja acordo até quarta-feira (22), quando expira o cessar-fogo. “Talvez eu não estenda [a trégua], mas o bloqueio vai continuar. Então você tem um bloqueio e, infelizmente, teremos que voltar a lançar bombas”, afirmou.
O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, endureceu o tom ao declarar, em seu canal no Telegram, que a Marinha do Irã está preparada para impor “novas derrotas amargas” aos adversários. A Guarda Revolucionária também emitiu comunicado estabelecendo o que chamou de “nova ordem” no tráfego da região e anunciou que vetará qualquer embarcação militar estrangeira no estreito. A TV estatal iraniana condicionou a manutenção da liberação ao fim do bloqueio americano.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro com ataques conjuntos de EUA e Israel ao território iraniano, já provocou milhares de mortes, se estendeu ao Líbano e elevou os preços do petróleo em razão do fechamento de Hormuz. Na sexta, a commodity recuou cerca de 10% com a expectativa de normalização do tráfego marítimo. Um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano, mediado por Washington, também contribuiu para aliviar parte da pressão.
Nos bastidores, o cenário permanece indefinido. Diplomatas relatam dificuldades logísticas para organizar uma nova rodada de negociações em Islamabad, no Paquistão, e até a manhã de sábado não havia sinais concretos de preparação para o encontro. O programa nuclear iraniano segue como o principal obstáculo: os EUA exigem a retirada dos estoques de urânio enriquecido, enquanto Teerã defende o direito de manter o material para fins civis. Mediadores paquistaneses avaliam que um entendimento preliminar poderia levar a um acordo de paz mais amplo em até 60 dias.
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