CNJ dá 60 dias para TJGO e MPGO cumprirem regra anti supersalários e ‘penduricalhos’

Redação
By
3 Min Read
CNJ dá 60 dias para TJGO e MPGO cumprirem regra anti supersalários e ‘penduricalhos’

Contra-cheque único é válido em todo o território nacional e afeta vencimentos de magistrados e promotores

WhatsApp Image 2026-05-27 at 08.23.48

Decisão unifica dados de remunerações e acaba com 360 nomes diferentes usados para pagar gratificações e penduricalhos (Foto: Divulgação/TJGO)

Inglid Martins

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), demais órgãos do Judiciário e Ministério Público (MPGO) têm 60 dias para atender nova regra do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estabelecida contra supersalários e ‘penduricalhos’ no Poder Judiciário e órgão autônomo essencial à Justiça. Na prática, ambos devem unificar salários e benefícios de seus membros na folha de pagamento. A exigência atende à criação do “contracheque único”, aprovado por unanimidade pelo Conselho nesta terça-feira (26/5) para acabar com folhas suplementares e expor o valor real recebido por magistrados e promotores goianos. A ação é válida para todo país.

Apresentada pelo ministro Edson Fachin, presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), a medida centraliza qualquer ganho mensal em um único holerite. A partir da adequação dos sistemas, repasses como subsídios, gratificações, diárias, indenizações de férias e valores retroativos deixam de ser processados de forma separada.

Leia mais

  • TJGO aparece com destaque em relatório do CNJ
  • TJ-GO é o 7º pior tribunal do Brasil, segundo Prêmio CNJ Qualidade 2020

Contracheque único

A mudança atinge diretamente a folha de pagamento do TJGO, do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-18), do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-GO), além do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) e procuradorias federais instaladas na região.

Supersalários e ‘penduricalhos

A proposta avançou após um levantamento nacional apontar que a falta de padrão na nomenclatura de verbas indenizatórias — os chamados “penduricalhos” — camuflava distorções regionais. Somente na magistratura, foram mapeados 360 termos diferentes para justificar os pagamentos.

Em seu voto, Fachin reforçou que a divisão das remunerações em múltiplas folhas inviabiliza o controle do teto constitucional e a fiscalização social. “O que se paga com dinheiro público não pode se esconder em múltiplas folhas”, declarou o presidente do CNJ.

Transparência no TJGO e MPGO

A resolução também é um desdobramento de uma decisão anterior do STF, de março deste ano, que barrou o pagamento de verbas retroativas referentes a períodos anteriores a fevereiro de 2026.

Com os novos sistemas integrados, todas as informações remuneratórias do Judiciário goiano deverão ser alimentadas mensalmente em uma tabela padrão nacional, facilitando o monitoramento direto por órgãos de controle, pela imprensa local e pelo cidadão através dos portais da transparência.

Leia também

  • TJGO é o tribunal mais bem pago do país, com juízes que ganham até R$ 170 mil
  • Alego aprova projetos que permitem tribunais a pagarem salários acima do teto constitucional
Compartilhe