Chacina de Doverlândia: relembre caso ligado à queda de helicóptero da PCGO

Redação
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Chacina de Doverlândia: relembre caso ligado à queda de helicóptero da PCGO

Vítimas foram amarradas e, então, degoladas por Aparecido de Souza Alves, 22. Criminoso confesso também morreu na queda do helicóptero

Aparecido de Souza Alves, autor da chacina - (Foto: reprodução)

Aparecido de Souza Alves, autor da chacina – (Foto: reprodução)

Pedro Moura

Depois de 14 anos, a chacina de Doverlândia, praticada em 2012, ainda é considerada uma das maiores tragédias da história do Estado. Além de sete pessoas terem sido mortas em uma propriedade rural do município, sete profissionais da segurança pública e o principal suspeito do massacre na época também morreram em decorrência da queda do helicóptero da Polícia Civil de Goiás (PCGO). O acidente aéreo ocorreu em 8 de maio de 2012, em Piranhas, quando investigadores e o prisioneiro voltavam para Goiânia após realizarem a segunda etapa da reconstituição do crime, ocorrido em 29 de abril daquele ano.

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Relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) revelou a causa do acidente quatro anos depois, já em 2016. O motor da aeronave, que transportava cinco delegados, dois peritos e o então investigado, parou de funcionar a cerca de 300 metros de altura. Os pilotos, Osvalmir Carrasco e Bruno Rosa Carneiro, ambos delegados, não tiveram tempo de reagir. A aeronave explodiu após ter contato com o chão, no acidente que não teve sobreviventes.

Chacina de Doverlândia

Na ocasião, sete pessoas foram mortas na fazenda Nossa Senhora de Aparecida, a cerca de 400 km de Goiânia. Dois dias depois, Aparecido de Souza Alves foi preso como principal suspeito do crime e confessou o massacre. Segundo ele, o objetivo era roubar o dinheiro das vítimas. Na época, o investigado, que tinha apenas 22 anos, concluiu apenas aa primeira fase da reconstituição.

Ele afirmou à época que matou o dono da fazenda, Lázaro de Oliveira Costa, 57, e o filho dele, Leopoldo Costa, 22, por ‘ganância’, e chegou a afirmar que teria sido contratado para eliminar a família do pecuarista. A versão, no entanto, foi descartada pela Polícia Civil, que constatou o latrocínio.

Dinâmica não revelada

Aparecido revelaria a dinâmica dos demais óbitos na segunda reconstituição. No entanto, os dados se perderam com o acidente. Sabe-se, no entanto, que Tames Marques, na época com 24 anos, noiva de Adriano Carneiro, foi morta junto com o pretendente e a sogra, mãe dele, Miraci Carneiro. Na sequência, Tames ainda teve o corpo violado por Aparecido.

Joaquim Carneiro, pai de Adriano, também foi executado. Ele e os familiares faziam uma visita aos amigos e proprietários da fazenda e levaram um presente para Leopoldo, que iria se casar. Heli Francisco da Silva, era o caseiro da propriedade, e também acabou morto.

Brutalidade

Dois dos corpos foram encontrados em um banheiro da fazenda. Os demais foram arrastados por Aparecido até uma estrada próxima à propriedade. Todas as vítimas tiveram as mãos amarradas e foram degoladas. Os cortes eram tão profundos que por pouco não atingiram as colunas cervicais.

Vítimas do massacre em Doverlândia

  • Lázaro de Oliveira Costa;
  • Leopoldo Rocha Costa;
  • Joaquim Manoel Carneiro;
  • Miraci Alves Carneiro;
  • Adriano Alves Carneiro;
  • Tames Marques Mendes da Silva;
  • Heli Francisco da Silva. 
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Delegados e peritos mortos na queda do helicóptero da PCGO em Piranhas (Foto: reprodução)

Fim do inquérito

A corporação só concluiu o inquérito em janeiro de 2013. A investigação apontouquue Aparecido agiu sozinho. Peritos encontraram apenas o perfil genético do suspeito em materiais encontrados na fazenda, como cigarros e copos. A desfecho ocorreu oito meses após o acidente que matou o investigado e parte da equipe que investigava o caso, sendo:

  • Osvalmir Carrasco, delegado e piloto;
  • Bruno Rosa Carneiro, delegado e piloto;
  • Antônio Gonçalves, delegado; 
  • Vinícius Batista Silva, delegado;
  • Jorge Moreira, delegado;
  • Marcel de Paula Oliveira, perito criminal;
  • Fabiano de Paula Silva, perito criminal.

Arquivamento 

Ainda em abril de 2013, a promotora de Justiça Teresinha de Jesus Paula Sousa formalizou o pedido de arquivamento do inquérito contra Aparecido, em decorrência da morte dele. No documento, a promotora seguiu a linha investigatória da PC, que apontou que ele agiu sozinho.

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