Aprovação ocorre em meio à intensificação do conflito, que, segundo o secretário de Defesa Pete Hegseth, já custou US$ 37,5 bilhões (R$ 190 bilhões) aos cofres públicos
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GERADO EM: 22/07/2026 – 21:23
Câmara dos EUA aprova orçamento de US$ 95 bi para guerra e restrições eleitorais
A Câmara dos Representantes dos EUA aprovou um orçamento republicano de US$ 95 bilhões (R$ 481 bilhões) para financiar a guerra contra o Irã e outras prioridades do governo Trump, como restrições eleitorais. O conflito já custou US$ 37,5 bilhões (R$ 190 bilhões) e enfrenta resistência no Senado, onde o apoio bipartidário é necessário. A proposta visa também aumentar o financiamento militar e impor novas regras de votação.
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A Câmara dos Representantes dos EUA (equivalente à Câmara dos Deputados brasileira) aprovou nesta quarta-feira, uma proposta orçamentária republicana de US$ 95 bilhões (R$ 481 bilhões) para financiar a guerra com o Irã, além de outras prioridades do governo de Donald Trump, como impor novas restrições eleitorais a poucos meses das eleições legislativas de novembro. A aprovação ocorre em meio à intensificação do conflito com o Irã, que, segundo o secretário de Defesa Pete Hegseth, já custou US$ 37,5 bilhões (R$ 190 bilhões) aos cofres públicos.
O plano abriria caminho para uma legislação à prova de obstrução parlamentar, conhecida como Projeto de Lei de Reconciliação, que contornaria a oposição democrata e forneceria até US$ 73 bilhões (R$ 370 bilhões) em financiamento militar adicional, além de US$ 12 bilhões (R$ 60 bilhões) para agricultores afetados pela guerra e US$ 10 bilhões (R$ 50 bilhões) para impor novas e severas restrições ao voto defendidas por Trump.
No mês passado, a Casa Branca requisitou ao Legislativo a liberação de US$ 67 bilhões (R$ 339 bilhões), de forma emergencial, para cobrir os custos do conflito, que segundo a imprensa americana drenou os recursos do Pentágono de forma surpreendente. A resolução responde em grande parte a essa demanda, autorizando a Comissão de Serviços Armados a propor um gasto de US$ 60 bilhões (R$ 304 bilhões) para os anos fiscais até 2036, e a Comissão de Inteligência, um adicional de US$ 13 bilhões (R$ 65 bilhões).
A proposta foi aprovada por 216 votos a 214, com todos os republicanos, exceto dois, votando a favor, apesar da considerável preocupação em suas fileiras com relação ao custo, ao alcance e ao financiamento de uma guerra impopular a poucos meses das eleições legislativas.
Em um longo discurso no plenário da Câmara, em apoio ao plano, o deputado Jodey Arrington, republicano do Texas e presidente da Comissão de Orçamento, descreveu a iniciativa como “apoio às nossas tropas em um momento de necessidade”.
— Apenas prontidão básica para o campo de batalha — disse Arrington. — Balas e bombas para terminar o trabalho e voltar para casa sãos e salvos, vitoriosos.
O deputado Mike Rogers, do Alabama, presidente da Comissão de Serviços Armados, também omitiu qualquer menção ao Irã, embora tenha feito alusão ao conflito.
— Independentemente da sua opinião sobre os acontecimentos atuais, esses fundos são necessários para garantir que nossas forças de combate permaneçam preparadas, que nossas tropas sejam pagas e que nossa nação esteja segura — disse ele.
Por sua vez, o deputado Hakeem Jeffries, de Nova York, líder da minoria democrata, classificou a resolução como um “orçamento republicano ‘América por Último’ que fornecerá bilhões de dólares adicionais à Operação Fúria Épica no Oriente Médio, que tem sido um completo e total desastre para o povo americano”.
Seria a terceira vez em 18 meses que o partido recorreria à reconciliação — uma manobra criada para facilitar a aprovação de projetos de lei que reduzem o déficit federal — para implementar elementos importantes de sua agenda.
Os defensores de uma linha dura nas finanças públicas disseram estar dispostos a adicionar o montante total em gastos em troca da promessa de que a medida incluiria, eventualmente, novas restrições ao voto, exigindo que as pessoas comprovassem sua cidadania ao se registrarem para votar, impondo novos e rigorosos requisitos de identificação e restringindo severamente o voto por correio.
No entanto, está longe de ser certo que a proposta orçamentária ganhará força no Senado, onde projetos de lei de gastos geralmente precisam de apoio bipartidário — 60 votos — para serem aprovados.
O senador John Thune, republicano da Dakota do Sul e líder da maioria, sugeriu em uma coletiva de imprensa na terça-feira que a Casa “reteria” a resolução orçamentária da Câmara — não agindo sobre ela imediatamente, mas mantendo-a disponível — até que ele tivesse certeza de que o Senado poderia aprovar um projeto de lei de financiamento provisório para evitar uma paralisação do governo no final de setembro.
— É possível que, se necessário, possamos retirar a resolução orçamentária aprovada pela Câmara e usá-la para financiar o governo — disse Thune.
‘Prioridades urgentes’
Mesmo antes disso, vários republicanos no Senado já haviam questionado a viabilidade do plano. O senador Roger Wicker, do Mississippi, presidente da Comissão de Serviços Armados, afirmou que se opõe a ele porque não fornece verbas suficientes para o Pentágono. Wicker disse que quer garantir que as Forças Armadas recebam o valor total de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,6 trilhões) incluído na proposta orçamentária de Trump. Uma proposta similar para a Defesa também foi aprovada pela Câmara nesta quarta-feira, mas deve igualmente ser bloqueada no Senado.
Na terça-feira, Hegseth afirmou que a guerra custou, até agora, US$ 37,5 bilhões, mas segundo o jornal Washington Post, é consenso que o valor real é bem superior — estimativas independentes apontam para mais de US$ 100 bilhões (R$ 506 bilhões).
Os impactos internos também são surpreendentes. Os militares apontam para os baixos estoques de itens importantes nos arsenais, como mísseis de cruzeiro, componentes de sistemas de defesa aérea e diversos tipos de munição. Para enfrentar a crise orçamentária, verbas estão sendo realocadas internamente, afetando programas de treinamento e até a compra de determinados armamentos. Recentemente, diz o jornal, os militares pediram autorização à Casa Branca para movimentar US$ 4,2 bilhões (R$ 21 bilhões) para cobrir “prioridades urgentes”.
Com New York Times e agências internacionais.
Guga Chacra
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