O Brasil criou 85.888 vagas de emprego formal em abril de 2026, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta quinta-feira (28) pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
O resultado ficou abaixo da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters que previa criação líquida de 230.000 vagas.
Ao todo, foram contabilizadas 2.268.655 contratações com carteira assinada e 2.182.767 demissões no mês.
O saldo de abril foi o mais baixo desde o início deste ano. No acumulado de 2026 até o momento, o Brasil soma quase 700 mil postos de trabalho criados.
Em relação ao rendimento médio dos trabalhadores brasileiros, houve praticamente estabilidade em relação a março deste ano.
Em abril, o salário médio ficou em R$ 2.386,56, alta de 0,7% em relação ao mês anterior. Já em comparação com abril do ano passado, a alta foi de 1,8%.
Entre os chamados grupos de atividade econômica, os setores de comércio e agropecuária registraram déficit, ou seja, mais demissões que admissões. Por outro lado, o setor de serviços criou quase 70 mil empregos em abril.
Dentro dos setores que perderam postos de trabalho, alguns subgrupos específicos tiveram maior destaque negativo. Entre eles estão o comércio varejista de vestuário (que perdeu 32 mil vagas) e de calçados (com déficit de 11 mil empregos).
O MTE atribuiu o desempenho desses setores ao endividamento das famílias e à alta taxa de juros da economia brasileira. Segundo a pasta, a população está priorizando a compra de bens essenciais.
“Estamos vendo uma estabilidade no ritmo de supermercados, por exemplo, o que indica que as pessoas querem comprar o essencial nesse momento por já estarem bastante endividadas”, disse a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE, Paula Montagner.
“Em abril, muitas pessoas ainda estão com as dívidas de início de ano, como material escolar e outras, o que pesa no consumo varejista. Essa pode ser uma das explicações para os resultados de abril”, completou a subsecretária Montagner.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que, embora o resultado de abril tenha sido pior que o dos outros meses deste ano, não há “motivo para desespero”, pois a economia e a geração de empregos seguem num patamar de “crescimento”, que está “contido nesse momento”.
“Pontos que ficamos atentos nos números do emprego são, por exemplo, indústria e consumo de energia. Ambos seguem com saldo positivo, o que indica que a economia segue crescendo. Mas, não há dúvidas de que as taxas de juro altas atrapalham o potencial da economia brasileira”, disse o ministro.
Marinho afirmou que a expectativa do governo é que o ano de 2026 termine com a criação de, ao menos, 1 milhão de empregos no Brasil.
*Sob supervisão de João Nakamura


