Cães da PM de Goiás são treinados por 8 anos e veem trabalho como ‘brincadeira’

Redação
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Cães da PM de Goiás são treinados por 8 anos e veem trabalho como ‘brincadeira’

Animais trabalham por cerca de oito anos antes de se aposentar

Policial caminhando com cão treinado - (Foto: reprodução/instagram)

Policial caminhando com cão treinado – (Foto: reprodução/instagram)

Pedro Moura

Atentos, disciplinados e brincalhões. A descrição é apenas algumas das características dos 22 caninos que compõem o Batalhão de Policiamento com Cães, unidade que faz parte do Comando de Operações Especiais (CME) da Polícia Militar de Goiás (PMGO). 

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Atualmente, dos 22 animais das raças pastor-belg-malinois, pastor-alemão, pastor-holandes, borecole e labrador, apenas 10 estão em operação. Os demais estão passando por treinamento para aprender a se portar em eventos sociais e identificar drogas e demais ilícitos escondidos, como bombas.

“Eles são doados pra gente e, então, passam por testes de seleção. O treinamento deles leva, em média, de um ano a um ano e meio. Depende de cada cão e da raça. A gente começa por fases, usando a metodologia positiva, onde é usado brinquedos e petiscos”, explica o comandante do batalhão, major Paulo Gouthier. 

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Antes de iniciar o trabalho operacional, que dura cerca de oito anos, os cães passam por estágios para aprender a socializar com outros animais, além de ganhar experiência. De acordo com o major, quando localizam algum tipo de ilícito escondido em malas, por exemplo, os cachorros dão um sinal, que pode ser se sentar ou deitar na frente em frente ao objeto. 

Os animais adotam essa característica durante o treinamento, associando o cheiro de drogas ou de armas a brinquedos usados no preparo ostensivo. Conforme Paulo, os policiais caninos tendem a acreditar que o trabalho seja uma espécie de brincadeira – uma característica das raças. 

A “brincadeira”, inclusive, fez com que o batalhão retirasse de circulação mais de 1,4 mil quilos de maconha e 560 de cocaína no decorrer de 2025, cujo valor agregado chega a R$ 34 milhões. Os cães também auxiliaram na apreensão de 19 armas de fogo e na prisão de 72 suspeitos apenas no ano passado. 

“A gente opera em todo o estado de Goiás, não apenas na região metropolitana. As operações são do próprio batalhão ou em apoio a Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal. Essa atuação é bem ampla”, conta. 

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Cães policiais Isis e Chacal – (Foto: reprodução/PM)

Aposentadoria 

Depois de prestar serviços à comunidade e a segurança pública, os cachorros são aposentados. Ao descansar o focinho, os animais são adotados pelos próprios policiais ou doados à famílias com condições e espaço comprovados para proporcionar aos caninos conforto e segurança durante o resto da vida. 

Atualmente, a corporação possui três cães prestes a se aposentar, sendo que um deles é considerado o mais ativo da corporação: o Chacal, de 7 anos. De acordo com o major, Chacal é o mais antigo, bravo e um dos melhores cães de rastreamento, busca e captura da unidade especializada. 

“É um cão que a gente já considera histórico. Deve se aposentar no próximo ano e o cabo Rodrigues deve ficar com ele, já que o acompanha desde filhote. Damos prioridade para os policiais da nossa base, que adestraram eles desde filhotes ou outros policiais do Comando de Missões Especiais, que já tem experiência. Se não acharmos nenhum dono relacionado, a gente busca pessoas que possuem canil ou chácara”, concluiu.

Mesmo aposentados, os animais veteranos continuam visitando os antigos parceiros de farda, como no caso da labrador Isis. No último dia 17, a hoje idosa relembrou as raízes ao se encontrar com os novos policiais de quatro patas e também com parceiros de farda. Longe das operações policiais há cerca de dois anos, Isis vive uma vida tranquila ao lado da família adotiva. Inclusive, chegou a ganhar uns quilinhos ao se entregar a vida mansa.

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