A brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, cofundadora da startup Kalshi nos Estados Unidos, alcançou o status de bilionária mais jovem do mundo a construir sua própria fortuna. O anúncio veio na terça-feira, 2 de dezembro de 2025, após uma rodada de investimentos de US$ 1 bilhão elevar a avaliação da empresa para US$ 11 bilhões. Com uma participação estimada em 12% na companhia, Lara possui agora um patrimônio de US$ 1,3 bilhão, equivalente a cerca de R$ 6,93 bilhões na cotação atual.
A Kalshi opera como uma plataforma regulada de mercados de previsão, onde usuários compram e vendem contratos baseados em resultados de eventos futuros. Essa estrutura permite negociações sobre temas variados, desde variações econômicas até ocorrências esportivas, tudo sob supervisão da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC). O crescimento acelerado da empresa reflete o interesse crescente por esses instrumentos financeiros.
Lara superou a cofundadora da Scale AI, Lucy Guo, de 31 anos, que detinha o título anteriormente e havia deslocado a cantora Taylor Swift no início de 2025. O sócio de Lara na Kalshi, Tarek Mansour, também de 29 anos, entrou na lista de bilionários com o mesmo patrimônio.
- Plataforma Kalshi: Foco em contratos regulados para eventos reais.
- Investimento recente: US$ 1 bilhão liderado pela Paradigm.
- Avaliação anterior: US$ 2 bilhões em junho de 2025.
- Concorrentes: Polymarket, com volume de US$ 4,3 bilhões em novembro.
Trajetória inicial em Minas Gerais
Luana Lopes Lara nasceu em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, e cresceu em um ambiente que valorizava a educação e as ciências exatas. Seus pais, uma professora de matemática e um engenheiro elétrico, incentivaram o interesse precoce da filha por números e lógica. Desde cedo, Lara se destacou em competições acadêmicas, conquistando medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e bronze na Olimpíada de Matemática de Santa Catarina.
A família se mudou para Niterói, no Rio de Janeiro, e depois para Joinville, em Santa Catarina, onde Lara ingressou na Escola de Teatro Bolshoi. Aos 15 anos, ela já dedicava dez horas diárias ao treinamento de balé clássico, equilibrando aulas rigorosas com estudos escolares. Essa fase moldou sua disciplina, mas também revelou os limites físicos da carreira artística.
Em 2014, após concluir o ensino médio, Lara viajou para a Áustria e atuou como bailarina profissional no Salzburger Landestheater por nove meses, interpretando papéis em produções como “Lago dos Cisnes”. A experiência intensificou sua determinação, mas a jovem decidiu pivotar para a tecnologia, atraída pela interseção entre arte e inovação.
Transição para a ciência da computação
A mudança de carreira ocorreu em 2015, quando Lara foi aprovada em universidades de elite como Harvard, Yale, Stanford e até a UFRJ no Brasil. Optou pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde recebeu bolsa da Fundação Estudar, apoiada por empresários como Jorge Paulo Lemann. No campus, ela se formou em ciência da computação em 2019, passando verões estagiando em fundos de investimento como Bridgewater Associates, de Ray Dalio, e Citadel, de Ken Griffin.
Durante a graduação, Lara trabalhou em projetos que exploravam dados e previsões, o que plantou a semente para sua empreitada empresarial. Ela descreveu o período como uma oportunidade de absorver conhecimentos práticos em finanças quantitativas, essenciais para o modelo de negócios que viria a desenvolver.
Nos Estados Unidos, Lara integrou círculos de estudantes internacionais no MIT, onde conheceu Tarek Mansour, libanês-americano também cursando ciência da computação. A amizade evoluiu para uma parceria profissional, unindo visões complementares sobre mercados emergentes.
A decisão de deixar o balé não foi impulsiva; Lara via na dança uma lição de resiliência, comparável aos desafios de startups. Essa mentalidade a preparou para rejeições iniciais em pitches de investimento.
Criação e desafios regulatórios da Kalshi
A Kalshi surgiu em 2018 como um projeto universitário, formalizado em 2019. A plataforma permite que usuários negociem contratos baseados em eventos binários, como “o índice de inflação subirá acima de 3%?” ou “um time vencerá a final da liga?”. Diferente de apostas tradicionais, opera como um exchange regulado, com transparência e limites de risco.
Os primeiros anos foram marcados por batalhas com reguladores. Em 2020, a CFTC aprovou a operação após meses de negociações, dando à Kalshi vantagem sobre rivais não regulados. No final de 2023, a empresa processou a agência para liberar contratos eleitorais antes das eleições presidenciais americanas de 2024, obtendo vitória judicial.
Esses obstáculos testaram a persistência da dupla fundadora. Mansour, que cresceu durante o conflito no Líbano em 2007, trouxe perspectiva sobre incertezas globais, enquanto Lara enfatizava a importância de dados precisos para negociações justas.
Em 2025, a Kalshi expandiu para apostas esportivas, que representam 80% do volume negociado. A integração com blockchain Solana em dezembro ampliou o alcance, competindo diretamente com a Polymarket.
Crescimento acelerado em 2025
O ano de 2025 marcou a consolidação da Kalshi no setor de finanças preditivas. Em junho, a avaliação era de US$ 2 bilhões; em novembro, o volume nominal de negociações atingiu US$ 5,8 bilhões, oito vezes maior que em julho. Essa escalada atraiu investidores como Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Y Combinator na rodada de série E.
A plataforma contratou Donald Trump Jr. como assessor estratégico, fortalecendo laços com o mercado de apostas online. O modelo de negócios, que transforma opiniões em ativos negociáveis, gerou receitas diversificadas, com foco em eventos econômicos e culturais.
Comparada à Polymarket, avaliada em US$ 9 bilhões, a Kalshi se destaca pela regulação plena nos EUA, o que reduziu riscos para usuários institucionais. O volume da concorrente triplicou para US$ 4,3 bilhões no mesmo período, sinalizando o boom do setor.
Lara, em entrevistas, destacou o papel da Kalshi em democratizar previsões, permitindo que indivíduos comuns participem de mercados antes exclusivos a profissionais.
Reconhecimentos e origens no balé
Antes da Kalshi, Lara foi a única brasileira na lista Forbes 30 Under 30 em 2021, na categoria finanças. Sua entrada no ranking de bilionários self-made reforça o impacto de trajetórias não lineares no empreendedorismo.
O balé continua influenciando sua abordagem: a cofundadora credita à dança a capacidade de lidar com falhas, como lesões que exigiam recuperação rápida. Na Escola Bolshoi, treinamentos incluíam testes extremos de endurance, forjando foco inabalável.
De Belo Horizonte a Cambridge, Massachusetts, Lara manteve raízes brasileiras, inspirada pela mãe em competições matemáticas. Essa base cultural enriquece a visão global da Kalshi, que planeja expansões para mercados latino-americanos.
A conquista de Lara inspira debates sobre diversidade em tech, onde mulheres representam menos de 25% dos fundadores de startups bilionárias.
Expansão da Kalshi para novos mercados
A Kalshi planeja integrar mais eventos globais, como eleições na Europa e indicadores econômicos asiáticos. Em dezembro de 2025, a plataforma lançou contratos sobre criptomoedas, respondendo à volatilidade do bitcoin, que superou US$ 100 mil no ano.
Investidores veem potencial em parcerias com exchanges tradicionais, ampliando o acesso a 50 milhões de usuários potenciais. A empresa contratou executivos de Wall Street para refinar algoritmos de precificação.
No setor de apostas esportivas, a Kalshi capturou 15% do mercado americano, com negociações em tempo real durante jogos da NBA e NFL. Essa vertical gerou US$ 4,6 bilhões em volume no terceiro trimestre.
A visão de longo prazo inclui “financeirizar opiniões divergentes”, criando ativos de qualquer desacordo factual. Lara enfatiza a regulação como pilar para crescimento sustentável.
- Novos contratos: Eleições europeias em 2026.
- Parcerias: Integração com Solana para transações rápidas.
- Usuários: Crescimento de 2 milhões para 5 milhões em 2025.
- Receitas: Projeção de US$ 500 milhões anuais.


