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- Beto Louco entregou ao MP de São Paulo proposta de delação premiada com detalhes de suposto esquema bilionário de fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro da Operação Carbono Oculto.
- O empresário afirmou poder revelar a participação de servidores públicos e magistrados do Estado, apresentando documentos e dezenas de celulares como corroboração.
- A proposta não inclui autoridades com foro privilegiado em Brasília; uma tentativa anterior foi rejeitada pela PGR.
- Segundo ex-advogado, Beto Louco sabe tanto quanto Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso por fraude.
O empresário Roberto Leme, conhecido como “Beto Louco”, concluiu e entregou ao Ministério Público de São Paulo os anexos de sua proposta de delação premiada, nos quais se compromete a detalhar um suposto esquema bilionário de fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro investigado na operação Carbono Oculto.
Segundo informações apresentadas à Promotoria, o empresário afirma que pode revelar a participação de servidores públicos e magistrados do Estado no esquema. Como parte do material entregue, Beto Louco apresentou documentos de corroboração e dezenas de celulares que utilizava. De acordo com seus advogados, os aparelhos contêm dados que poderão ser analisados pelos investigadores para comprovar os crimes relatados.
Advogado revelou à Fórum conteúdo explosivo
Em entrevista ao Fórum Onze e Meia, o advogado Roberto Bertholdo afirmou que se Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, acusado de ser o elo do PCC com a Faria Lima e alvo da Operação Carbono Oculto, fizer uma delação premiada, “abala a República”. De acordo com Bertholdo, que foi advogado de Beto Louco, ele sabe mais ou tanto quanto Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso por fraude.
Bertholdo afirmou na ocasião que a delação de Beto Louco foi negada pela Procuradoria-Geral da República porque o acusado delataria “pessoas muito grandes” da República, principalmente do Centrão. “Ele nunca conseguiu ingresso ou ser bem atendido por pessoas ligadas ao atual governo. Mas no centrão, ele era tratado a ‘pão de ló’. Então, ele tem muita gente para entregar. Mas o PGR não aceitou a delação dele”, declarou o advogado.
Leia mais aqui: TV Fórum: Delação de Beto Louco tem o poder de “abalar” a República, diz Roberto Bertholdo
Quem tem foro está fora
A proposta de colaboração não inclui autoridades com foro privilegiado em Brasília. No entanto, uma tentativa anterior de delação foi rejeitada pela Procuradoria-Geral da República, então comandada por Paulo Gonet. Na ocasião, o empresário citava, entre outros nomes, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Reportagens divulgadas à época apontaram uma suposta relação entre o empresário e o parlamentar, incluindo a oferta de presentes, como canetas e a realização de um show do cantor Roberto Carlos no Amapá. Os benefícios, segundo as investigações, teriam sido oferecidos em troca de apoio político para reverter decisões da Agência Nacional do Petróleo contrárias à empresa do empresário, a Copape. Alcolumbre nega as acusações.
Deflagrada em agosto de 2025, a operação Carbono Oculto apura a infiltração do crime organizado em setores formais da economia, como postos de combustíveis, padarias e fintechs.
Foragido
Atualmente foragido, Beto Louco passou as últimas semanas em contato constante com seus advogados para preparar os anexos da delação — documentos preliminares que funcionam como um esboço do conteúdo a ser detalhado em eventual acordo de colaboração.
Com informações da coluna de Mônica Bergamo


