Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, morreu na madrugada de 24 de novembro de 2025 no Hospital Santa Júlia, em Manaus, após receber dose de adrenalina por via intravenosa. A médica Juliana Brasil Santos, responsável pelo atendimento, admitiu em relatório interno que errou ao indicar a aplicação endovenosa da medicação. O documento, elaborado pela unidade e enviado à Polícia Civil, confirma que a criança sofreu reação grave logo após a primeira dose.
A família levou o menino ao pronto-socorro no sábado, 23, com tosse seca e suspeita de laringite. A prescrição incluiu três doses de 3 ml de adrenalina a cada 30 minutos pela veia.
O que dizem os relatórios hospitalares
O relatório da UTI Pediátrica registra que Benício deu entrada com quadro de “administração errônea de adrenalina na veia”. O texto descreve taquicardia intensa, palidez cutânea e dificuldade respiratória imediata.
A médica relatou ter informado à mãe que a medicação deveria ser oral ou por nebulização. Ela declarou surpresa por a equipe de enfermagem não ter questionado a prescrição registrada no prontuário.
Versões apresentadas no inquérito
Juliana Brasil Santos e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva prestaram depoimento na manhã de 28 de novembro. As duas profissionais chegaram à delegacia por volta das 9h30 e evitaram contato com a imprensa.
A técnica afirmou que apenas cumpriu a prescrição médica registrada. Já a médica sustentou que a aplicação não deveria ter sido feita pela via intravenosa.
A Polícia Civil identificou divergências nos depoimentos. Será realizada acareação entre as duas envolvidas nos próximos dias.
Posição da investigação policial
O delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, pediu a prisão preventiva da médica. Ele classifica o fato como homicídio doloso por assunção de risco.
O pedido destaca que a profissional pode voltar a atender e colocar outras vidas em perigo. Na noite de 27 de novembro, o Tribunal de Justiça do Amazonas concedeu habeas corpus preventivo à médica.
Sequência dos fatos no hospital
Benício recebeu a primeira dose e apresentou piora súbita ainda no pronto-socorro. A saturação de oxigênio caiu para cerca de 75%, levando à transferência para a sala vermelha.
A equipe solicitou vaga em UTI pediátrica ainda na noite de sábado. A intubação ocorreu por volta das 23h, seguida de paradas cardíacas.
O menino sofreu novas paradas na madrugada de domingo. As manobras de reanimação não surtiram efeito, e o óbito foi constatado às 2h55.
Medidas tomadas pelo hospital
O Hospital Santa Júlia afastou a médica e a técnica de enfermagem das funções. A unidade instaurou investigação interna pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente.
Em nota, o hospital informou que não vai se manifestar enquanto durar a investigação policial. A defesa da médica anunciou que vai contestar a tipificação de homicídio doloso.
A família de Benício acompanha o inquérito e cobra apuração rigorosa dos fatos.


