Presidente do conselho do BTG Pactual afirmou que medidas para sinalizar disciplina fiscal poderiam reduzir os juros para 7% ou 8%
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RESUMO
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GERADO EM: 23/05/2026 – 14:03
André Esteves: Brasil “Arrumadinho” e Juros Mais Baixos com Medidas Simples
André Esteves, presidente do conselho do BTG Pactual, afirmou que o próximo presidente do Brasil encontrará um país “arrumadinho”, destacando que algumas medidas simples de contenção de gastos poderiam reduzir os juros para 7% ou 8%. Ele comparou a situação atual com os desafios enfrentados por Fernando Henrique Cardoso e Lula em seus inícios de mandato. Esteves também chamou a atenção para problemas do crime organizado e milícias. Aloizio Mercadante criticou a antiga gestão do Banco Central e defendeu a reestruturação do BC e da CVM.
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André Esteves, presidente do Conselho de Administração do BTG Pactual, avalia que o Brasil precisa conter o crescimento dos gastos públicos, mas acredita que quem for eleito em outubro para o próximo mandato presidencial encontrará um país “arrumadinho” e “fácil de resolver”.
A afirmação foi feita neste sábado (23) em painel do Fórum Esfera, que contou também com participação de Aloizio Mercadante, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e Bruno Dantas, ministro do Tribunal de Contas da União.
— Quem quer que seja eleito em janeiro vai pegar um país arrumadinho, fácil de resolver. E eu acho que a gente precisa fazer uma última milha. Não é de corte de gastos, fim de programas sociais, não precisa de nada disso. Tem três, quatro medidas simples de contenção do crescimento de gasto — afirmou ele.
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Esteves fundamentou a visão de um país com boas condições ao comparar os inícios dos governos de Fernando Henrique Cardoso (1994) e de Lula (2002), épocas em que os presidentes assumiram, segundo o banqueiro, uma “terra arrasada” com hiperinflação, desemprego alto, falta de reservas cambiais e crises bancárias.
Para ele, três ou quatro medidas “simples” de contenção do crescimento de gastos para sinalizar disciplina fiscal poderiam reduzir os juros para 7% ou 8%. O banqueiro apontou para outras preocupações para o próximo ciclo presidencial.
— A economia está moleza de resolver. Agora, essa guerra do Brasil institucional com o Brasil não institucional, essa a gente não pode perder aqui.
Ele se referia ao avanço do crime organizado, milícias e setores informais da economia que fogem ao controle do Estado.
Esteves voltou a afirmar que não houve erro por parte do BTG em relação ao caso do Banco Master. Ao ser questionado se o banco teria falhado em seus sistemas de controle ou ao acreditar em determinados papéis, ele respondeu que “óbvio que não tem erro nenhum no BTG”. A plataforma de investimentos do BTG Pactual foi, juntamente com outras grandes instituições como XP e Nubank, um dos principais canais de distribuição dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master, de Daniel Vorcaro. O papel dessas corretoras tornou-se objeto de questionamento e ações judiciais após a deterioração financeira da instituição de Vorcaro.
— Quando a gente achou que as coisas estavam saindo do controle, procuramos nos posicionar — disse ele, sem se estender sobre o tema.
Mercadante atribuiu responsabilidade direta à direção anterior do BC, afirmando que houve “omissão e conivência”. Ele afirmou que a gestão de Ilan Goldfajn não havia autorizado a compra pelo Banco Master nem a entrada de Daniel Vorcaro como um banqueiro relevante, mas que isso acabou ocorrendo posteriormente.
O presidente do BNDES disse também que o caso do Master mostra a necessidade de reestruturação tanto da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) quanto do Banco Central.
— Primeiro, tem que pagar bem servidor público, tem que ter carreira, tem que ser valorizado. Eu proponho uma coisa simples. Pega a carreira do BNDES põe no Banco Central e na CVM. Eu quero ver se essas coisas acontecem. Não acontece. Você dá autonomia, você dá poder e tem que empoderar o Banco Central a CVM.
Isso seria necessário porque fundos de investimento serão, segundo ele, o próximo problema a aparecer — para ele, caso Reag é apenas a “ponta do iceberg”.


