Rafael alega que apenas se defendeu; o Ministério Público afirma que houve excesso, apoiando-se em vídeos, testemunhos e outros elementos
Apesar do pedido de prisão preventiva, a Justiça concedeu liberdade provisória com medidas cautelares (Foto: reprodução / Redes Sociais)
O professor de Jiu-jitsu e lutador de Muay Thai Rafael Gomes Pereira, 43, preso por agredir adolescente em Goiânia, disse que agiu porque achou que a vítima estava armada. A confusão ocorreu depois de um desentendimento do jovem com filhos de Pereira. Solto em audiência de custódia realizada no sábado (30/5), o artista marcial alegou ter apenas aplicado uma imobilização, embora testemunhas e vídeo enviado por populares ao Mais Goiás rebatam a informação. A versão também foi contestada pelo Ministério Público, segundo o qual o mata-leão foi mantido até o rapaz perder a consciência. O adolescente também teria sido chutado quando já estava desacordado.
O promotor ainda citou cinco outras ocorrências envolvendo o detido para sustentar o histórico de comportamento agressivo. Apesar do pedido de prisão preventiva, a Justiça concedeu liberdade provisória, mediante cumprimento de medidas cautelares.
Audiência de custódia
Durante o depoimento, Rafael relatou que já havia desentendimentos anteriores entre o adolescente e seus filhos e afirmou que as ameaças vinham ocorrendo há cerca de dois meses. Segundo sua versão, ele foi até a quadra após ser avisado por um dos filhos de que o jovem estava no local.
“O rapaz socou meu nariz e simulou que estava armado. Quando ele virou para os meus filhos e falou: ‘Agora eu vou pegar vocês’, eu imaginei que ele estava armado. A única coisa que eu fiz foi imobilizar ele”, declarou durante a audiência.

A defesa sustentou que o caso ocorreu em um contexto de conflito prévio entre os envolvidos e argumentou que a prisão preventiva não era necessária. Os advogados também afirmaram que Rafael sofreu lesões durante o episódio e defenderam que os fatos ainda precisam ser melhor esclarecidos ao longo da investigação.
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Versão contestada
A versão, no entanto, foi contestada pelo Ministério Público. Ao pedir a conversão da prisão em flagrante para preventiva, o promotor destacou que as imagens do caso mostram uma situação diferente daquela narrada pelo investigado. Além do mata-leão aplicado e supostos chutes desferidos contra o rapaz, o órgão ressaltou que o caso aconteceu em um ambiente frequentado por crianças e adolescentes.
Na manifestação, o promotor citou relatos de moradores, o depoimento do subsíndico do condomínio e ocorrências anteriores envolvendo o investigado para sustentar a existência de um comportamento agressivo recorrente. Entre os registros mencionados estão procedimentos relacionados a lesão corporal, ameaças, dano e um episódio anterior envolvendo outros dois adolescentes.
Para o MP, o conjunto dessas informações demonstraria risco de reiteração de condutas violentas e justificaria a manutenção da prisão.
Apesar do pedido, a Justiça optou por conceder liberdade provisória ao investigado. Na decisão, o magistrado determinou o uso de tornozeleira eletrônica, proibiu qualquer contato com as vítimas e estabeleceu que Rafael permaneça afastado da região da Praça das Artes e do Jardim Goiás, onde vivem os envolvidos no caso.
As circunstâncias da agressão ainda são investigadas pela Polícia Civil.
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