Relógio, conceito de horário de verão – Foto: baona/istock
Governo federal confirma a suspensão do horário de verão para 2025, em Brasília, nesta quarta-feira (22). O Ministério de Minas e Energia (MME) informou que a medida, abolida desde 2019, não será retomada devido à baixa efetividade na redução do consumo elétrico. A decisão ocorre em meio a análises técnicas que apontam estabilidade no sistema energético nacional.
O anúncio visa esclarecer rumores recentes sobre possível retorno da prática, que adiantava relógios em uma hora durante o verão. Especialistas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) avaliaram que o pico de demanda agora se concentra nas tardes, período não beneficiado pelo ajuste horário. Assim, rotinas de trabalho e serviços públicos permanecem sem alterações.
Trabalhadores e estudantes evitam adaptações anuais, o que simplifica agendas em estados do Sul e Sudeste. O MME destacou que reservatórios hidrelétricos operam em níveis adequados, garantindo suprimento até 2026 sem necessidade de medidas emergenciais.
Avaliação técnica justifica a manutenção da suspensão
Estudos do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico indicam que o horário de verão gerava economia inferior a 0,5% do consumo total antes de 2019. Mudanças climáticas deslocaram o maior uso de energia para horários diurnos, com ar-condicionado elevando a demanda em até 30% nas tardes quentes. O governo optou por priorizar fontes renováveis, como solar e eólica, que representam mais de 80% da matriz.
Histórico da medida no país
A prática começou em 1931 para aproveitar luz natural e reduzir custos com iluminação. De 1985 a 2019, aplicou-se anualmente em regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com adiantamento de relógios no segundo domingo de novembro até fevereiro. Em 2019, o decreto presidencial extinguiu a medida após relatórios mostrarem perda de relevância.
Dados do ONS registraram picos de 103 mil megawatts em fevereiro de 2025, sem sobrecarga graças a investimentos em transmissão. A suspensão evitou custos adicionais com termelétricas, estimados em R$ 244 milhões em cenários favoráveis.
O Brasil alinha-se a vizinhos como Argentina e Chile, que abandonaram ajustes sazonais. No exterior, Europa mantém o horário de inverno a partir de outubro, mas o foco aqui recai sobre eficiência interna.
Impactos na rotina sem adiantamento
Empresas ajustam expedientes sem pressa, preservando produtividade em indústrias. Setor varejista mantém horários noturnos fixos, o que facilita logística em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. Transporte aéreo evita reprogramações de voos, reduzindo atrasos em aeroportos.
Universidades e escolas prosseguem com calendários estáveis, beneficiando alunos em horários matinais. Comércio de rua opera sem variações, e eventos culturais adaptam-se ao fuso único.
Pacientes com distúrbios do sono relatam alívio com a ausência de mudanças abruptas. Médicos observam que o “jet lag” social afetava 10% da população em anos anteriores.
Alternativas para gestão de energia
O MME investe em tecnologias de refrigeração eficiente para mitigar picos diurnos. Leilões de potência garantem reserva de 15% acima da demanda projetada para 2025. Expansão de linhas de transmissão conecta regiões isoladas ao Sistema Interligado Nacional.
- Redução de perdas em redes: Projetos visam cortar 5% de desperdício até 2026.
- Incentivos a painéis solares residenciais: Subsídios cobrem 30% do custo inicial.
- Monitoramento em tempo real: Sensores preveem sobrecargas com 95% de precisão.
Essas ações substituem ajustes manuais, focando em sustentabilidade de longo prazo.
Projetos legislativos em tramitação
A Comissão de Minas e Energia da Câmara aprovou, em outubro, projeto que proíbe permanentemente o horário de verão. O texto, relatado pelo deputado Otto Alencar Filho, cita riscos à saúde como distúrbios cardiovasculares. Agora, segue para Comissão de Constituição e Justiça.
O substitutivo revoga decretos de 1942 e 2013, permitindo exceções só em crises hídricas. Senadores debatem emendas para incluir consultas públicas anuais. Aprovado, o PL formaliza a suspensão, alinhando lei à prática atual.
Debates incluem audiências com especialistas em saúde e energia. Entidades como Associação Brasileira de Energia Solar apoiam a proibição. Votação final ocorre até dezembro.
Perspectivas para o setor elétrico
Reservatórios atingem 70% de capacidade no fim do período seco, superior a 2024. O Plano de Operação Energética prevê suprimento estável até 2029, com margem de 10 gigawatts. Mudanças climáticas demandam planejamento, mas medidas atuais bastam.
O verão de 2024-2025 registrou temperaturas recordes desde 1961, elevando consumo em 8%. Apesar disso, diversificação de fontes hidráulicas e térmicas equilibra o sistema. O MME monitora ondas de calor para ativar protocolos de contingência.
Investimentos somam R$ 50 bilhões em modernização até 2025, priorizando integração de renováveis. Essa estratégia reduz dependência de importações de combustível.
Opiniões de entidades envolvidas
A Ordem dos Advogados do Brasil defende consulta popular antes de qualquer retorno futuro. Federações de indústrias calculam economia de R$ 100 milhões anuais sem adaptações logísticas. Sindicatos de trabalhadores celebram a estabilidade em jornadas.
Grupos ambientais destacam benefícios na preservação de ritmos biológicos. Pesquisas de opinião mostram 60% da população contra a medida, citando fadiga. Setor turístico avalia horários estendidos via iluminação LED.
Essas visões guiam avaliações contínuas do CMSE.


