O advogado Matheus Mayer Milanez enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a sua declaração de renúncia à disputa por uma vaga de deputado federal pelo Distrito Federal, representando o partido Republicanos.
O documento de desistência foi protocolado em 14 de agosto de 2026, dois dias depois que a Justiça do Distrito Federal concedeu medidas protetivas à sua ex-noiva. A mulher, que está grávida de dez semanas, acusa Milanez de ter cometido pelo menos três episódios de violência doméstica.
As determinações judiciais incluem a proibição de Matheus de entrar em contato com a vítima, por qualquer meio, e a obrigação de manter uma distância mínima de 300 metros.
No texto da renúncia, ele afirmou que tomou a decisão por “razões de foro íntimo e de forma inteiramente livre, voluntária e consciente”, declarando sua desistência do pedido de registro de candidatura “em caráter irrevogável e irretratável”.
Por meio de uma nota divulgada em 14 de agosto de 2026, o advogado Matheus Mayer Milanez negou “de forma categórica, qualquer prática de agressão”. Ele acrescentou que as informações divulgadas “não correspondem à realidade dos fatos e é apresentado de forma fragmentada, sem o contexto que lhe dá sentido”.
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Detalhes sobre os relatos de violência
Residentes do Distrito Federal, Matheus Mayer Milanez e a ex-noiva mantinham um relacionamento há dois anos, com a união estável formalizada em 8 de fevereiro de 2025.
Conforme a denúncia apresentada, a primeira agressão ocorreu em dezembro do ano anterior. Incidentes semelhantes teriam se repetido em junho e julho de 2026. Após expulsar a mulher grávida de casa em agosto de 2026, o advogado teria gravado um vídeo com amigos quebrando pertences da ex-noiva.
A mulher registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher da Polícia Civil em 12 de agosto de 2026.
Matheus Mayer Milanez também atuou como advogado do general Augusto Heleno no Supremo Tribunal Federal (STF) durante o julgamento da trama golpista. Na época, ele ganhou destaque por reclamar com os ministros e exigir um intervalo para o jantar durante uma das sessões.
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Primeira agressão teria ocorrido em dezembro de 2025
De acordo com a denúncia, a agressão inicial aconteceu em 27 de dezembro de 2025, durante a celebração do aniversário de Matheus. Na residência do casal no Distrito Federal, o advogado teria jogado a ex-noiva no chão, causando um ferimento na cabeça. O pai de Matheus e uma amiga da mulher teriam presenciado o ocorrido.
Em mensagens enviadas à ex-noiva em 30 de dezembro de 2025, Matheus Mayer Milanez questionou seu próprio comportamento.
Novos incidentes de agressão em junho de 2026
Em 13 de junho de 2026, Matheus Mayer Milanez teria empurrado a ex-noiva novamente, resultando em um hematoma no braço dela. A mulher relatou este episódio de violência a amigas.
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Poucos dias depois, em 22 de junho de 2026, Matheus Milanez publicou um vídeo e um texto em suas redes sociais abordando temas como violência contra a mulher e feminicídio.
Ex-noiva relata agressão em julho de 2026
Em 3 de julho de 2026, a ex-noiva de Matheus Mayer Milanez providenciava uma refeição após uma crise de hipoglicemia, que lhe causou mal-estar e desmaio.
Quando a comida foi entregue na residência do casal, Matheus teria jogado a refeição no chão durante um conflito.
Expulsão de casa e vídeos com agressões em agosto de 2026
Na noite de 2 e madrugada de 3 de agosto de 2026, Matheus Milanez teria agredido a ex-noiva.
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Nessa ocasião, ele expulsou a mulher grávida de casa, que foi obrigada a passar a noite em um motel na beira da estrada.
Em 13 de agosto de 2026, Matheus Mayer Milanez gravou um vídeo com amigos enquanto eles quebravam objetos pessoais da ex-noiva. No registro, os amigos de Matheus proferiram xingamentos contra a mulher.
Matheus Milanez nega veementemente as acusações
Matheus Mayer Milanez declarou que soube da medida protetiva requerida pela sua ex-companheira, que está grávida do primeiro filho do casal, através da imprensa.
O advogado negou de forma “categórica, qualquer prática de agressão”. Ele enfatizou que, como criminalista, conhece e respeita o devido processo legal, e é nesse âmbito, “dentro dos autos e com as provas”, que a questão será esclarecida.
Ele reiterou que o que foi divulgado “não corresponde à realidade dos fatos e é apresentado de forma fragmentada, sem o contexto que lhe dá sentido”. Milanez afirmou que não pretende “disputar essa narrativa em rede social”, por não ser o local adequado, mas garantiu que o “conjunto completo dos elementos, que será apresentado à Justiça, mostra uma situação bastante diferente da que se noticiou”.
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O advogado fez questão de deixar claro que “apoia integralmente o direito de qualquer mulher de denunciar situações de violência”. Ele classificou a Lei Maria da Penha como “uma conquista civilizatória” e considerou o “acolhimento imediato da palavra da mulher” como parte essencial da proteção oferecida pela legislação.
Ele destacou um ponto de contexto, informando que desde 3 de agosto de 2026, as negociações entre as partes estavam sendo realizadas exclusivamente por meio de advogados. Em 11 de agosto de 2026, a advogada da ex-companheira comunicou à sua própria advogada que as tentativas de acordo não haviam sido bem-sucedidas e que ele teria até as 10h da manhã de 12 de agosto de 2026 para assinar uma proposta, sob pena de medidas judiciais. Milanez não concordou com os termos e, em seguida, foi surpreendido pela reportagem.
Ele afirmou que não cabe a ele interpretar essa sequência de fatos, e que tudo será devidamente esclarecido nos autos. No entanto, o advogado expressou preocupação, para além de seu caso pessoal, sobre a possibilidade de a proteção conferida pela Lei Maria da Penha ser convertida em “instrumento de negociação”, o que, segundo ele, “enfraquece justamente as mulheres que dela dependem”.
Por respeito à mãe de seu filho e, principalmente, à criança que está para nascer, Matheus Milanez disse que não irá expor detalhes de uma questão familiar em rede social, pois o caso “merece ser tratado com a discrição que exige”.

